Após Covid-19, OMS diz que China deve fornecer mais informações sobre doença

Após uma reunião sobre o avanço dos casos de Covid-19 na China, o Grupo Consultivo Técnico sobre Evolução de Vírus aconselhou a Organização Mundial da Saúde, OMS, sobre a necessidade de mudança nas estratégias de saúde pública.

Os cientistas destacam a necessidade crítica e a importância de análises adicionais, bem como o compartilhamento de dados de sequenciamento para entender a evolução do vírus e o surgimento de mutações ou variantes preocupantes.

Avaliação global

O diretor de emergências da OMS, Mike Ryan, falou a jornalistas nesta quarta-feira e destacou que ainda há lacunas nos dados recebidos das autoridades chinesas.

Para ele, as informações atuais publicadas pela China não representam o verdadeiro impacto da doença nas internações hospitalares e em UTI, bem como no número de mortes.

Segundo Mike Ryan, a agência de saúde ONU deve se encontrar novamente com cientistas chineses, nesta quinta-feira, como parte de uma sessão mais ampla entre os Estados-membros sobre a situação global do Covid-19.

Avaliação dos técnicos

O grupo consultivo recomenda a manutenção de altos níveis de vigilância genômica na China e no mundo, anotando sequências genômicas com metadados, ou dados sobre os dados, clínicos e epidemiológicos relevantes e compartilhar rapidamente são os pilares da avaliação de risco global oportuna.

Nesse 30 de dezembro, a OMS anunciou que especialistas chineses foram convidados para apresentar dados detalhados sobre o sequenciamento genético. Na ocasião, a agência de saúde da ONU ainda pediu o compartilhamento regular de dados específicos e em tempo real sobre a situação epidemiológica.

A OMS também solicitou mais dados sobre o impacto da doença, incluindo hospitalizações, internações e mortes em unidades de terapia intensiva e dados sobre vacinações entregues e situação vacinal, especialmente em pessoas vulneráveis e com mais de 60 anos.

Casos de Ômicron

Durante a reunião desta semana, cientistas do Centro de Controle e Prevenção de Doenças da China apresentaram dados genômicos do que eles descreveram como casos importados e adquiridos localmente de infecções por coronavírus.

Para infecções adquiridas localmente, os números foram baseados em mais de 2 mil genomas coletados e sequenciados a partir de 1º de dezembro de 2022.

A análise da autoridade de saúde chinesa mostrou uma predominância das linhagens Ômicron BA.5.2 e BF.7. Esses vírus juntos representaram 97,5% de todas as infecções locais de acordo com o sequenciamento genômico.

Algumas outras sublinhagens Ômicron conhecidas também foram detectadas, embora em baixas porcentagens. Essas variantes são conhecidas e circulam em outros países e, no momento, nenhuma nova variante foi relatada pela China.

Genomas de viajantes da China

Até 3 de janeiro, 773 sequências da China continental foram submetidas ao banco de dados Gisaid EpiCoV, iniciativa que promove o rápido compartilhamento de informações de todos os vírus influenza e do coronavírus. A maioria foi coletada após 1º de dezembro de 2022.

Entre os 564 sequenciamentos, apenas 95 são rotulados como casos adquiridos localmente, 187 como casos importados e 261 não tem esta informação fornecida.

Dos casos adquiridos localmente, 95% pertencem às linhagens BA.5.2 ou BF.7. Segundo a OMS, os números estão de acordo com os genomas de viajantes da China enviados ao banco de dados por outros países. Também não foi detectada nenhuma nova variante ou mutação.

Vigilância

A OMS continuará monitorando de perto a situação na China e globalmente e pede aos países que permaneçam vigilantes, monitorem e relatem sequências.

A agência de saúde da ONU também recomenda a realização de análises independentes e comparativas das diferentes sublinhagens Ômicron, inclusive na gravidade da doença que causam.

O grupo consultivo está avaliando a proporção crescente de XBB.1.5 nos Estados Unidos e em outros países. Uma avaliação de risco atualizada da linhagem está em andamento.

Os cientistas se reúnem regularmente e avaliam dados disponíveis sobre a transmissibilidade, gravidade clínica e potencial de fuga imune das variantes, incluindo o potencial impacto no diagnóstico, terapêutica e eficácia das vacinas na prevenção de infeções ou doenças graves.

*Com informações da ONU News.


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Carlos Augusto, diretor do Jornal Grande Bahia.
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