O Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) e a Petrobras vão destinar aproximadamente R$ 10 milhões em recursos não reembolsáveis para fortalecer a agricultura familiar no semiárido da Bahia. O investimento integra o programa Sertão + Produtivo e deverá beneficiar diretamente 720 agricultores familiares vinculados a 27 cooperativas e associações, distribuídas por 26 municípios baianos.
A iniciativa será executada pela União das Cooperativas da Agricultura Familiar e Economia Solidária do Estado da Bahia (Unicafes Bahia), com prazo de implementação de 36 meses. O projeto prevê ações de apoio à produção agroecológica, assistência técnica, capacitação, beneficiamento e comercialização de produtos agrícolas.
Entre as metas estão a implantação de 240 sistemas produtivos agroecológicos, a estruturação ou melhoria de 11 unidades de beneficiamento, a criação de 12 feiras agroecológicas ou orgânicas e a realização de 180 oficinas de capacitação. Também estão previstas 7.200 visitas técnicas e 900 reuniões de assistência técnica e extensão rural (ATER).
Investimento busca ampliar produção e renda da agricultura familiar
O projeto pretende fortalecer diferentes etapas da cadeia produtiva, desde o cultivo até a comercialização. A proposta inclui investimentos em infraestrutura, qualificação dos agricultores e desenvolvimento de estratégias para ampliar a presença dos empreendimentos coletivos nos mercados consumidores.
Uma das prioridades é facilitar o acesso às compras institucionais, especialmente por meio do Programa Nacional de Alimentação Escolar (PNAE) e do Programa de Aquisição de Alimentos (PAA). A iniciativa também pretende ampliar as oportunidades de comercialização no mercado privado.
A presidente da Petrobras, Magda Chambriard, afirmou que o programa está relacionado à atuação socioambiental da companhia e à promoção do desenvolvimento econômico em regiões com indicadores de vulnerabilidade socioeconômica.
Segundo a dirigente, o projeto busca ampliar a capacidade produtiva, facilitar o acesso a novos mercados, contribuir para a geração de emprego e renda e atuar na redução da insegurança alimentar.
A diretora Socioambiental do BNDES, Tereza Campello, explicou que o apoio contempla diferentes etapas da atividade agrícola. De acordo com ela, o objetivo é fortalecer cooperativas e associações, ampliar a renda dos produtores e criar condições para o acesso permanente a mercados.
Mulheres, jovens e comunidades quilombolas estão entre os beneficiários
Dos 720 agricultores familiares diretamente beneficiados, 504 são mulheres, 504 são jovens e 45 são quilombolas. Os grupos podem se sobrepor, ou seja, uma mesma pessoa pode estar incluída em mais de uma dessas categorias.
O projeto prevê ações voltadas à autonomia econômica das mulheres, à permanência dos jovens no campo e à valorização dos conhecimentos e práticas produtivas das comunidades tradicionais. Também está prevista a formalização de quatro novos empreendimentos coletivos, formados a partir de grupos de agricultores atualmente vinculados às organizações participantes.
A superintendente da Área de Gestão Pública e Desenvolvimento Social do BNDES, Ana Cristina Costa, destacou a integração entre inclusão produtiva, agricultura familiar e adaptação às condições ambientais do semiárido.
Segundo a representante do banco, a iniciativa combina apoio à produção, organização coletiva, beneficiamento e acesso a mercados, com atenção à participação de mulheres, jovens e comunidades tradicionais.
Projeto prevê 240 sistemas produtivos agroecológicos
Os 240 sistemas produtivos serão implantados nas propriedades dos agricultores familiares e também deverão funcionar como unidades de referência para disseminar técnicas de produção adaptadas às condições ambientais da região.
A distribuição prevista contempla quatro modalidades:
- 40 quintais produtivos, com canteiros econômicos e galinheiros;
- 40 sistemas de Produção Agroecológica Integrada e Sustentável (PAIS);
- 40 quintais produtivos associados a tecnologias de armazenamento de água;
- 120 sistemas agroecológicos destinados à produção de ovos caipiras.
A implantação dessas estruturas pretende diversificar a produção, estimular práticas agroecológicas e ampliar as possibilidades de geração de renda nas propriedades familiares.
Unidades de beneficiamento e feiras ampliam canais de comercialização
Além do apoio direto à produção, o projeto prevê a implantação ou melhoria de 11 unidades de beneficiamento, distribuídas entre três minicentrais de abastecimento, quatro fábricas de ração e quatro entrepostos de ovos.
Com a inclusão de uma minicentral já existente, serão disponibilizadas 12 unidades para atender aos 27 empreendimentos coletivos e aos 720 agricultores familiares.
