A participação brasileira é organizada para aproximar produtores, cooperativas e indústrias de compradores, importadores, distribuidores e redes de varejo de diferentes países. Além de buscar contratos durante a feira, as empresas utilizam o evento para estabelecer relações comerciais que podem resultar em negócios nos meses seguintes.
Segundo Laudemir Müller, presidente da Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (ApexBrasil), a expectativa de US$ 3,5 bilhões representa uma projeção de negócios associada à participação brasileira. O dirigente ressaltou que os contatos comerciais iniciados no evento podem gerar resultados mesmo após o encerramento da programação.
SIAL Paris reúne empresas brasileiras e compradores internacionais
A feira é realizada a cada dois anos e reúne profissionais de diferentes segmentos da cadeia de alimentos e bebidas. Nesta edição, a organização contabiliza 295 mil profissionais de aproximadamente 194 países, entre importadores, distribuidores, varejistas, representantes de supermercados, indústrias, restaurantes e hotéis.
A presença brasileira busca apresentar a diversidade da produção nacional e ampliar o acesso a mercados internacionais. A estratégia abrange tanto empresas com atuação consolidada no comércio exterior quanto negócios que procuram estabelecer os primeiros contatos com compradores estrangeiros.
A dimensão internacional do evento também permite acompanhar tendências de consumo, identificar exigências comerciais e avaliar oportunidades de adaptação dos produtos aos diferentes mercados. Para a ApexBrasil, a promoção comercial contínua é parte da estratégia de ampliar as exportações e fortalecer a presença de produtores brasileiros no exterior.
Ovos processados ampliam oportunidades para a indústria brasileira
Entre as empresas participantes está a Netto Foods, sediada em São Paulo e especializada no processamento de ovos. Com mais de 25 anos de atuação, a companhia destina aproximadamente 90% de sua produção ao mercado brasileiro e já comercializa produtos em 15 países. A participação na SIAL busca ampliar a presença internacional, especialmente na Europa.
De acordo com Fausto Clemente, gestor de negócios da empresa, a companhia processa mais de 5 milhões de ovos por dia em três unidades produtivas no Brasil. O portfólio inclui ovos líquidos e em pó, além de clara e gema em diferentes apresentações, destinados a aplicações industriais e comerciais.
Clemente destacou que o processamento oferece benefícios relacionados à segurança alimentar, à padronização de receitas, ao controle de custos e à redução do desperdício. Segundo ele, a presença na feira também permite conhecer as tendências do mercado europeu e desenvolver relacionamentos com potenciais parceiros comerciais na União Europeia.
Carne bovina brasileira busca consolidar mercados externos
O setor de carne bovina ocupa posição relevante na participação nacional, por meio do projeto Brazilian Beef, desenvolvido pela Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes (ABIEC) em parceria com a ApexBrasil.
Segundo Roberto Perosa, presidente da ABIEC, o projeto participa da SIAL há 12 anos com o objetivo de promover a carne bovina brasileira e ampliar as oportunidades de comercialização. O dirigente informou que o Brasil exporta carne para 177 países, o que exige ações contínuas de promoção e relacionamento com compradores internacionais.
Perosa também destacou a expansão da capacidade de processamento do setor pecuário. De acordo com os dados apresentados por ele, o Brasil processou aproximadamente 30 milhões de bovinos em 2020, enquanto o volume chegou a 42,9 milhões de animais no último ano citado na entrevista. A comparação indica crescimento da atividade de abate e processamento, segundo o representante da indústria.
A participação na feira busca associar essa capacidade produtiva à ampliação das oportunidades comerciais. O acesso a novos mercados, contudo, depende das exigências sanitárias e regulatórias de cada destino, além de fatores como competitividade, logística e condições de negociação.
Agricultura familiar apresenta produtos da biodiversidade brasileira
Uma das novidades da participação brasileira nesta edição é a presença de dez cooperativas da agricultura familiar, que apresentam produtos relacionados à biodiversidade, à agroecologia, à produção orgânica e ao desenvolvimento regional.
