Aleksandar Vučić: Trajetória política, relação com Rússia e União Europeia e os protestos na Sérvia

Aleksandar Vučić construiu uma trajetória política de mais de três décadas na Sérvia, passando pela oposição, pelo governo e pela Presidência da República. Nascido em Belgrado, em 1970, ocupou cargos parlamentares e ministeriais antes de chegar ao cargo de primeiro-ministro e, posteriormente, à Presidência, em 2017.

A trajetória de Vučić entrou em uma nova fase em 27/09/2026, quando ele renunciou à Presidência da Sérvia. No dia seguinte, Ana Brnabić, presidente da Assembleia Nacional, assumiu interinamente as funções presidenciais. A renúncia ocorreu enquanto o país se prepara para eleições parlamentares antecipadas em 25/10/2026.

Vučić havia iniciado seu segundo mandato presidencial em maio de 2022, após vencer a eleição daquele ano no primeiro turno, com 58,59% dos votos. O mandato deveria terminar em 2027, mas a renúncia antecipou a transição presidencial.

Da formação jurídica à política nacional

Vučić formou-se em Direito pela Universidade de Belgrado, em 1994. Ainda durante a juventude, ingressou no Partido Radical Sérvio, organização de orientação nacionalista, e posteriormente ocupou a secretaria-geral da legenda.

Na década de 1990, tornou-se deputado e passou a exercer funções no cenário político da então República Federal da Iugoslávia e, posteriormente, da Sérvia. Entre 1998 e 2000, ocupou o cargo de ministro da Informação da Iugoslávia.

Após a queda de Slobodan Milošević, em 2000, Vučić permaneceu na oposição durante parte da década. Em 2008, após uma divisão no Partido Radical Sérvio, participou, ao lado de Tomislav Nikolić, da criação do Partido Progressista Sérvio (SNS).

Ascensão ao governo sérvio

A trajetória do SNS levou Vučić ao governo após as eleições parlamentares de 2012. Ele assumiu como primeiro vice-primeiro-ministro e ministro da Defesa, participando de iniciativas relacionadas à administração pública e ao combate à corrupção.

Em 2014, tornou-se primeiro-ministro da Sérvia. O governo daquele período manteve as negociações para a entrada do país na União Europeia e promoveu políticas voltadas à reorganização das contas públicas, atração de investimentos e reformas administrativas.

Em 2017, Vučić deixou o cargo de primeiro-ministro para disputar a Presidência. Ele venceu a eleição no primeiro turno, com 55,08% dos votos, e tomou posse em 31/05/2017.

Presidência e segundo mandato

Em 2022, Vučić foi reeleito para um segundo mandato de cinco anos, novamente no primeiro turno, com 58,59% dos votos.

Durante sua permanência na Presidência, a Sérvia manteve o processo de aproximação com a União Europeia, que considera o país candidato à adesão ao bloco. Ao mesmo tempo, Belgrado preservou relações políticas e econômicas com Rússia, China e Estados Unidos.

A política externa sérvia ganhou relevância adicional após o início da guerra na Ucrânia. Belgrado condenou a violação da integridade territorial ucraniana, mas não aderiu às sanções da União Europeia contra a Rússia, mantendo relações com Moscou.

Relação com Rússia e União Europeia

A posição de Belgrado procura preservar simultaneamente as negociações de adesão à União Europeia e os vínculos históricos com a Rússia. Essa política externa é apresentada pelas autoridades sérvias como uma tentativa de manutenção de diferentes parcerias internacionais.

A União Europeia mantém a Sérvia como país candidato à adesão, mas cobra maior alinhamento de Belgrado à política externa e de segurança comum do bloco. As diferenças em relação às sanções contra a Rússia estão entre os pontos de tensão nas negociações.

Durante os anos de governo de Vučić, a Sérvia também ampliou relações econômicas e políticas com China, Rússia, Estados Unidos e países europeus, enquanto manteve formalmente o processo de integração à União Europeia.

Protestos e disputas políticas

O período de Vučić no poder também foi acompanhado por manifestações de diferentes grupos políticos e sociais. Em 2017, ocorreram protestos conhecidos como “Contra a Ditadura”, após a eleição presidencial.

Entre 2018 e 2019, manifestações voltadas principalmente contra o governo e em defesa de maior espaço para a oposição ocorreram em diversas cidades sérvias. Em 2023, o movimento Sérvia Contra a Violência ganhou força após dois ataques com mortes ocorridos no país.

Uma nova onda de mobilizações começou após o desabamento da cobertura da estação ferroviária de Novi Sad, que provocou a morte de 16 pessoas. O episódio desencadeou manifestações estudantis e mobilizações contra o governo, com reivindicações relacionadas à responsabilização dos envolvidos, combate à corrupção e convocação de eleições antecipadas.

Queda da estação de Novi Sad amplia pressão

As manifestações relacionadas ao acidente permaneceram ativas ao longo de 2025 e 2026. O caso também resultou em investigações e processos envolvendo autoridades e pessoas relacionadas às obras e à administração da infraestrutura ferroviária.

O governo de Vučić rejeitou acusações feitas por setores da oposição e dos movimentos de protesto. Entre as críticas apresentadas por adversários estavam alegações de corrupção, restrições à imprensa e concentração de poder. Vučić e seus aliados negaram essas acusações.

Em meio às manifestações, representantes do governo também afirmaram que forças estrangeiras estariam tentando desestabilizar a Sérvia. Essas declarações foram apresentadas pelas autoridades sérvias como interpretação sobre a origem das mobilizações.

Renúncia em setembro de 2026

Em 27/09/2026, Vučić apresentou sua renúncia à Presidência. Segundo as autoridades sérvias, ele afirmou que pretendia participar das próximas eleições parlamentares como cidadão e que entregaria as funções presidenciais à presidente da Assembleia Nacional.

Em 28/09/2026, a transferência das funções foi formalizada. Ana Brnabić passou a exercer interinamente a Presidência, conforme as regras constitucionais sérvias, até a escolha de um novo chefe de Estado.

A renúncia ocorreu pouco antes das eleições parlamentares antecipadas de 25/10/2026. O calendário eleitoral também prevê uma nova eleição presidencial até o final de dezembro.

Próxima etapa política da Sérvia

A saída de Vučić da Presidência não encerra sua participação na política sérvia. Segundo informações divulgadas pelas autoridades, ele pretende participar das eleições parlamentares como cidadão. A possibilidade de sua atuação em uma futura composição de governo também passou a integrar o cenário político do país.

O próximo ciclo eleitoral ocorrerá em um ambiente marcado pela continuidade das negociações com a União Europeia, pela manutenção das relações com Rússia e China e pelos efeitos políticos das manifestações iniciadas após o desastre de Novi Sad.

A trajetória de Vučić reúne passagem pelo nacionalismo partidário nos anos 1990, atuação no governo a partir de 2012, dois mandatos presidenciais, política externa de equilíbrio entre diferentes parceiros e uma sequência de protestos internos.

A renúncia de setembro de 2026 abriu uma nova etapa institucional para a Sérvia, com eleições parlamentares em outubro e previsão de eleição presidencial até o fim do ano.

*Com informações da Sputnik News.


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