As dificuldades enfrentadas por pacientes que aguardam transferência pela Central de Regulação e os problemas apontados na atenção básica de saúde foram debatidos na Câmara Municipal de Feira de Santana durante a sessão ordinária de quarta-feira (07/10/2026). O vereador Silvio Dias (PT) relacionou a demora nas transferências à insuficiência de vagas hospitalares e apontou dificuldades na assistência básica do município. O líder do Governo na Casa, Zé Carneiro (União Brasil), reconheceu a existência de problemas na regulação, mas direcionou parte das cobranças ao Governo do Estado.
Silvio Dias afirmou que a Central de Regulação é um mecanismo previsto em lei e defendeu que o debate público deve buscar as causas que levam pacientes a permanecerem aguardando transferência. Segundo o vereador, a permanência dos pacientes na espera estaria relacionada, entre outros fatores, à disponibilidade de vagas nos hospitais.
O parlamentar mencionou ainda a ampliação da estrutura hospitalar em Feira de Santana e em outros municípios baianos nos últimos anos. Apesar disso, avaliou que a oferta de vagas hospitalares ainda precisa ser ampliada para atender à demanda existente e reduzir o tempo de espera por transferências.
Atenção básica entra no debate sobre a saúde
Além da regulação, Silvio Dias apontou problemas na atenção básica de Feira de Santana. O vereador citou especificamente o acompanhamento de pessoas com hipertensão e diabetes, argumentando que a insuficiência de profissionais e de insumos pode contribuir para o agravamento de condições de saúde que exigem acompanhamento contínuo.
Entre os pontos apresentados, o vereador afirmou que o município não teria agentes comunitários de saúde em quantidade suficiente. Na avaliação apresentada durante a sessão, a atuação desses profissionais é parte do acompanhamento realizado nas comunidades e pode contribuir para o atendimento preventivo e o monitoramento de pacientes.
Silvio Dias também mencionou reclamações relacionadas ao fornecimento de medicamentos para hipertensão e fitas para medição de glicemia nos postos de saúde. As afirmações foram apresentadas como parte do debate sobre a estrutura da atenção básica e sua relação com a demanda posteriormente encaminhada aos serviços de maior complexidade.
Zé Carneiro cobra atuação do Governo do Estado
Em contraponto às críticas, Zé Carneiro, líder do Governo na Câmara, afirmou que o debate sobre a saúde pública deve priorizar a busca por soluções. O vereador reconheceu a existência de dificuldades relacionadas à regulação, mas defendeu que sejam discutidas com os responsáveis pela gestão do sistema.
O parlamentar direcionou a cobrança ao Governo do Estado, especialmente em relação aos problemas enfrentados por pacientes que aguardam transferência. Segundo Zé Carneiro, é necessário discutir a situação com o secretariado estadual e adotar medidas para reduzir as dificuldades relacionadas à regulação na Bahia.
Ao defender a administração municipal, Zé Carneiro também citou a trajetória política do prefeito José Ronaldo de Carvalho. O vereador afirmou que críticas à gestão são legítimas quando apresentadas de forma responsável e sustentou que a oposição deve exercer o papel de fiscalização e contribuir para a identificação de problemas.
Debate sobre medicamentos divide avaliação dos vereadores
Zé Carneiro contestou especificamente as afirmações sobre a existência de falta de medicamentos para hipertensão na rede municipal. O líder governista pediu cautela na apresentação de denúncias relacionadas ao abastecimento dos postos de saúde e classificou como injusta a afirmação de que estaria faltando medicamento para pressão.
A divergência entre os vereadores evidencia dois eixos principais do debate realizado na Câmara: de um lado, Silvio Dias aponta deficiências na atenção básica, falta de profissionais e possíveis problemas no fornecimento de insumos; de outro, Zé Carneiro defende a administração municipal e cobra providências do Governo do Estado na regulação.
A discussão também relaciona a capacidade da atenção básica com a demanda por atendimento hospitalar. Para os parlamentares, a análise do sistema de saúde envolve desde o acompanhamento de pacientes nas unidades básicas até a disponibilidade de vagas para aqueles que necessitam de transferência.
Câmara debate responsabilidades na rede de saúde
O debate realizado na sessão de quarta-feira (07/10/2026) colocou em discussão a divisão de responsabilidades entre Município e Estado na prestação dos serviços de saúde. A Central de Regulação e a disponibilidade de vagas hospitalares foram apontadas como questões que ultrapassam a atuação exclusiva da administração municipal.
Ao mesmo tempo, as manifestações sobre agentes comunitários de saúde, medicamentos para hipertensão e fitas para medição de glicemia direcionaram a discussão para serviços sob responsabilidade da rede municipal de atenção básica. A controvérsia sobre esses itens deverá ser considerada no contexto da fiscalização exercida pela Câmara.
O debate terminou sem consenso entre os vereadores sobre as causas dos problemas relatados. As manifestações, contudo, concentraram-se na necessidade de melhorar o funcionamento da regulação, ampliar a capacidade de atendimento hospitalar, fortalecer a atenção básica e assegurar o abastecimento dos insumos necessários aos pacientes.








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