Nesta quinta-feira (26/01/2023), o vice-representante permanente da Rússia na Organização para a Segurança e Cooperação na Europa (OSCE), Maksim Buyakevich, disse que a Aliança Atlântica e os Estados Unidos estão perigosamente se aproximando de um conflito em grande escala na Europa.
“A liderança dos Estados Unidos e seus satélites na OTAN se aproximaram de uma linha perigosa. Suas ações deliberadas para escalar o confronto militar na Ucrânia, levando o regime a operações militares contra a população russa usando armas pesadas ocidentais e designação de alvos com base na inteligência da aliança é um caminho direto para um conflito militar em grande escala na Europa, do qual absolutamente todos os habitantes de nosso continente definitivamente perderão tempo”, disse Buyakevich em uma reunião do Conselho Permanente da OSCE.
Os participantes da reunião do último dia 20 na base aérea norte-americana de Ramstein, na Alemanha, tomaram medidas destinadas a “reforçar qualitativamente a escalada militar, aumentando a intensidade das hostilidades”, essas medidas “provavelmente causarão mais baixas civis e destruição adicional em muitos lugares”, acrescentou o diplomata.
Na quarta-feira (25/01/2023), O Governo Biden anunciou o envio de 31 tanques Abrams e Portugal quatro Leopard para Ucrânia. No dia anterior (24), a Alemanha comunicou que enviará 14 blindados Leopard, e hoje (26), o Ministério da Defesa do Canadá, anunciou o encaminhamento de quatro tanques Leopard a Kiev.
Entretanto, o Minstério da Defesa russo já informou que está preparando complexos robóticos Marker para destruir tanques Abrams e Leopard da OTAN, conforme noticiado.
Ucrânia à espera dos tanques
A Ucrânia espera receber os tanques pesados prometidos pela Alemanha e pelos Estados Unidos o mais rápido possível, já que a medida é considerada crucial por Kiev, diante da ofensiva russa. O presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, saudou a decisão dos ocidentais, exigindo, também, mísseis de longo alcance e caças.
Após semanas de hesitação, Washington anunciou o envio de dezenas de tanques Abrams, enquanto o chanceler alemão, Olaf Scholz, prometeu tanques Leopard 2, veículos blindados que Kiev vem pedindo há muito tempo para lidar com o rolo compressor russo. “Esta não é uma ameaça ofensiva contra a Rússia”, esclareceu, no entanto, o presidente dos Estados Unidos, Joe Biden, na quarta-feira.
No prazo imediato, “a chave agora é a velocidade e o volume” das entregas de tanques, disse Zelensky. A entrega desses tanques é “um passo importante para a vitória final”, acrescentou o presidente ucraniano, na noite de quarta-feira, em seu discurso diário. “Hoje o mundo livre está unido como nunca antes com um objetivo comum: a libertação da Ucrânia”, insistiu.
Zelensky ainda instou um representante sênior das Nações Unidas para ajudar a encontrar uma solução contra a deportação forçada para a Rússia de milhares de adultos e crianças, que Kiev denuncia como uma grave consequência da guerra desencadeada por Moscou. “Estes são nossos adultos, estas são nossas crianças. Um mecanismo é necessário para protegê-los e trazê-los de volta”, disse Zelensky. “Eu tenho certeza de que as instituições da ONU podem mostrar sua liderança para resolver esta questão”, completou.
Kiev denuncia deportações em massa de ucranianos para a Rússia, fato que Moscou nega.
Fornecimento de tanques à Ucrânia mostra o quanto o Ocidente está envolvido no conflito, alerto Governo Putin
O porta-voz presidencial russo, Dmitry Peskov, afirmou que o fornecimento de tanques à Ucrânia mostra o quanto os países ocidentais estão envolvidos diretamente no conflito.
“As capitais europeias e Washington declaram frequentemente que o fornecimento de diferentes armas à Ucrânia, incluindo tanques, não significa que estes países ou a aliança estejam envolvidos nas ações militares que ocorrem na Ucrânia. Nós não concordamos com isso de forma nenhuma […] tudo que a aliança e as capitais [europeias] fazem mostra como elas estão envolvidas no conflito, e vemos como isso [o envolvimento] está aumentando”, declarou Peskov.
