Urna eletrônica completa 30 anos no Brasil com redução de 13,5 mil toneladas de papel e reciclagem de até 98% dos materiais

A urna eletrônica completa 30 anos de utilização no Brasil em 2026, período em que transformou o processo de votação e apuração dos resultados eleitorais e passou a incorporar medidas voltadas à sustentabilidade. Pioneiro na adoção da tecnologia em larga escala, o país substituiu progressivamente as cédulas de papel por equipamentos eletrônicos, reduziu o tempo de totalização dos votos e desenvolveu procedimentos para reaproveitar os materiais utilizados na fabricação das urnas.

Segundo estimativa do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), a substituição das cédulas entregues aos eleitores evitou o consumo de aproximadamente 13,5 mil toneladas de papel ao longo de três décadas. Atualmente, os contratos de descarte dos equipamentos exigem o reaproveitamento de pelo menos 95% dos materiais, percentual que chegou a 98% nos procedimentos mais recentes.

A evolução do sistema também envolve alterações no projeto dos equipamentos, com o objetivo de facilitar a reciclagem, prolongar a vida útil das urnas e reduzir a utilização de recursos naturais. Paralelamente, a Justiça Eleitoral passou a considerar os efeitos de eventos climáticos extremos sobre a logística das eleições, com a criação de uma estrutura de monitoramento para o pleito de 2026.

Implantação da urna eletrônica mudou a votação no Brasil

Antes da adoção da urna eletrônica, os eleitores brasileiros registravam seus votos em cédulas de papel, depositadas em urnas físicas. A contagem era realizada manualmente e, em cidades maiores, a apuração podia levar de sete a 15 dias, exigindo mobilização prolongada de trabalhadores e estruturas de apoio.

Em 1994, a totalização dos resultados eleitorais já era informatizada, mas o registro dos votos continuava sendo feito em papel. A mudança ocorreu dois anos depois, quando a urna eletrônica foi utilizada pela primeira vez em larga escala, alcançando aproximadamente um terço do eleitorado brasileiro.

A expansão prosseguiu em 1998, quando o TSE ampliou a utilização dos equipamentos. Em 2000, o Brasil realizou sua primeira eleição totalmente informatizada, consolidando a substituição das cédulas de papel pelo voto eletrônico em todo o país.

Redução do consumo de papel e da pegada ambiental

A diminuição do uso de papel está entre os principais efeitos ambientais associados à informatização das eleições. A estimativa de 13,5 mil toneladas apresentada pelo TSE considera as cédulas que eram entregues aos eleitores, mas não representa, isoladamente, o impacto ambiental total da mudança tecnológica.

O secretário de Tecnologia da Informação do TSE, Júlio Valente, explicou que a rapidez da apuração também contribuiu para reduzir os recursos necessários à realização das eleições. Com a diminuição do tempo de contagem, tornou-se possível reduzir a duração das operações e a permanência de equipes e estruturas mobilizadas para essa finalidade.

Segundo Valente, a redução da pegada ambiental decorre, em parte, da maior eficiência do processo eleitoral. A análise, entretanto, precisa considerar o ciclo de vida completo dos equipamentos, incluindo a extração de matérias-primas, a fabricação, o transporte, o consumo de energia durante o funcionamento e a destinação final das urnas.

A avaliação ambiental, portanto, não se limita à economia de papel. O aproveitamento dos componentes após o encerramento da vida útil dos equipamentos e as melhorias implementadas em sua fabricação também integram as medidas adotadas para reduzir os impactos da tecnologia eleitoral.

Reciclagem das urnas eletrônicas chega a 98%

Uma urna eletrônica pode participar de seis ou sete eleições, o que corresponde a uma vida útil aproximada de 12 a 15 anos. O período de utilização depende das condições de funcionamento, da ocorrência de falhas e da necessidade de manter os requisitos de confiabilidade do sistema eleitoral.

De acordo com Júlio Valente, os equipamentos que permanecem em boas condições podem continuar sendo utilizados em diferentes pleitos. A substituição ocorre quando a urna deixa de atender aos critérios necessários para continuar em operação.

Quando um equipamento é considerado impróprio para uso, ele passa por um procedimento de descarte ambientalmente adequado. As urnas são encaminhadas a empresas especializadas, desmontadas e descaracterizadas, e seus componentes são separados conforme o tipo de material para posterior processamento e reaproveitamento industrial.

A contratação dessas empresas é realizada por meio de leilões da Justiça Eleitoral. Os contratos estabelecem que pelo menos 95% dos materiais sejam reciclados, exigência que orienta a destinação dos equipamentos ao final de sua vida útil.

