A homenagem foi proposta pelo senador Dr. Hiran (PP-RR), por meio do requerimento RQS 897/2025. Durante a sessão, parlamentares e representantes de entidades médicas defenderam medidas para conciliar a ampliação do número de profissionais com a qualificação da formação e a oferta de atendimento adequado à população.
O debate também abordou propostas em análise no Congresso Nacional, entre elas a criação de um piso salarial nacional para médicos, a realização de exames para recém-formados e o aumento das bolsas de residência médica. Os participantes apontaram a necessidade de políticas públicas que considerem tanto a valorização dos profissionais quanto a segurança dos pacientes.
Senadores destacam condições de trabalho e acesso à saúde
Ao abrir a solenidade, Dr. Hiran afirmou que a medicina exige conhecimento científico, sensibilidade e compromisso com a vida. O senador também criticou as jornadas exaustivas, a remuneração que considera inadequada e a falta de estrutura em unidades de saúde.
Em sua manifestação, o parlamentar ressaltou a dimensão humana do atendimento médico e a responsabilidade dos profissionais diante de pacientes e familiares. A fala relacionou a qualidade da assistência às condições oferecidas aos trabalhadores da saúde e à estrutura disponível nos serviços.
A senadora Tereza Cristina (PP-MS) lembrou a atuação dos médicos durante a pandemia de covid-19 e destacou a importância desses profissionais em regiões com menor acesso à assistência. Ela também mencionou propostas legislativas voltadas à remuneração e à formação médica, defendendo a continuidade de políticas destinadas à qualificação dos serviços.
Brasil tem cerca de 635,7 mil médicos em atividade
Durante a sessão, Tereza Cristina citou dados do estudo Demografia Médica no Brasil 2025, segundo o qual o país contava com aproximadamente 635,7 mil médicos em atividade, o equivalente a uma média de 2,98 profissionais por mil habitantes.
O levantamento também aponta uma mudança no perfil da categoria: as mulheres representam 50,9% dos médicos brasileiros, tornando-se maioria na profissão pela primeira vez, conforme os números apresentados pela senadora.
A média nacional, entretanto, não elimina as diferenças regionais na distribuição dos profissionais. A concentração de médicos em determinados centros urbanos e a menor disponibilidade em localidades afastadas permanecem entre os desafios discutidos durante a homenagem. O tema envolve a organização da rede assistencial, a oferta de vagas de formação e residência e as condições para fixar profissionais em regiões com menor cobertura.
Qualidade da formação médica entra no debate
A deputada federal Bia Kicis (PL-DF), eleita senadora, defendeu maior rigor na formação médica. Segundo ela, o crescimento do número de profissionais precisa ser acompanhado por investimentos na qualidade do ensino e na estrutura dos serviços de saúde.
A parlamentar argumentou que ampliar a oferta de médicos é importante, mas não substitui a necessidade de garantir preparo técnico e condições adequadas para o exercício da profissão. A discussão sobre a expansão das escolas médicas e a avaliação dos recém-formados foi apresentada como parte desse desafio.
O presidente do Conselho Federal de Medicina (CFM), José Hiran Gallo, associou a valorização profissional à proteção dos pacientes. Para ele, assegurar condições dignas de trabalho e exigir qualidade na formação são medidas relacionadas à segurança e à qualidade da assistência prestada à população.
Entidades médicas alertam para precarização do trabalho
O presidente da Associação Médica Brasileira na região Centro-Oeste, Etelvino Trindade, destacou as responsabilidades inerentes ao exercício da medicina. Em sua manifestação, afirmou que a profissão exige dedicação e compromisso que ultrapassam a rotina convencional de trabalho.
Já o presidente da Federação Nacional dos Médicos, Geraldo Ferreira, chamou a atenção para a precarização das relações de trabalho e para a redução da remuneração dos profissionais em um contexto de aumento dos custos da assistência à saúde. Ele questionou se as mudanças no setor ampliam efetivamente o acesso da população ou se apenas reduzem o custo do trabalho médico.
O presidente da Federação Médica Brasileira, Fernando Mendonça, também defendeu atenção à qualidade da formação. Ele afirmou que a expansão das escolas médicas não deve comprometer o preparo dos profissionais nem a capacidade de atendimento dos serviços de saúde.
Piso salarial e residência médica entre as propostas citadas
A criação de um piso salarial nacional para médicos esteve entre as medidas mencionadas durante a sessão. A proposta integra o debate sobre remuneração e condições de exercício profissional, em um cenário no qual entidades médicas apontam diferenças de contratação e dificuldades relacionadas à estrutura de trabalho.
Outro tema foi a possibilidade de exames para médicos recém-formados. A discussão está relacionada à avaliação dos conhecimentos necessários para o exercício da profissão e à garantia de padrões de qualidade na formação. A adoção de mecanismos desse tipo, contudo, depende das propostas legislativas e das regras que venham a ser estabelecidas.
O aumento das bolsas de residência médica também foi citado como uma medida para apoiar a formação especializada. A residência constitui uma etapa de treinamento profissional supervisionado, e a ampliação de vagas e recursos é parte das discussões sobre a disponibilidade de especialistas e a organização da assistência.
Homenagem reúne representantes de diferentes instituições
A sessão especial contou ainda com manifestações de profissionais da medicina eleitos deputados federais para a legislatura que começa em 2027. Participaram também representantes da Associação Nacional de Médicos Residentes, da Associação dos Estudantes de Medicina do Brasil, do Conselho Brasileiro de Oftalmologia e da Escola Superior de Ciências da Saúde.
A diversidade de participantes ampliou o debate para diferentes etapas da trajetória profissional, desde a formação universitária e a residência até as condições de trabalho e a atuação das entidades de representação médica.
O Dia do Médico é celebrado em 18 de outubro, em referência a São Lucas, considerado padroeiro da medicina. No Brasil, a data é lembrada desde 1961, conforme as informações apresentadas na solenidade.
As manifestações no Senado indicaram que a valorização da medicina envolve questões interligadas: formação qualificada, remuneração, condições de trabalho, distribuição regional dos profissionais e qualidade do atendimento. As propostas citadas durante a sessão permanecem sujeitas à tramitação legislativa e à definição das medidas necessárias para sua implementação.
*Com informações da Agência Senado.








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