Agricultura familiar em Feira de Santana: Cultivo de flores e hortaliças gera renda em área de 10 mil m²

A produção de flores, hortaliças e outros alimentos em uma área de aproximadamente 10 mil metros quadrados contribui para a geração de renda e o fortalecimento da agricultura familiar em Feira de Santana, na Bahia. Há 14 anos, o terreno é utilizado por agricultores e floricultores por meio de uma parceria entre a Prefeitura Municipal, a Coelba e a indústria Belgo, que viabilizou o aproveitamento produtivo de um espaço anteriormente sem atividade agrícola.

A área também é utilizada pela Associação de Floristas de Feira de Santana, que desenvolve atividades de cultivo e comercialização. A iniciativa permite que os produtores utilizem o terreno para trabalhar, diversificar a produção e ampliar as possibilidades de renda, sob condições estabelecidas em um acordo de comodato.

Entre os agricultores que atuam no local está Francisco de Jesus Rodrigues, conhecido como Dinho do Caroá, que trabalha com flores há cerca de 60 anos. Morador da comunidade rural de Caroá, ele acompanhou mudanças na produção agrícola e na comercialização de flores na região, além de enfrentar dificuldades relacionadas à disponibilidade de água, às estiagens e à contratação de mão de obra especializada.

Parceria viabiliza cultivo em área de 10 mil metros quadrados

A destinação do terreno ao cultivo teve como uma das finalidades evitar ocupações residenciais irregulares e permitir o uso produtivo da área. Pelo acordo de comodato, os agricultores assumem a responsabilidade pela conservação do espaço e podem comercializar os produtos cultivados.

A parceria entre o poder público e as empresas envolvidas possibilitou a manutenção de uma estrutura voltada à produção agrícola. A iniciativa integra ações de aproveitamento de áreas disponíveis e oferece condições para a continuidade do trabalho de pequenos produtores e floricultores.

A Prefeitura de Feira de Santana destaca o apoio a iniciativas relacionadas à agricultura familiar, à geração de renda e ao aproveitamento produtivo de terrenos. A experiência reúne atividades de floricultura e horticultura, contribuindo para a diversificação agrícola e a comercialização de produtos no município.

Murta lidera a produção de flores comercializadas

Entre as espécies cultivadas no terreno estão murta, girassol, áster, sorriso-de-Maria e angélica. A murta é apontada como o principal produto comercializado e é utilizada na decoração de casamentos, batizados e outros eventos.

O cultivo de flores também inclui girassóis produzidos a partir de sementes provenientes dos Estados Unidos, segundo as informações apresentadas pelos agricultores. A variedade de espécies amplia as possibilidades de comercialização e atende a diferentes demandas do mercado de flores ornamentais.

Além da floricultura, a área abriga o cultivo de quiabo, milho, couve, inhame, coentro, feijão-de-corda, andu, mangalô e capim-santo. A combinação de flores e alimentos permite diversificar a produção e distribuir as atividades agrícolas entre diferentes culturas.

Adubação orgânica e rotação de culturas orientam o manejo

Os agricultores utilizam adubação orgânica, sem aplicação de fertilizantes químicos ou agrotóxicos, conforme as informações sobre o manejo da área. Outra prática adotada é a rotação de culturas, que consiste em alternar as espécies plantadas para contribuir com a manutenção dos nutrientes e da qualidade do solo.

Parte da cobertura vegetal é preservada para auxiliar na conservação da umidade, especialmente durante os períodos de estiagem. O manejo também envolve a reposição de matéria orgânica e a diversificação das plantas cultivadas, estratégias utilizadas para manter a fertilidade da terra.

Dinho do Caroá explica que o desenvolvimento das plantas depende da disponibilidade de nutrientes e de cuidados contínuos com o solo. Segundo ele, a reposição de elementos como potássio, fósforo e nitrogênio, aliada à alternância de culturas, ajuda a manter a capacidade produtiva do terreno.

