Talibã executa mais de 100 pessoas por “delitos de roubos e relações fora do casamento”

Um grupo de 10 especialistas em direitos humanos da ONU pediu ao Afeganistão que acabe com uma série de açoitamentos e execuções, retomados no país. Desde meados de novembro, mais de 100 pessoas foram alvo da prática após serem acusadas de vários delitos.

As autoridades de facto do Afeganistão puniram homens e mulheres em quatro províncias e na capital Cabul.

Maioria das punições por relações fora do casamento contra mulheres

Cada um recebeu de 20 a 100 chibatadas após serem acusados de furto ou roubo, comportamento social inadequado e de manter relações fora do casamento. E nesse caso, a maioria das punições foi contra meninas e mulheres.

No comunicado, os relatores de direitos humanos da ONU* lembram que os açoitamentos ocorreram em estádios na presença de funcionários afegãos e do público.

Em 7 de dezembro, o Talibã executou um homem na cidade de Farah, no que parece ser a primeira aplicação da pena de morte desde agosto de 2021. E nesse episódio, estavam presentes o vice-primeiro-ministro do país e o chefe da Justiça afegã.

“Crimes contra Deus”

As sentenças de morte e açoitamentos começaram após o Líder Supremo do Afeganistão autorizar o Judiciário a implementar punições pelos chamados crimes contra Deus, conhecidos como hudod.

Os relatores da ONU lembraram que açoitamentos e execuções públicas violam os princípios universais que proíbem tortura, castigos e tratamento degradante, cruel e desumano.

O Afeganistão firmou a Convenção Internacional sobre os Direitos Políticos e Civis e participa da Convenção sobre Tortura.

Julgamentos justos e moratória da pena de morte

No comunicado, o grupo também levanta dúvidas sobre a justiça dos julgamentos que antecederam as sentenças.

A lei internacional de direitos humanos proíbe a implementação dessas medidas cruéis especialmente da pena de morte como resultado de julgamentos que, aparentemente, não ofereceram as garantias de um processo justo.

Os relatores da ONU pediram às autoridades de facto do Afeganistão que estabeleçam, de imediato, uma moratória da pena de morte, proíbam açoitamentos e outras formas de punição física e que garantam julgamentos juntos com base em padrões internacionais.

*Com informações da ONU News.


Descubra mais sobre Jornal Grande Bahia (JGB)

Assine para receber nossas notícias mais recentes por e-mail.


Avatar de Redação do Jornal Grande Bahia

Valorize o jornalismo crítico, plural, rigoroso e comprometido com a verdade factual, a democracia, o Estado de Direito e o interesse público. Escolha o Jornal Grande Bahia (JGB) como fonte preferida no Google: clique aqui.

Sua confiança também fortalece nosso trabalho: avalie o JGB

Selecione o JGB e receba nossas notícias com mais destaque.


Banner de Carlos Augusto, diretor do Jornal Grande Bahia.
O Jornal Grande Bahia completa 19 anos de atuação contínua no ambiente digital, consolidando-se como referência do jornalismo independente na Bahia. Fundado em 2007, o veículo construiu uma trajetória marcada por rigor editorial, pluralidade temática e compromisso com a informação pública, aliando tradição jornalística, inovação tecnológica e participação qualificada no debate democrático.
Banner da Jads Foto.
Banner de Lula Fotografia.
Banner da RFI.
Banner com tema Assine o JGB no Google.