Nos procedimentos mais recentes, o índice de reciclagem chegou a 98% dos materiais das urnas descartadas, segundo o secretário. A parcela restante, estimada entre 2% e 5%, é destinada a aterros sanitários certificados, conforme os procedimentos aplicáveis.

O reaproveitamento permite que materiais provenientes dos equipamentos retornem à cadeia produtiva, diminuindo a necessidade de extração de novos recursos naturais e a demanda por matérias-primas para a fabricação de produtos industriais.

Mudanças no projeto facilitam o reaproveitamento dos materiais

A preocupação com a destinação final dos equipamentos também levou a Justiça Eleitoral a modificar componentes e processos de fabricação. Nas primeiras versões das urnas, lançadas em 1996 e 1998, determinadas combinações de materiais dificultavam a separação dos componentes e reduziam o valor comercial dos resíduos recicláveis.

Uma das alterações envolveu a identificação visual do equipamento. Inicialmente, o nome da Justiça Eleitoral era aplicado por meio de um adesivo plástico, que precisava ser separado dos demais materiais durante o processo de reciclagem.

O adesivo foi substituído por uma inscrição em alto-relevo no próprio equipamento. A mudança eliminou a necessidade de utilizar aquele componente adicional e facilitou o processamento do material ao final da vida útil da urna.

Outra modificação ocorreu nas teclas numéricas. Nas primeiras versões, os números brancos eram produzidos com um tipo de plástico diferente daquele utilizado na base preta das teclas. Essa composição dificultava o reaproveitamento, pois exigia a separação de materiais de naturezas distintas.

Com a revisão do projeto, passaram a ser utilizados materiais da mesma natureza na fabricação das teclas. Segundo Valente, as aquisições de novos equipamentos incorporam melhorias destinadas a ampliar o percentual de componentes recicláveis e tornar a destinação final mais eficiente.

TSE monitora riscos climáticos para as eleições de 2026

Além das medidas relacionadas à fabricação e ao descarte, a Justiça Eleitoral precisa preparar a logística das votações para situações provocadas por eventos climáticos extremos. Secas, enchentes e outras ocorrências podem comprometer estradas, dificultar o transporte dos equipamentos e impedir o acesso de eleitores e equipes aos locais de votação.

Para acompanhar esses riscos nas eleições de 2026, o TSE criou a Sala Nacional de Situação Climática, destinada a monitorar as condições ambientais, identificar possíveis dificuldades operacionais e recomendar planos de contingência.

A iniciativa busca antecipar problemas que possam afetar a distribuição das urnas e a realização do pleito. O acompanhamento das condições climáticas permite avaliar riscos com antecedência e preparar alternativas logísticas para regiões potencialmente afetadas.

Segundo Valente, as urnas são projetadas para funcionar em diferentes condições ambientais e passam por testes laboratoriais durante a fabricação. Entre os procedimentos estão mil ciclos de variação de temperatura, entre -20 °C e 85 °C, destinados a avaliar o comportamento dos equipamentos diante de mudanças térmicas.

A resistência dos dispositivos, entretanto, não elimina os riscos associados às condições de transporte e acesso aos locais de votação. Por isso, o monitoramento climático e o planejamento de contingências permanecem necessários para assegurar a distribuição dos equipamentos e a continuidade das operações eleitorais.

Três décadas de evolução tecnológica e ambiental

Ao completar 30 anos de utilização, a urna eletrônica reúne mudanças relacionadas à velocidade da apuração, à redução do consumo de papel, à durabilidade dos equipamentos e ao reaproveitamento de materiais. A expansão iniciada em 1996 culminou, em 2000, na adoção do voto eletrônico em todas as seções eleitorais do país.

Os números apresentados pelo TSE indicam dois resultados centrais dessa trajetória: a estimativa de 13,5 mil toneladas de papel que deixaram de ser utilizadas e os índices de reciclagem que alcançaram até 98% nos procedimentos recentes de descarte.

As alterações no desenho dos equipamentos e a incorporação de critérios ambientais às aquisições também demonstram a ampliação das medidas de sustentabilidade para além do momento da votação. Ao mesmo tempo, a preparação para eventos climáticos extremos acrescenta uma dimensão logística ao planejamento eleitoral.

A experiência acumulada desde 1996 mostra que a evolução do sistema envolve tanto a eficiência da votação quanto a gestão dos recursos empregados em todo o ciclo de vida dos equipamentos. Para as eleições de 2026, o desafio inclui manter a confiabilidade do processo, ampliar o reaproveitamento de materiais e preparar a infraestrutura eleitoral para condições ambientais adversas.

*Com informações da Agência Senado.


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