Para Laudemir Müller, a participação das cooperativas pode facilitar o acesso de pequenos produtores aos mercados internacionais. A organização coletiva permite reunir produtos, ampliar a capacidade de atendimento e estabelecer condições para negociar com compradores que demandam regularidade de fornecimento e padrões de qualidade.
Entre as entidades presentes está a União Nacional das Cooperativas da Agricultura Familiar e Economia Solidária (Unicafes), que, segundo as informações divulgadas na reportagem, representa aproximadamente 1.500 cooperativas e cerca de 6 milhões de pessoas em diferentes regiões brasileiras. Na SIAL, a entidade apresenta cerca de cem produtos orgânicos, incluindo mel, própolis, geleias e proteínas vegetais.
Produtos de seis biomas integram a oferta das cooperativas
Luciano Monteiro da Silva, conselheiro da Unicafes, afirmou que as cooperativas trabalham com quase 500 produtos provenientes dos seis biomas brasileiros. Segundo ele, a produção está associada a práticas agroecológicas, à sustentabilidade e à observância dos padrões de qualidade exigidos pelos mercados.
A diversidade inclui frutas e ingredientes regionais com potencial de ampliar o conhecimento internacional sobre a produção brasileira. Entre os exemplos citados estão mangaba, açaí, maracujá da Caatinga, pequi do Cerrado, seriguela e umbu-cajá.
Silva também ressaltou a variedade encontrada nas propriedades familiares, mencionando cerca de 37 tipos de frutas cultivadas em quintais produtivos e sítios, das quais aproximadamente 20 seriam exclusivas do Brasil, conforme sua declaração. A oferta desses produtos pode contribuir para diferenciar a produção das cooperativas e ampliar as oportunidades de comercialização de alimentos ligados à biodiversidade nacional.
Exportações dependem de acesso a mercados e acordos comerciais
A participação na SIAL Paris evidencia a busca brasileira por diversificar destinos e ampliar as exportações de alimentos com diferentes níveis de processamento. O conjunto de expositores reúne grandes setores exportadores, como a carne bovina, e pequenos empreendimentos que procuram inserir produtos regionais no comércio internacional.
A concretização das oportunidades depende da capacidade de atender às exigências dos compradores, manter padrões de qualidade, garantir escala de fornecimento e cumprir requisitos sanitários e comerciais. Para as cooperativas da agricultura familiar, a organização da produção e a formação de parcerias também são fatores relevantes para ampliar a presença no exterior.
Outro tema relacionado às perspectivas de exportação é o acordo comercial entre Mercosul e União Europeia, apontado na reportagem como uma questão para o futuro do setor. Seus efeitos sobre os negócios brasileiros dependerão das condições efetivamente aplicáveis, dos cronogramas de implementação e das regras de acesso aos mercados envolvidos.
Brasil busca transformar contatos em contratos de exportação
A expectativa de US$ 3,5 bilhões em negócios sintetiza a projeção brasileira para a participação na SIAL Paris, mas não representa necessariamente contratos já concluídos. A estimativa inclui oportunidades que podem ser desenvolvidas a partir dos contatos estabelecidos durante o evento e das negociações posteriores.
A presença de 156 empresas, a participação de dez cooperativas da agricultura familiar e a exposição de produtos de diferentes regiões demonstram a abrangência da estratégia comercial brasileira. Os exemplos da Netto Foods e do projeto Brazilian Beef mostram como empresas e associações utilizam feiras internacionais para promover produtos, prospectar clientes e fortalecer relações comerciais.
O resultado efetivo dessa estratégia será determinado pela conversão das negociações em vendas, pela abertura de novos mercados e pela continuidade das parcerias. Para o agronegócio brasileiro, a feira representa uma oportunidade de ampliar a presença internacional tanto de produtos tradicionais de exportação quanto de alimentos processados e itens associados à biodiversidade nacional.
*Com informações da RFI.








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