Brasil e China discutiram a ampliação da cooperação em inteligência artificial (IA), minerais críticos e terras raras durante reunião realizada em Pequim nesta quarta-feira (16/09/2026), entre o assessor-chefe da Assessoria Especial do Presidente da República, Celso Amorim, e o ministro das Relações Exteriores da China, Wang Yi. Durante o encontro, Amorim entregou uma carta do presidente Luiz Inácio Lula da Silva ao presidente chinês, Xi Jinping.
A reunião tratou de temas relacionados à relação bilateral entre Brasil e China, incluindo iniciativas de cooperação tecnológica e econômica. A agenda também contemplou questões da política internacional, como os conflitos na Ucrânia e no Oriente Médio, além da atuação dos dois países no BRICS.
A entrega da correspondência de Lula a Xi Jinping foi apresentada como parte da interlocução entre os governos brasileiro e chinês. Segundo informações divulgadas sobre o encontro, a mensagem presidencial reforçou a convergência estratégica entre Brasil e China e a intenção de ampliar a coordenação bilateral.
Inteligência artificial entra na agenda de cooperação
Entre os temas discutidos esteve o desenvolvimento de sistemas de inteligência artificial de código aberto, com atenção a aspectos relacionados à ética e à inclusão. A discussão ocorre em um contexto de expansão do uso da IA e de debates internacionais sobre governança e acesso às novas tecnologias.
Wang Yi também destacou a participação brasileira na Organização Mundial de Cooperação em Inteligência Artificial, iniciativa voltada à cooperação internacional no setor. A participação do Brasil integra a agenda de aproximação entre os dois países em assuntos tecnológicos.
A cooperação em IA envolve ainda discussões sobre desenvolvimento tecnológico, governança e ampliação do acesso às ferramentas digitais. Para os governos envolvidos, a articulação multilateral constitui uma das frentes para tratar dos impactos econômicos e sociais associados à expansão da inteligência artificial.
Brasil e China discutem minerais críticos e terras raras
Outro eixo da reunião foi a ampliação das capacidades produtivas relacionadas a minerais críticos e terras raras. Esses recursos são utilizados em cadeias industriais associadas a equipamentos eletrônicos, veículos elétricos, tecnologias digitais e processos relacionados à transição energética.
A pauta também envolve a possibilidade de ampliar a agregação de valor aos recursos minerais. O objetivo discutido é fortalecer etapas de processamento e transformação dentro das cadeias produtivas, em um cenário de maior demanda internacional por insumos estratégicos.
A relevância econômica desses minerais está relacionada à sua utilização em diferentes setores tecnológicos e industriais. A cooperação entre Brasil e China nesse campo integra uma agenda que combina recursos naturais, indústria, tecnologia e comércio internacional.
Reunião também abordou conflitos internacionais
No campo diplomático, Celso Amorim e Wang Yi trataram dos conflitos na Ucrânia e no Oriente Médio. Durante a reunião, os representantes defenderam o multilateralismo, o diálogo e a busca de soluções pacíficas para conflitos internacionais.
Os dois diplomatas também discutiram o papel do BRICS na articulação de iniciativas diplomáticas e negociações de paz. O tema foi tratado após a realização da cúpula do grupo, com revisão da declaração aprovada pelos países integrantes.
A presidência chinesa do BRICS também esteve entre os assuntos analisados. A discussão incluiu a necessidade de coordenação entre os países em plataformas multilaterais e a implementação dos entendimentos estabelecidos pelos respectivos chefes de Estado.
Coordenação bilateral inclui fóruns multilaterais
Wang Yi afirmou, conforme os relatos sobre a reunião, que as relações entre Brasil e China avançaram sob a orientação de Lula e Xi Jinping. O chanceler chinês também associou a parceria à cooperação entre países do Sul Global.
Celso Amorim defendeu o aprofundamento da coordenação entre Brasil e China em organismos e plataformas multilaterais, além da implementação dos consensos estabelecidos pelos presidentes dos dois países.
A reunião em Pequim concentrou, portanto, temas de diferentes áreas da relação bilateral: inteligência artificial, minerais críticos, terras raras, indústria, BRICS e diplomacia internacional.
Carta de Lula amplia interlocução entre os governos
A entrega da carta de Luiz Inácio Lula da Silva a Xi Jinping por Celso Amorim constituiu uma das ações da agenda diplomática realizada em Pequim. O documento foi entregue durante o encontro com Wang Yi e teve como destinatário o presidente chinês.
A iniciativa ocorre em um momento de ampliação da agenda de cooperação entre os dois países, com discussões envolvendo tecnologia, recursos minerais estratégicos e articulação internacional.
Os temas tratados na reunião indicam a abrangência da agenda Brasil-China, que reúne cooperação econômica e tecnológica, políticas industriais, governança da inteligência artificial e coordenação diplomática em questões internacionais.








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