A experiência desenvolvida pelo Condomínio Busca Vida (CBV) na recuperação e no manejo da Lagoa Busca Vida foi apresentada como referência para a discussão de estratégias aplicáveis a outros ecossistemas lagunares do Litoral Norte da Bahia. O tema foi debatido durante a V Reunião Ordinária do Conselho Gestor da Área de Proteção Ambiental (APA) Joanes-Ipitanga, realizada no Hotel Bahia Plaza, em Busca Vida.
O encontro reuniu cerca de 50 pessoas, entre integrantes do Conselho Gestor, convidados, especialistas e representantes de instituições ligadas às questões ambientais. Participaram representantes de oito municípios, em uma agenda voltada ao intercâmbio de informações científicas, conhecimento técnico e experiências acumuladas nas intervenções realizadas na Lagoa Busca Vida.
A discussão abordou a preservação, recuperação e manejo de ambientes lagunares, além da possibilidade de utilização dos conhecimentos obtidos em Busca Vida para subsidiar uma futura atualização do plano de manejo e iniciativas semelhantes em outros pontos da região costeira.
Estudos científicos orientam discussão sobre a Lagoa Busca Vida
Um dos principais momentos da programação foi a apresentação do professor Doriedson Gomes, da Universidade Federal da Bahia (UFBA), especialista em limnologia, área dedicada ao estudo dos ambientes aquáticos continentais. O pesquisador apresentou estudos relacionados à biota da Lagoa Busca Vida, contribuindo para a análise das características e dos processos observados no ecossistema.
A programação também incluiu a apresentação dos antecedentes socioambientais da lagoa e dos desafios relacionados ao manejo. O conteúdo foi apresentado pelo Mestre Bhava, integrante da Comissão Ambiental do Condomínio Busca Vida, que abordou o histórico das ações realizadas no local e a possibilidade de compartilhar o conhecimento acumulado.
Segundo Bhava, o trabalho desenvolvido na área foi acompanhado por órgãos ambientais e passou a contribuir para as discussões relacionadas à atualização do plano de manejo. A proposta apresentada não prevê a adoção automática das mesmas técnicas em diferentes lagoas, uma vez que cada ecossistema possui características próprias e requer estudos específicos.
Técnicas de manejo são apresentadas durante reunião
O engenheiro civil Gilberto Campos, da COSEMA, empresa responsável por parte das intervenções realizadas na Lagoa Busca Vida, apresentou técnicas utilizadas no local e procedimentos relacionados à retirada do excesso de matéria orgânica e de vegetação aquática.
A discussão destacou a necessidade de integrar conhecimento científico, acompanhamento ambiental e experiência prática na definição das intervenções. Os estudos limnológicos permitem analisar as condições do ecossistema, enquanto o histórico das ações realizadas na lagoa reúne informações sobre procedimentos adotados e desafios identificados durante o manejo.
Nesse contexto, a experiência de Busca Vida foi apresentada como fonte de informações técnicas e aprendizados que podem subsidiar estudos em outros ambientes, sem estabelecer um modelo único de intervenção. A definição das medidas aplicáveis a cada lagoa depende das características ambientais e dos estudos correspondentes.
Visita técnica leva participantes às áreas da lagoa
Após as apresentações e os debates, os participantes realizaram uma visita técnica à Lagoa Busca Vida. O roteiro passou por áreas próximas à Gleba 29, à Via Tamanduá Bandeira e à Fonte dos Padres.
A atividade permitiu que integrantes do Conselho Gestor e especialistas observassem diretamente diferentes pontos do ecossistema e relacionassem as informações apresentadas durante a reunião às condições verificadas em campo.
Para o síndico-administrador do CBV, Marcelo Dourado, a atividade também permitiu ampliar a discussão sobre a utilização do conhecimento acumulado na lagoa. Segundo ele, a proposta envolve transformar a experiência obtida em Busca Vida em informações que possam subsidiar ações de conservação de outros ambientes aquáticos do Litoral Norte.
Lagoa está inserida na APA Joanes-Ipitanga
A Lagoa Busca Vida integra a Área de Proteção Ambiental (APA) Joanes-Ipitanga, unidade de conservação que abrange áreas do território do Litoral Norte da Bahia. A preservação do ecossistema está relacionada à biodiversidade, à dinâmica hídrica e à manutenção de habitats para diferentes espécies.
Ao longo dos anos, o Condomínio Busca Vida, por meio de sua Comissão Ambiental, acompanhou as condições da lagoa e promoveu estudos e ações de recuperação. Entre as intervenções citadas estão a retirada de volumes de matéria orgânica e de vegetação aquática em excesso.
Também foram realizadas ações em áreas associadas ao sistema hídrico, incluindo a Fonte dos Padres. O conjunto de informações acumuladas durante essas iniciativas foi incorporado à discussão do Conselho Gestor como subsídio para o debate sobre manejo e conservação ambiental.
A reunião, portanto, articulou ciência, experiência técnica, órgãos ambientais e participação institucional em torno da Lagoa Busca Vida e da possibilidade de ampliar o conhecimento sobre o manejo de ambientes lagunares do Litoral Norte. A eventual aplicação das experiências em outras áreas deverá considerar as condições específicas de cada ecossistema e os respectivos estudos ambientais.








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