Peskov também afirmou que o presidente ucraniano, Vladimir Zelensky, há muito que, para Vladimir Putin, deixou de ser um possível oponente em futuras negociações.
“Sabemos com que promessas o senhor Zelesnky foi eleito presidente. Isso certamente não é difícil de lembrar, e recordar àqueles eleitores que votaram nele na Ucrânia. Ele não resolveu o problema de Donbass, não cumpriu com os Acordos de Minsk e, mais do que isso, ele não tencionava cumpri-los, ele estava se preparando para a guerra. Por isso, podemos dizer que ele próprio há muito tempo que deixou de ser um possível oponente do presidente Putin” em futuras negociações, enfatizou Peskov.
Anteriormente, Zelesnky declarou que não estava “interessado” em se encontrar e negociar com o presidente russo Vladimir Putin.
Com estoques ‘vazios’, EUA compram tanques Abrams para enviar à Ucrânia, revela mídia
Após o anúncio sobre o fornecimento de tanques Abrams à Ucrânia, as autoridades norte-americanas firmaram um contrato de compra com as fabricantes, já que os estoques do Pentágono não têm tanques suficientes.
De acordo com o jornal Político, para fornecerem os tanques, os Estados Unidos usarão a Iniciativa de Assistência à Segurança da Ucrânia (USAI, na sigla em inglês).
Um oficial de alto escalão da administração Biden, citado pelo jornal, informou que um dos motivos para o acordo de aquisição é que os estoques do Pentágono já não têm tanques suficientes.
“Vocês viram como fizemos isso antes, se não temos reserva nos EUA, então temos que comprar […] e é isso que os EUA estão fazendo com relação aos Abrams”, afirmou a fonte.
Presidente dos EUA, Joe Biden anunciou na quarta-feira (25) o envio de 31 tanques M1 Abrams à Ucrânia. Segundo ele, as entregas levarão meses para ser concluídas.
Rússia prepara complexos robóticos Marker para destruir tanques Abrams e Leopard da OTAN
A Fundação para Pesquisas Avançadas (FPI, na sigla em russo) e a associação científica e industrial russa Androidnaya Tekhnika estão preparando a versão de combate do robô Marker para destruir os tanques Abrams e Leopard.
A informação foi concedida por Dmitry Rogozin, ex-diretor da agência espacial russa Roscosmos (2018-2022) e dirigente do grupo de conselheiros militares Tsarskie Volki.
Anteriormente, Rogozin informou que serão implantados quatro robôs Marker na área da operação russa, tanto na versão de reconhecimento quanto de combate, que conduzirão missões de combate após aprimorar suas capacidades no polígono.
Rogozin observou que o robô Marker será mais do que capaz de detectar e destruir automaticamente os tanques Abrams, Leopard, bem como outros veículos graças ao seu catálogo eletrônico no sistema de controle com modelos de equipamentos militares dos adversários.
“Conversei novamente com os colegas da Androidnaya Tekhnika e da Fundação para Pesquisas Avançadas. Todos concordaram que nossa versão de ataque do Marker estará pronta até a chegada dos tanques Abrams e Leopard à Ucrânia, para destruí-los juntamente com seus tripulantes”, afirmou.
O módulo de combate do Marker pode contar com complexos de mísseis com grande eficiência de combate contra tanques modernos.
A plataforma robótica Marker potencialmente poderá realizar operações militares a centenas e milhares de quilômetros do operador.
A criação do robô Market é composta por três etapas. No final do projeto serão apresentados cinco veículos, três dos quais em plataforma de esteiras, semelhante à de um tanque, e outros dois sobre rodas.
A quinta plataforma, planejada para ser desenvolvida em um ano, integrará os melhores conhecimentos e experiência nesta área.
A plataforma robotizada experimental Marker foi revelada publicamente pela primeira vez em outubro de 2019, em um campo de testes para conjuntos e sistemas robóticos em Magnitogorsk.
*Com informações da Sputnik Brasil.










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