Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) aprovou o reconhecimento de novos bens culturais brasileiros durante a 114ª Reunião do Conselho Consultivo do Patrimônio Cultural, realizada no dia 22 de setembro de 2026, conforme as informações divulgadas sobre a reunião. As decisões contemplam manifestações religiosas e culturais, edificações históricas e espaços de memória ligados à trajetória das comunidades afro-brasileiras e do movimento operário.
Entre os bens reconhecidos estão o Cortejo da Cavalaria de São Gonçalo e São Benedito, realizado em Guaratinguetá (SP), e a Capela do Cristo Operário, localizada na capital paulista. O Conselho também aprovou o tombamento do Quilombo Ferreira Diniz, no Rio de Janeiro (RJ), e a revalidação dos registros do Fandango Caiçara e da Festa do Pau da Bandeira de Santo Antônio, em Barbalha (CE).
As decisões integram as políticas de preservação do patrimônio cultural brasileiro, que abrangem tanto bens materiais, como edificações e sítios históricos, quanto bens imateriais, representados por celebrações, práticas e conhecimentos transmitidos entre gerações. Os instrumentos de proteção buscam reconhecer a relevância histórica e cultural desses bens e estabelecer medidas para sua salvaguarda.
Quilombo Ferreira Diniz é reconhecido como patrimônio histórico
Localizado no bairro da Glória, na cidade do Rio de Janeiro, o Quilombo Ferreira Diniz teve seu tombamento declarado pelo Conselho Consultivo do Patrimônio Cultural. Conforme as informações divulgadas pelo Iphan, trata-se do primeiro quilombo do estado a receber tombamento pelo Instituto, no contexto da proteção prevista pela Portaria nº 135/2023.
O reconhecimento formaliza a inscrição do local no Livro do Tombo de Documentos e Sítios Detentores de Reminiscências Históricas de Antigos Quilombos, instrumento destinado à proteção de lugares associados à presença e à trajetória das comunidades quilombolas no Brasil.
Além de sua dimensão territorial, o Quilombo Ferreira Diniz representa um espaço de memória coletiva, convivência comunitária e transmissão de conhecimentos. Sua preservação está relacionada à história da resistência da população negra e à afirmação da identidade afro-brasileira, contribuindo para o reconhecimento da participação dessas comunidades na formação histórica do país.
Cortejo da Cavalaria preserva tradições religiosas e rurais
O Cortejo da Cavalaria de São Gonçalo e São Benedito, realizado em Guaratinguetá, no interior de São Paulo, teve aprovado seu registro como patrimônio cultural imaterial. A celebração ocorre anualmente no Domingo de Páscoa e reúne cerca de dois mil cavaleiros pelas ruas do município.
A manifestação articula duas tradições históricas: o tropeirismo, atividade de transporte de mercadorias por tropas de animais que marcou a vida rural do Vale do Paraíba, e a devoção afro-católica. A combinação dessas referências contribuiu para a formação da identidade cultural associada ao cortejo.
Com o registro, a celebração será inscrita no Livro de Registro das Celebrações do Iphan. O instrumento reconhece a relevância da prática cultural e contribui para sua continuidade, considerando os conhecimentos, as formas de organização e os significados religiosos e sociais transmitidos entre gerações.
Capela do Cristo Operário tem tombamento aprovado
O Conselho Consultivo também aprovou o tombamento da Capela do Cristo Operário, situada em São Paulo (SP). A edificação é remanescente da antiga Fábrica Unilabor e está associada à história social e industrial da capital paulista, especialmente às experiências relacionadas ao movimento operário entre as décadas de 1930 e 1950.
A capela será inscrita no Livro do Tombo Histórico e no Livro do Tombo das Belas Artes. A dupla inscrição reconhece aspectos relacionados à trajetória histórica do imóvel e à sua dimensão artística e arquitetônica.
A preservação da edificação contribui para documentar as relações entre religião, trabalho e organização social no contexto industrial paulistano. O tombamento também estabelece um instrumento de proteção para a conservação das características que fundamentam seu reconhecimento como patrimônio cultural.
Iphan revalida registros de manifestações tradicionais
Além das novas decisões de registro e tombamento, o Conselho Consultivo aprovou a revalidação dos registros do Fandango Caiçara e da Festa do Pau da Bandeira de Santo Antônio, realizada em Barbalha, no Ceará.
A revalidação integra os mecanismos de acompanhamento dos bens culturais imateriais reconhecidos pelo Iphan. O procedimento permite avaliar a continuidade das práticas, sua relevância para as comunidades envolvidas e a necessidade de medidas de salvaguarda.
O Fandango Caiçara está relacionado às tradições musicais, coreográficas e festivas de comunidades caiçaras. Já a Festa do Pau da Bandeira de Santo Antônio reúne práticas religiosas e manifestações populares em Barbalha, integrando o calendário cultural do município cearense.
Conselho Consultivo dá continuidade à análise de bens culturais
A 114ª Reunião do Conselho Consultivo do Patrimônio Cultural prossegue na quarta-feira (23/09/2026), com a apreciação de novos processos relacionados à proteção e à salvaguarda do patrimônio cultural brasileiro.
O Conselho participa das deliberações sobre o reconhecimento e a proteção de bens culturais submetidos à avaliação do Iphan. As decisões abrangem diferentes expressões da memória nacional, incluindo lugares históricos, edificações, celebrações e manifestações tradicionais.
Com os reconhecimentos aprovados, o Instituto amplia o conjunto de bens protegidos por instrumentos de preservação cultural. As medidas envolvem a conservação de referências materiais e imateriais ligadas à história brasileira, à diversidade cultural e às experiências de diferentes grupos sociais.








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