A investigação foi conduzida pelo Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), do MPRJ, e apura práticas de ameaças, extorsões e restrições à concorrência no comércio de botijões de gás. Segundo a denúncia, os investigados teriam imposto condições comerciais a comerciantes locais, com o objetivo de direcionar a venda do produto e assegurar pagamentos periódicos à organização criminosa.
Além do bloqueio financeiro, foram cumpridos mandados de prisão preventiva e de busca e apreensão por equipes da Delegacia de Defesa dMPRJ denunciou 12 integrantes da facção por suspeita de extorsão contra comerciantes e controle da distribuição de botijões em comunidades do Rio de Janeiro e da região metropolitana.os Serviços Delegados (DDSD). Entre os denunciados está Edgar Alves de Andrade, conhecido como “Doca”, apontado pelas autoridades como uma das principais lideranças do Comando Vermelho no Rio de Janeiro e responsável por ações da facção no Complexo do Alemão.
Investigação aponta extorsão e controle da distribuição de gás
As apurações começaram após o proprietário de um depósito de gás da comunidade Vai Quem Quer, em Duque de Caxias, denunciar à polícia que recebia ameaças de morte e de sequestro. A partir desse relato, os investigadores identificaram indícios de um sistema de pressão contra comerciantes que atuavam na distribuição e na revenda do produto.
De acordo com o MPRJ, os comerciantes eram obrigados a comprar gás exclusivamente de uma distribuidora indicada pelo grupo criminoso ou a pagar taxas mensais ao tráfico de drogas para manter os estabelecimentos em funcionamento. As medidas teriam sido utilizadas para restringir a atuação de concorrentes e controlar o mercado local.
A denúncia descreve uma estrutura organizada, com divisão de funções entre os participantes e comunicação permanente. Conforme a investigação, o funcionamento desse sistema permitia estabelecer fornecedores, impor condições de comercialização e obter recursos financeiros por meio da exploração econômica dos estabelecimentos.
Esquema teria atuado em quatro municípios e na capital
Segundo os investigadores, as práticas ocorreram entre 2024 e 2025, abrangendo comunidades de Duque de Caxias, São Gonçalo, Niterói e da cidade do Rio de Janeiro. A apuração aponta que a atuação do grupo não se limitava à cobrança de valores dos comerciantes, mas também alcançava os consumidores que dependiam desses estabelecimentos para comprar gás de cozinha.
Conforme a denúncia, moradores eram obrigados a adquirir botijões apenas nos pontos de venda indicados pelos integrantes da organização criminosa. Em determinadas situações, os produtos eram comercializados por preços elevados, segundo o relato das autoridades responsáveis pela investigação.
O mecanismo investigado teria reduzido as alternativas disponíveis aos consumidores e favorecido os interesses econômicos do grupo. As ameaças e cobranças, de acordo com o Ministério Público, buscavam eliminar a concorrência, impor condições comerciais favoráveis aos investigados e garantir pagamentos regulares à facção.
Bloqueio de R$ 327 milhões busca atingir recursos do esquema
O bloqueio de mais de R$ 327 milhões foi autorizado pela 2ª Vara Criminal Especializada da Capital e alcança recursos associados aos denunciados e a empresas que, segundo a investigação, teriam sido utilizadas nas atividades ilícitas. A medida integra as providências judiciais destinadas a restringir a movimentação de valores relacionados ao esquema apurado.
A atuação conjunta do Ministério Público e da polícia envolve medidas patrimoniais e diligências criminais, incluindo mandados de prisão preventiva e de busca e apreensão. O objetivo é avançar na apuração da estrutura do grupo e reunir elementos sobre a participação dos investigados e o funcionamento das operações comerciais suspeitas.
As acusações ainda dependem de apreciação judicial. A denúncia formaliza a imputação apresentada pelo Ministério Público, mas não representa, por si só, uma condenação definitiva dos envolvidos. A responsabilização criminal dependerá da análise das provas e das decisões judiciais ao longo do processo.
O caso também expõe os efeitos que o controle territorial exercido por organizações criminosas pode produzir sobre atividades econômicas essenciais, como a distribuição de gás de cozinha. Segundo a investigação, a imposição de fornecedores e a cobrança de taxas teriam restringido a liberdade comercial dos comerciantes e as opções de compra dos moradores das comunidades afetadas.








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