A taxa de desemprego no Brasil caiu para 5,3% no trimestre encerrado em agosto de 2026, segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), mantendo o mercado de trabalho em um dos níveis mais favoráveis dos últimos anos. Ao mesmo tempo, informações do Banco Central (BC) mostram que a inadimplência média das operações de crédito atingiu 5%, maior nível da série histórica iniciada em 2011. Os indicadores apontam movimentos distintos: emprego e ocupação permanecem elevados, enquanto o crédito apresenta aumento dos atrasos.
A população ocupada chegou a 103,5 milhões de pessoas, segundo o levantamento citado. A taxa de ocupação alcançou 58,9% da população em idade produtiva, enquanto o número de desempregados ficou em aproximadamente 5,8 milhões.
Apesar do resultado positivo no mercado de trabalho, a evolução do emprego apresenta sinais de menor intensidade. A combinação entre juros elevados, crédito mais caro e desaceleração na criação de vagas é apontada na análise como um fator que pode reduzir o ritmo de expansão do consumo das famílias e da atividade econômica.
Mercado de trabalho permanece em nível elevado
O contingente de trabalhadores com carteira assinada chegou a 39,5 milhões, enquanto 13,7 milhões trabalhavam sem carteira assinada e 26,1 milhões atuavam por conta própria. Os números mostram a composição do mercado de trabalho brasileiro no período analisado.
O economista Leonardo Costa, da ASA Investimentos, afirmou que a taxa de desemprego permanece baixa e relativamente estável, mas observou uma redução no ritmo de geração de novas vagas. Para ele, a evolução da massa salarial também deve ser acompanhada para avaliar o comportamento do consumo.
Costa destacou as quedas sistemáticas da massa salarial efetiva como um possível sinal de um ambiente menos favorável ao consumo das famílias nos meses seguintes. A avaliação considera que a desaceleração da geração de empregos pode ocorrer mesmo com a taxa de desemprego permanecendo em níveis baixos.
Segundo os dados apresentados, setores como construção civil e indústria concentraram parte do movimento de ocupação, enquanto outros segmentos permaneceram relativamente estáveis. A distribuição setorial ajuda a explicar por que o resultado agregado do emprego pode continuar positivo mesmo com menor velocidade de expansão.
Inadimplência do crédito atinge maior nível da série histórica
No mercado de crédito, o Banco Central registrou inadimplência média de 5% nas operações de crédito em agosto, o maior percentual desde o início da série histórica, em 2011. O avanço ocorre em um cenário de taxas de juros elevadas e maior custo de financiamento.
Entre as famílias, a inadimplência passou de 5,8% para 6% em agosto, também alcançando recorde na série histórica do Banco Central. O indicador considera operações de crédito em atraso dentro dos critérios utilizados pela autoridade monetária.
Entre as empresas, a taxa permaneceu em 3,3%, segundo os dados apresentados. O percentual corresponde ao maior nível registrado desde 2017, indicando que o aumento dos atrasos também alcança o segmento empresarial.
Juros elevados afetam consumo e investimento
A desaceleração da economia já era considerada pelo mercado como consequência esperada de uma política monetária restritiva. A manutenção de juros elevados encarece o crédito para famílias e empresas e pode reduzir a disposição para consumir, financiar bens e realizar investimentos.
Ao mesmo tempo, a política monetária busca conter pressões inflacionárias por meio da redução da demanda. Dessa forma, o efeito dos juros sobre a economia ocorre em sentidos diferentes: contribui para controlar a inflação, mas pode diminuir o ritmo de consumo e investimento.
O cenário descrito pelos indicadores combina mercado de trabalho ainda aquecido com sinais de perda de velocidade da atividade econômica. A permanência do desemprego em patamar baixo não elimina os efeitos que a redução do ritmo de contratação pode produzir sobre renda, consumo e crescimento.
Ocupação mantém patamar elevado
O número de 103,5 milhões de pessoas ocupadas representa o principal indicador de sustentação do mercado de trabalho no período. A taxa de ocupação de 58,9% também permanece em nível elevado, acompanhada por redução do contingente de pessoas sem trabalho.
A estrutura da ocupação, entretanto, apresenta diferenças entre trabalhadores formais, informais e autônomos. Os 39,5 milhões de empregados com carteira assinada constituem o maior grupo entre os números destacados, enquanto os trabalhadores sem carteira e por conta própria representam parcela relevante da força de trabalho.
A combinação desses indicadores mostra que a situação do emprego não acompanha exatamente a trajetória observada no crédito. Enquanto a ocupação permanece elevada e o desemprego recua, a inadimplência aumenta, sinalizando dificuldades na capacidade de pagamento de parte dos tomadores de crédito.
Contas públicas registram déficit em agosto
Além dos dados de emprego e crédito, as contas públicas registraram resultado negativo em agosto. O Tesouro Nacional apresentou déficit primário de R$ 13,58 bilhões no mês.
O resultado, contudo, representou melhora em comparação com o déficit de R$ 16,2 bilhões registrado em agosto de 2025. Segundo os dados apresentados, o desempenho também correspondeu ao melhor resultado para um mês de agosto desde 2021.
O resultado fiscal integra o conjunto de indicadores que ajudam a acompanhar a trajetória da economia brasileira. A análise conjunta de emprego, crédito, consumo e contas públicas permite observar diferentes dimensões da atividade econômica, que podem apresentar movimentos distintos em um mesmo período.
Indicadores mostram cenários diferentes
Os dados do IBGE e do Banco Central apresentam um cenário marcado pela manutenção de níveis elevados de emprego e pelo aumento da inadimplência. A taxa de desemprego de 5,3% e o recorde de 103,5 milhões de ocupados indicam força do mercado de trabalho, enquanto o recorde de inadimplência revela maior pressão sobre os pagamentos de operações de crédito.
Para Leonardo Costa, da ASA Investimentos, a desaceleração na criação de vagas e o comportamento da massa salarial devem ser observados nos próximos meses. A avaliação considera que esses fatores podem influenciar a capacidade de consumo das famílias.
No crédito, a combinação de juros elevados, maior custo de financiamento e aumento da inadimplência constitui um dos principais pontos de atenção para a atividade econômica. Entre as famílias, o indicador chegou a 6%; entre empresas, permaneceu em 3,3%.
Perspectivas dependem da evolução do emprego e do crédito
A evolução dos indicadores nos próximos meses dependerá do comportamento da ocupação, da renda, das condições de crédito, da inflação e das taxas de juros. Uma desaceleração mais intensa na geração de empregos poderia reduzir o crescimento da massa salarial e afetar o consumo.
Por outro lado, a permanência de uma taxa de desemprego próxima de 5,3% e de um contingente ocupado superior a 103 milhões de pessoas mantém o mercado de trabalho em patamar elevado.
O conjunto dos dados indica, portanto, uma economia com mercado de trabalho ainda sustentado, mas com sinais de menor ritmo de expansão e aumento da inadimplência. O acompanhamento desses indicadores será relevante para avaliar a trajetória do consumo, do crédito e da atividade econômica brasileira nos próximos meses.
*Com informações da Sputnik News.








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