Tricampeões chegam à Argentina, paralisam Buenos Aires e rejeitam uso político do título

A seleção tricampeã já está em solo argentino com a taça conquistada no Catar, depois de 36 anos. Milhares de torcedores inflamados rodearam o aeroporto internacional de Buenos Aires, no município de Ezeiza, a 40 Km da Capital, desde a tarde de segunda-feira, mesmo cientes de que a seleção só chegaria depois das 2 da manhã desta terça-feira (20/12/2022).

Ao longo de todo o dia, a viagem foi acompanhada por torcedores e pelos meios de comunicação ao vivo, através de aplicativos de rastreamento. A aterrissagem deflagrou uma comoção incontrolável, expressada em pulos, cantos, cornetas e buzinas. Os jogadores foram recebidos com tapete vermelho. O mais aguardado, o capitão Lionel Messi, cuida da taça como um tesouro nacional.

A chegada dos tricampeões, depois de 20 horas de voo, paralisou Buenos Aires. Para percorrer os apenas 6 Km entre o aeroporto e as instalações da Associação do Futebol Argentino, o ônibus aberto demorou duas horas, até as quatro e meia da manhã, tamanha a quantidade de gente.

Messimania

Os fanáticos da Messimania agora pressionam para que o ídolo continue na seleção e, quem sabe, mude de ideia e jogue mais uma Copa do Mundo.

“É uma loucura ver a Argentina campeã. Ainda não caiu a ficha. É como se Maradona transferisse o seu manto sagrado a Messi. Do céu, Maradona foi parte dessa conquista, tenho certeza”, indica à RFI Leandro Caligaris, de 33 anos, olhando para o céu em busca de algum sinal.

“Tenho o sonho de que Messi jogue mais um mundial, por uma sexta vez, e que seja o jogador com mais Copas da história”, diz o torcedor.

“Sei que ele anunciou que o jogo da Final contra a França seria o seu último, mas depois ele disse que poderia continuar por mais algumas partidas. Agora virá a ‘operação clamor Fica Messi’. Que, sabe esta comoção nacional o leve a rever essa decisão”, espera.

A partir do meio-dia, os jogadores desfilarão pelas principais avenidas de Buenos Aires, tendo como ponto principal a 9 de Julho, a mais larga e tradicional avenida da Argentina, ponto de encontro das comemorações do futebol e onde, no domingo da vitória, mais de um milhão de pessoas se concentraram, tornando esse festejo a maior manifestação popular da história do país. Muitos passaram a noite no local para garantir o melhor lugar quando o ônibus passar.

O trajeto total de mais de 100 Km pode bater um novo recorde de público ainda mais depois de o governo argentino decretar feriado nacional, uma decisão que provocou polêmica e que não será acatada por 8 das 24 províncias argentinas.

Convite presidencial rejeitado

O presidente Alberto Fernández convidou os jogadores à Casa Rosada, mas, no que seria a primeira vez na história argentina, os campeões rejeitaram o convite, pois não querem o uso político da conquista.

O torcedor Luís Percul, de 58 anos, aprova que nessas manifestações populares não haja bandeiras políticas nem polarização.

“É uma grande alegria, um grande momento para uma Argentina tão abalada, com tantos problemas”, observa Percul. “Estamos todos festejando, sem bandeiras políticas”, acrescenta.

O governo argentino decretou feriado nacional para que o povo acompanhe o desfile dos campeões num trajeto que deve durar até a noite. Para justificar a folga, o governo argumentou que “a conquista do título é um merecido prêmio para os integrantes da Seleção Argentina devido ao seu espírito de luta, esforço, união, perseverança, trabalho em equipe e compromisso, constituindo um exemplo inquestionável para todo o povo argentino, demonstrando que, com sólidos ideais, sempre unidos, os objetivos propostos podem ser atingidos”, diz o decreto.

“Com a finalidade de que o povo argentino possa festejar em paz e em união, compartilhando a alegria com os nossos jogadores, torna-se propício declarar feriado nacional”, conclui o texto.

“A demagogia transforma a virtude em decadência e distorce a boa fé e a alegria do povo, tentando manipular os valores essenciais. A seleção nos encheu de felicidade para a qual trabalhou com firmeza para conseguir os seus objetivos. Não é razoável que, só porque a equipe chegou à Argentina, o país deixe de produzir”, questionou o governador da província de Mendoza, Rodolfo Suárez.

*Com informações da RFI.


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