Outra frente contempla a estruturação de 12 feiras semanais agroecológicas ou orgânicas. Os espaços deverão ampliar a venda direta entre produtores e consumidores, reduzindo a dependência de intermediários e criando novas possibilidades de comercialização.
A estruturação dessas unidades também busca agregar valor aos produtos, melhorar as condições de armazenamento e processamento e fortalecer a organização dos empreendimentos coletivos.
Assistência técnica prevê capacitação e acesso ao crédito
Os agricultores receberão acompanhamento técnico e participarão de atividades de capacitação relacionadas à produção agroecológica e orgânica, planejamento agrícola, beneficiamento e agregação de valor aos produtos.
Também estão previstas orientações sobre estratégias de comercialização, participação em feiras, compras institucionais, ferramentas digitais, crédito e financiamento. A proposta inclui facilitar o acesso a políticas públicas e linhas de financiamento, entre elas o Programa Nacional de Fortalecimento da Agricultura Familiar (Pronaf).
O projeto estabelece como referência uma elevação de 50% da renda média mensal por pessoa beneficiada. A meta está relacionada à ampliação da produção, ao aumento das vendas e à diversificação dos canais de comercialização.
Na área de emprego, a previsão é gerar 103 postos de trabalho durante a implantação, dos quais 47 deverão permanecer após a conclusão do projeto. A iniciativa também busca ampliar a adoção de tecnologias produtivas e melhorar a gestão administrativa e financeira das organizações participantes.
Cinco territórios de identidade receberão os investimentos
A execução do Sertão + Produtivo na Bahia abrangerá cinco Territórios de Identidade: Bacia do Jacuípe, Piemonte do Paraguaçu, Portal do Sertão, Sertão Produtivo e Sudoeste Baiano.
Os 26 municípios contemplados são:
- Anagé;
- Anguera;
- Barra do Choça;
- Caculé;
- Caetité;
- Candiba;
- Condeúba;
- Encruzilhada;
- Feira de Santana;
- Iaçu;
- Ibiassucê;
- Ipirá;
- Irará;
- Jacaraci;
- Licínio de Almeida;
- Nova Fátima;
- Pé de Serra;
- Pintadas;
- Poções;
- Presidente Jânio Quadros;
- Riachão do Jacuípe;
- Santa Bárbara;
- Santanópolis;
- Várzea da Roça;
- Guajerú;
- Planalto.
Entre os municípios participantes, Pintadas, Guajerú, Jacaraci, Ibiassucê, Presidente Jânio Quadros e Condeúba foram classificados como prioritários pelo BNDES no edital. A seleção considerou indicadores relacionados à presença da agricultura familiar, às compras públicas e à disponibilidade de tecnologias sociais de acesso à água.
Semiárido concentra parcela expressiva da população e da agricultura familiar baiana
O semiárido da Bahia reúne 287 municípios distribuídos em 22 Territórios de Identidade. A região corresponde a 85,6% do território estadual e concentra 53,1% da população baiana.
A agricultura familiar representa 78,24% dos estabelecimentos rurais da região, conforme os dados apresentados na descrição do projeto. Essa participação demonstra a importância da atividade para a organização econômica e produtiva do território.
Nesse contexto, os investimentos do Sertão + Produtivo buscam ampliar a capacidade de produção e comercialização dos agricultores, além de fortalecer organizações coletivas que atuam em diferentes cadeias produtivas.
A combinação de infraestrutura, assistência técnica e acesso a mercados constitui a estratégia apresentada pelo BNDES e pela Petrobras para ampliar as oportunidades econômicas no semiárido.
Sertão + Produtivo prevê até R$ 100 milhões em investimentos
O Sertão + Produtivo é uma iniciativa conjunta do BNDES e da Petrobras destinada ao fortalecimento de cooperativas e associações da agricultura familiar no Semiárido brasileiro.
O programa prevê até R$ 100 milhões em recursos não reembolsáveis, divididos igualmente entre as duas instituições. Os recursos são destinados a projetos de produção agroecológica, assistência técnica, melhoria da gestão, beneficiamento e ampliação do acesso aos mercados.
Para organizar a seleção das iniciativas, o edital dividiu o semiárido brasileiro em dez territórios denominados Regiões BNDES. Cada proposta deveria indicar a região de atuação e os municípios contemplados.
O projeto executado pela Unicafes Bahia representa a sexta operação aprovada no âmbito do Sertão + Produtivo.
Com prazo de 36 meses, a iniciativa na Bahia deverá combinar investimentos produtivos, capacitação e estruturação comercial para atender agricultores familiares de 26 municípios. A expectativa é ampliar a renda dos beneficiários, fortalecer cooperativas e associações e aumentar a participação da produção familiar nos mercados institucionais e privados.








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