O tarifaço imposto pelos Estados Unidos aos produtos brasileiros afetou as exportações de 1.135 municípios entre agosto de 2025 e julho de 2026, com prejuízos estimados em R$ 66,8 bilhões para as economias locais, segundo levantamento divulgado pela Confederação Nacional de Municípios (CNM). O estudo aponta que o período registrou o menor nível de exportações brasileiras para o mercado norte-americano desde 2021.
Os efeitos foram distribuídos entre diferentes cadeias produtivas, com destaque para petróleo, café, suco de laranja, ferro-gusa e silvicultura. Conforme a entidade, a redução das vendas externas comprometeu receitas de municípios que dependiam do mercado dos Estados Unidos para comercializar parte de sua produção.
O levantamento também identificou dificuldades para substituir os compradores norte-americanos por outros parceiros comerciais. Entre as localidades afetadas, 271 municípios deixaram de exportar para os Estados Unidos, enquanto outros 864 registraram redução média de 30% no valor das vendas destinadas ao país.
Tarifaço dos EUA interrompe exportações de 271 municípios
Segundo a CNM, antes do anúncio das tarifas norte-americanas, os 271 municípios que posteriormente zeraram suas vendas para os Estados Unidos registravam receitas de R$ 588 milhões com exportações para aquele mercado. A interrupção das operações representa uma mudança na relação comercial dessas localidades com o principal destino de suas vendas afetadas.
Outros 864 municípios mantiveram exportações, mas enfrentaram retração no valor comercializado. A queda média de 30% indica que a continuidade das operações não foi suficiente para preservar os níveis anteriores de receita.
O estudo aponta ainda que 657 municípios, equivalentes a 58% do total afetado, não conseguiram compensar as perdas com os compradores norte-americanos por meio de outros mercados. De acordo com a entidade, os efeitos foram mais severos, principalmente, em municípios de pequeno porte, que encontram maiores dificuldades para substituir parceiros comerciais e redirecionar a produção.
Petróleo, café e suco de laranja estão entre os setores mais afetados
As cinco cadeias produtivas com maiores impactos acumulados — petróleo, café, suco de laranja, ferro-gusa e silvicultura — registraram perdas que somam US$ 1 bilhão, conforme o levantamento da CNM.
No setor petrolífero, a redução das receitas foi acompanhada por uma queda de 28% no volume exportado. O resultado indica retração tanto na comercialização quanto no desempenho das vendas externas do segmento durante o período analisado.
O café também apresentou redução significativa nas quantidades embarcadas. Segundo os dados divulgados, o volume exportado caiu 43% entre agosto de 2025 e julho de 2026, refletindo a diminuição das vendas destinadas ao mercado norte-americano no intervalo considerado.
Suco de laranja registra queda no preço médio
As exportações de suco de laranja apresentaram uma dinâmica diferente da observada no petróleo e no café. Embora a quantidade exportada tenha crescido 13,6%, o preço médio do produto registrou redução de 33,7% no período analisado.
A combinação entre aumento do volume comercializado e diminuição do preço médio evidencia que a quantidade exportada, isoladamente, não determina o valor obtido com as vendas internacionais. A retração dos preços pode reduzir a receita mesmo quando há crescimento dos embarques.
As cadeias do ferro-gusa e da silvicultura também registraram quedas nas quantidades comercializadas e nos preços médios. Segundo a CNM, os cinco segmentos concentram parte relevante dos impactos identificados no levantamento sobre o comércio brasileiro com os Estados Unidos.
Municípios enfrentam dificuldades para substituir o mercado norte-americano
A capacidade de encontrar compradores alternativos é um dos fatores que influenciam a extensão dos efeitos econômicos do tarifaço. De acordo com a CNM, a maioria dos municípios afetados não conseguiu compensar integralmente as perdas com novos destinos comerciais.
A situação é particularmente relevante para cidades de pequeno porte, nas quais determinadas cadeias produtivas podem representar uma parcela importante da atividade econômica local. A dificuldade para redirecionar mercadorias pode repercutir sobre empresas exportadoras, fornecedores, trabalhadores e receitas municipais.
O levantamento não indica apenas uma redução das vendas para os Estados Unidos, mas também evidencia a desigualdade na capacidade de adaptação entre os municípios. Enquanto algumas localidades conseguem buscar outros compradores, outras permanecem mais expostas às mudanças nas condições de acesso ao mercado norte-americano.
CNM defende diversificação comercial para reduzir riscos
O presidente da Confederação Nacional de Municípios, Paulo Ziulkoski, afirmou que os efeitos das barreiras comerciais podem se prolongar e comprometer a arrecadação municipal e a manutenção dos empregos.
Para o dirigente, a dependência de um único comprador amplia a exposição das economias locais a mudanças nas políticas comerciais e a tensões internacionais. Como alternativa, ele defende o fortalecimento da diversificação produtiva e comercial, tanto no mercado interno quanto nas relações com novos parceiros internacionais.
Ziulkoski também destacou que o protecionismo, as barreiras sanitárias e as tensões geopolíticas podem produzir efeitos duradouros sobre as economias municipais. Na avaliação da entidade, ampliar os destinos das exportações pode contribuir para reduzir a vulnerabilidade das localidades às oscilações do comércio exterior.
Impactos do tarifaço sobre a economia municipal
Os dados da CNM indicam que o tarifaço norte-americano afetou diferentes setores e localidades brasileiras, com consequências para as receitas das exportações e para a capacidade de manutenção das atividades econômicas.
Os principais números do levantamento são:
- 1.135 municípios tiveram exportações afetadas entre agosto de 2025 e julho de 2026.
- R$ 66,8 bilhões em prejuízos estimados para as economias locais.
- 271 municípios zeraram as vendas para os Estados Unidos.
- 864 municípios registraram queda média de 30% no valor exportado.
- 657 municípios, ou 58% do total afetado, não compensaram as perdas com outros parceiros comerciais.
- US$ 1 bilhão em perdas acumuladas nas cinco cadeias produtivas mais afetadas.
- Até 43% de redução no volume exportado de café e queda de 28% no volume de petróleo.
Os indicadores reforçam a importância da diversificação dos destinos comerciais e da capacidade de adaptação das economias locais. A CNM defende que a ampliação das parcerias internacionais e o fortalecimento do mercado interno podem ajudar a reduzir a exposição dos municípios a medidas protecionistas e mudanças nas condições do comércio global.
Embora o levantamento dimensione os impactos atribuídos ao tarifaço, a extensão dos efeitos futuros dependerá da evolução das relações comerciais entre Brasil e Estados Unidos, das condições de acesso a outros mercados e da capacidade dos produtores de reorganizar suas vendas.








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