Espetáculo “Mariar – Um Mar de Poesias” realiza quatro apresentações gratuitas em quilombos do Recôncavo Baiano

O espetáculo “Mariar – Um Mar de Poesias” realiza quatro apresentações gratuitas entre sexta-feira e domingo (16 a 18/10/2026) em comunidades quilombolas do Recôncavo Baiano. A programação contempla o Quilombo Dom João, Santiago do Iguape, Quilombo São Brás e Ilha do Paty, com atividades que integram contação de histórias, poesia, música e oficinas de musicalização e pandeiro.

Criada e apresentada por Emillie Lapa e Natalyne Santos, a montagem aborda a memória, a ancestralidade e as experiências de mulheres negras marisqueiras do Recôncavo. A proposta articula elementos da cultura afro-brasileira e da tradição oral para tratar de infância, pertencimento e das relações entre as comunidades tradicionais e os territórios ligados às águas.

Além das apresentações, o projeto promove a oficina Panderês, realizada após cada sessão. A atividade utiliza o pandeiro, o corpo e a experimentação rítmica para aproximar crianças, jovens e demais participantes de expressões musicais da cultura popular brasileira.

Todas as atividades contarão com intérpretes de Língua Brasileira de Sinais (Libras), incluindo as apresentações teatrais e as oficinas. A medida busca ampliar a acessibilidade e favorecer a participação do público surdo nas ações culturais.

Programação percorre quatro comunidades quilombolas

A circulação começa na sexta-feira (16/10/2026), no Quilombo Dom João, com apresentação marcada para as 15h. A atividade abre a programação de encontros entre as artistas e as comunidades tradicionais do Recôncavo Baiano.

No sábado (17/10/2026), serão realizadas duas apresentações. A primeira ocorrerá às 10h30, no Instituto Mãe Lalu, em Santiago do Iguape. À tarde, às 15h, o espetáculo será apresentado na Escola Ana Judite, no Quilombo São Brás.

A programação será encerrada no domingo (18/10/2026), às 10h, na Associação Beneficente dos Moradores do Paty (ABMP), na Ilha do Paty. Em todas as localidades, a oficina Panderês será realizada após a apresentação do espetáculo.

Oficina Panderês integra música, corpo e cultura popular

A oficina Panderês é um desdobramento artístico da proposta de “Mariar – Um Mar de Poesias”. A atividade convida os participantes a experimentar ritmos afro-brasileiros por meio do pandeiro, da percussão corporal e da prática musical coletiva.

A iniciativa amplia o alcance das apresentações ao incluir uma experiência participativa na programação. Em vez de se limitar à observação do espetáculo, o público é convidado a explorar elementos rítmicos e formas de expressão presentes na cultura popular.

A realização das oficinas após cada sessão também cria oportunidades de interação entre as artistas e os moradores das comunidades visitadas. A proposta aproxima a produção cultural dos espaços comunitários e educacionais que recebem a circulação.

Oralidade e ancestralidade orientam a narrativa do espetáculo

A obra tem como referência as histórias e os saberes de mulheres negras marisqueiras do Recôncavo Baiano. Por meio da poesia, da musicalidade e da contação de histórias, a montagem relaciona experiências individuais e coletivas à memória das comunidades e à transmissão de conhecimentos entre gerações.

A narrativa apresenta as águas como elemento associado à vida, ao território e à ancestralidade. Essa abordagem dialoga com as experiências de comunidades cuja identidade cultural está ligada aos ambientes naturais, às práticas tradicionais e às relações construídas ao longo do tempo.

Voltado especialmente ao público infantojuvenil, o espetáculo utiliza uma linguagem artística que aproxima crianças e jovens dessas referências culturais. A proposta também busca valorizar a oralidade como forma de preservação de histórias e conhecimentos que integram a memória coletiva.

Circulação amplia acesso à cultura em territórios tradicionais

A realização das apresentações em espaços comunitários e educacionais leva a programação cultural diretamente às localidades participantes. O formato favorece o encontro entre artistas e moradores e reconhece os territórios quilombolas como espaços de produção, preservação e transmissão de conhecimentos culturais.

A presença de intérpretes de Libras nas apresentações e nas oficinas integra a organização das atividades. A acessibilidade contempla tanto o contato com a narrativa teatral quanto a participação nas experiências de musicalização.

Ao percorrer as quatro localidades, “Mariar – Um Mar de Poesias” articula arte, educação, memória e cultura afro-brasileira. A circulação também cria oportunidades para que crianças, jovens e famílias participem de atividades gratuitas relacionadas à contação de histórias e à música.

Projeto recebe apoio da Política Nacional Aldir Blanc

A circulação foi contemplada em editais da Política Nacional Aldir Blanc de Fomento à Cultura na Bahia. O projeto é realizado com recursos do Governo Federal, repassados por meio do Ministério da Cultura, e executados pelo Governo do Estado da Bahia, por intermédio da Secretaria de Cultura do Estado.

A política de fomento integra os mecanismos públicos de apoio à produção cultural e à realização de projetos artísticos. No caso de “Mariar – Um Mar de Poesias”, o financiamento viabiliza a circulação pelas comunidades quilombolas e a realização das atividades complementares.

Com quatro apresentações gratuitas entre 16 e 18 de outubro, o projeto reúne contação de histórias, oficinas de pandeiro e recursos de acessibilidade em uma programação voltada à valorização da memória, da ancestralidade e das expressões culturais do Recôncavo Baiano.


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