“Uma planta precisa de potássio, fósforo e nitrogênio para se desenvolver. Por isso, fazemos a rotação de culturas e buscamos enriquecer o solo com matéria orgânica. Em uma área pequena como essa, é preciso diversificar a produção para manter a qualidade da terra”, explica o agricultor.

Consumo de água é um dos desafios da produção

A disponibilidade de água é apontada como um dos fatores determinantes para a continuidade da atividade agrícola. Segundo Dinho, o consumo pode chegar a aproximadamente 60 mil litros de água por dia durante os períodos de temperaturas elevadas.

A necessidade de irrigação aumenta a pressão sobre a estrutura de produção, principalmente diante das estiagens e das mudanças nas condições climáticas. Para o agricultor, a manutenção do abastecimento é indispensável para assegurar o desenvolvimento das flores e das hortaliças.

“Sem água, a gente não produz. Precisamos de toda essa estrutura para continuar produzindo”, afirma Dinho.

O relato evidencia a importância da infraestrutura hídrica para pequenos produtores que dependem da regularidade do fornecimento para manter as plantações e atender ao mercado.

Trajetória de Dinho do Caroá acompanha mudanças na agricultura local

A trajetória de Francisco de Jesus Rodrigues começou na comunidade de Caroá, na zona rural de Feira de Santana, onde ele produzia alimentos e os levava para comercialização na feira livre do município.

Naquele período, segundo o relato do agricultor, o transporte das mercadorias era feito com o auxílio de animais. Entre os produtos comercializados estavam quiabo, milho, ovos e feijão-de-corda, que abasteciam consumidores da cidade.

Com o passar dos anos, o cultivo de angélica ganhou espaço na região e contribuiu para ampliar a comercialização de flores em Feira de Santana, Salvador e municípios vizinhos. A atividade passou a representar uma alternativa econômica para produtores que encontraram na floricultura uma possibilidade de diversificação da renda rural.

Estiagens e falta de mão de obra desafiam os floricultores

Apesar da experiência acumulada, a produção enfrenta dificuldades associadas às mudanças climáticas e à intensificação dos períodos de estiagem. A redução da disponibilidade de água pode comprometer o desenvolvimento das plantas e exigir adaptações no manejo agrícola.

Outro desafio apontado por Dinho é a dificuldade de encontrar trabalhadores com conhecimento técnico para o cultivo de flores. A atividade exige cuidados específicos com o solo, a irrigação, a manutenção das espécies e as etapas de produção, o que torna a qualificação da mão de obra um fator relevante para a continuidade do trabalho.

A combinação entre necessidade de água, manejo adequado e disponibilidade de trabalhadores influencia a capacidade de manter a produção e atender à demanda comercial. Nesse contexto, a estrutura compartilhada e o acesso ao terreno representam elementos importantes para a permanência dos agricultores na atividade.

Produção diversificada contribui para a agricultura familiar

A experiência desenvolvida na área de 10 mil metros quadrados mostra como a utilização produtiva de terrenos disponíveis pode reunir floricultura, horticultura e produção de alimentos em um mesmo espaço. A parceria entre a Prefeitura de Feira de Santana, a Coelba e a Belgo permite a continuidade de uma atividade que, há 14 anos, contribui para a geração de renda de agricultores e floricultores.

A diversificação das culturas, o uso de adubação orgânica e a rotação de plantios fazem parte das práticas adotadas pelos produtores. Ao mesmo tempo, a disponibilidade de água e a qualificação da mão de obra permanecem entre os fatores que condicionam o desenvolvimento da atividade.

A manutenção da produção depende, portanto, da combinação entre acesso à terra, infraestrutura, técnicas de manejo e condições de comercialização. Para os agricultores envolvidos, esses elementos são essenciais para preservar a atividade agrícola e manter a geração de renda em Feira de Santana.


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