A profissão de administrador foi homenageada em sessão especial do Senado Federal nesta segunda-feira (14/09/2026), em referência ao Dia do Administrador, celebrado em 9 de setembro. Durante a solenidade, representantes da categoria defenderam formação continuada, preparo para novas tecnologias, incentivo à inovação, empreendedorismo e pesquisa, além da ocupação de cargos de gestão por profissionais habilitados na área.
Regulamentada pela Lei nº 4.769, de 9 de setembro de 1965, a profissão completa 61 anos de regulamentação em 2026. Segundo os dados apresentados durante a sessão, existem atualmente cerca de 490 mil administradores registrados nos conselhos regionais e no Conselho Federal de Administração (CFA), além de mais de 2 milhões de estudantes em Administração e cursos correlatos.
A homenagem foi requerida inicialmente pelo senador Izalci Lucas (PL-DF), que presidiu a sessão e recebeu administradores, estudantes, professores e representantes dos conselhos profissionais. Ao destacar a trajetória da categoria, o senador relacionou a atuação dos administradores às transformações econômicas, tecnológicas e organizacionais ocorridas desde a regulamentação da profissão.
Categoria aponta desafios para a administração profissional
Representando o Conselho Federal de Administração (CFA), Domingos Sávio Spezia chamou atenção para a quantidade de estudantes vinculados à área. Segundo ele, aproximadamente um quarto dos alunos matriculados no ensino superior está em cursos relacionados à Administração, o que amplia a necessidade de fiscalização, valorização, reconhecimento e visibilidade profissional.
Spezia afirmou que a atuação do administrador não se limita à ocupação de cargos. Segundo o representante do CFA, a profissão envolve decisão, planejamento, liderança, inovação e responsabilidade pela utilização de recursos, com impactos sobre organizações e sobre a sociedade.
Durante a sessão, representantes do Conselho Regional de Administração do Distrito Federal (CRA/DF) também apresentaram reivindicações relacionadas à carreira. Entre os temas mencionados estiveram a possibilidade de reconhecimento da Administração como carreira típica de Estado e a defesa de que cargos de gestão sejam ocupados por administradores.
Estudantes e representantes defendem valorização da profissão
O presidente do CRA/DF, Hélio Queiroz da Silva, abriu espaço para manifestações de convidados presentes na sessão. Entre os participantes estava Maria Gabriela Rauzer, estudante da Fundação Getulio Vargas (FGV), que defendeu maior reconhecimento do papel do administrador e a preparação de novos profissionais para funções de liderança.
A discussão sobre valorização profissional também foi relacionada aos resultados econômicos da administração. Para Andréa Antinoro, diretora de Relações Institucionais do CRA/DF, a defesa do espaço profissional deve ser acompanhada pela demonstração dos efeitos da gestão sobre empresas e serviços públicos.
Segundo Antinoro, gestão adequada pode reduzir desperdícios, elevar a produtividade, fortalecer empresas e melhorar serviços públicos, com reflexos sobre o desenvolvimento econômico. A afirmação foi apresentada como parte da discussão sobre a contribuição da Administração para diferentes setores da economia.
Ocupação de cargos de gestão entra na pauta
O diretor de Administração e Finanças do CRA/DF, Ivan Calderon, defendeu a necessidade de ampliar a presença de administradores em posições relacionadas à gestão. Ele argumentou que profissionais da área devem ocupar funções tanto no setor público quanto no privado, incluindo organizações que, segundo sua avaliação, não contam com responsável técnico da área.
Calderon também mencionou dados atribuídos ao Sebrae sobre a sobrevivência de empresas. Segundo ele, 60% dos empreendimentos deixam de funcionar até os dois primeiros anos, situação que associou à ausência de administração e gestão adequadas. O dado foi utilizado durante a sessão para sustentar a importância da atuação profissional na condução empresarial.
A defesa da ocupação de cargos específicos pelos administradores esteve entre as principais reivindicações apresentadas. A proposta envolve tanto estruturas governamentais quanto empresas privadas, dentro do debate sobre atribuições profissionais e qualificação para funções de gestão.
Formação continuada é apontada como necessidade
A necessidade de atualização permanente foi outro eixo da sessão. Para Sebastião Vitalino da Silva, diretor de Desenvolvimento Profissional do CRA/DF, o administrador precisa estar preparado para atuar em um mercado de trabalho que apresenta mudanças tecnológicas e organizacionais.
Segundo ele, a responsabilidade profissional ultrapassa a busca por eficiência. O administrador também deve contribuir para a construção de organizações que conciliem produtividade, tecnologia, ética e responsabilidade social.
Vitalino defendeu que a formação acadêmica continue sendo uma etapa fundamental, mas avaliou que ela não é suficiente para acompanhar as transformações do mercado. Nesse contexto, a categoria foi chamada a adotar uma cultura de educação permanente, com atualização de conhecimentos ao longo da trajetória profissional.
Tecnologia e inovação exigem atualização profissional
O avanço tecnológico foi apontado como um dos fatores que modificam as competências exigidas dos administradores. A incorporação de novas ferramentas e processos de trabalho exige profissionais capazes de compreender mudanças organizacionais e utilizar tecnologias na tomada de decisões.
Além da tecnologia, os participantes destacaram inovação, empreendedorismo e pesquisa como áreas que devem integrar a formação dos futuros administradores. A avaliação apresentada durante a solenidade é de que a preparação profissional precisa acompanhar a transformação das organizações e das relações de trabalho.
O vice-presidente do CRA/DF, Argeu Ramos da Silva Dessa, resumiu essa perspectiva ao defender que o administrador contemporâneo deve permanecer em processo permanente de aprendizagem. Para ele, o conhecimento adquirido precisa ser aplicado no cotidiano das organizações.
Profissão completa 61 anos de regulamentação
A celebração no Senado ocorre 61 anos após a publicação da Lei nº 4.769/1965, que regulamentou a profissão de administrador no Brasil. A legislação estabeleceu as bases para o exercício profissional e para a organização do sistema de fiscalização da categoria.
Ao longo das décadas, a Administração passou a atuar em diferentes segmentos, incluindo empresas, órgãos públicos, instituições de ensino, organizações sociais e empreendimentos de diferentes portes. Na sessão, os participantes associaram essa expansão às mudanças econômicas, tecnológicas e gerenciais ocorridas no país.
Os dados apresentados também indicam a dimensão atual da área de formação: 490 mil profissionais registrados e mais de 2 milhões de estudantes em Administração e cursos relacionados. Para representantes da categoria, esse contingente amplia a necessidade de qualificação, fiscalização e definição clara das atribuições profissionais.
Debate reúne diferentes frentes da categoria
A sessão especial reuniu representantes do Conselho Federal de Administração, do Conselho Regional de Administração do Distrito Federal, estudantes e integrantes da comunidade acadêmica e profissional. As manifestações abordaram tanto questões relacionadas ao exercício profissional quanto à preparação para mudanças no mercado de trabalho.
Entre as principais demandas apresentadas estiveram a formação continuada, a atualização diante das novas tecnologias, o estímulo à inovação e ao empreendedorismo, o fortalecimento da pesquisa e a ocupação de funções de gestão por administradores.
Ao marcar os 61 anos da regulamentação profissional, o debate no Senado também evidenciou uma preocupação comum entre os participantes: adaptar a formação e a atuação dos administradores às mudanças nas organizações, mantendo a qualificação profissional como requisito para o exercício das atividades de gestão.
*Com informações da Agência Senado.








Deixe um comentário