Filme brasileiro sobre expedição de Bruno Pereira na Amazônia é destaque em dois festivais na França

Diretor Bruno Jorge apresenta o filme documentário 'A invenção do Outro', no Festival de Cinema Latino-Americano de Biarritz. (Foto: Maria Paula Carvalho/ RFI)
Diretor Bruno Jorge apresenta o filme documentário 'A invenção do Outro', no Festival de Cinema Latino-Americano de Biarritz. (Foto: Maria Paula Carvalho/ RFI)

O diretor de cinema brasileiro Bruno Jorge tem motivos para celebrar, pois seu mais recente filme, intitulado “A Invenção do Outro”, está ganhando destaque em festivais na França. O documentário foi escolhido para a sessão de abertura da 19ª edição do Festival Brasil em Movimentos, que teve início nesta quinta-feira (28/09/2023), em Paris. Além disso, o filme está na competição pelo prêmio de melhor documentário no Festival de Cinema Latino-Americano de Biarritz.

Bruno Jorge está atualmente na Europa para apresentar o longa-metragem, que tem 144 minutos de duração e foi filmado na densa floresta Amazônica. O Festival Brasil em Movimentos é um dos principais eventos dedicados exclusivamente a documentários na Europa e foi criado em 2005 pela Associação Autres Brésils. O diretor apresentou o filme ao público em Biarritz na quarta-feira, 27 de setembro, onde o Festival de Cinema América Latina está programado para continuar até sexta-feira, 29 de setembro.

Em uma entrevista realizada no antigo Cassino de Biarritz, Bruno Jorge expressou sua satisfação por apresentar o filme na França, onde parte de sua formação em cinema e artes do espetáculo foi concluída. Ele descreveu Biarritz como a porta de entrada do cinema latino-americano na Europa e destacou o diálogo do filme com temas contemporâneos e sua intemporalidade.

O documentário “A Invenção do Outro” narra uma expedição arriscada realizada pela Fundação Nacional dos Povos Indígenas (Funai) em 2019, em busca de um grupo da etnia Korubos, indígenas isolados e vulneráveis, que estavam tendo seu primeiro contato com pessoas não indígenas. Bruno Jorge, influenciado pela etnografia, antropologia visual e cinema experimental, acompanhou de perto essa missão única, que teve como objetivo estabelecer contato com familiares do mesmo grupo indígena que haviam se perdido. O filme captura momentos de profunda emoção quando os Korubos se reencontram com seus parentes após uma separação prolongada.

A expedição, que durou 32 dias, ocorreu no Vale do Javari, na tríplice fronteira entre o Brasil, a Colômbia e o Peru. Foi uma jornada humanitária que também visava verificar a saúde dos indígenas e ajudá-los a realizar o primeiro contato com não indígenas. O filme oferece uma visão intensa e emocionante desses encontros.

Bruno Pereira, o líder da expedição, seria posteriormente assassinado na mesma região em julho de 2022, tornando-se um símbolo da luta pela preservação dos povos indígenas. O filme, que estava praticamente pronto antes dessa tragédia, foi revisado e dedicado a ele e ao jornalista britânico Dom Phillips, também assassinado na mesma região.

O diretor não tem grandes expectativas quanto a prêmios, mas está feliz por compartilhar essa experiência com o público europeu. O filme ainda será exibido em outros sete festivais de cinema na Europa antes de entrar no circuito comercial de exibição no segundo semestre de 2024.

Recentemente, o Supremo Tribunal Federal (STF) no Brasil declarou inconstitucional a tese do marco temporal, que restringia a demarcação de terras indígenas apenas às áreas ocupadas por indígenas em 1988. Essa decisão foi vista como um marco na proteção dos povos indígenas no Brasil.

Como artista, Bruno Jorge acredita que seu filme contribui trazendo uma experiência única e confrontante com a realidade dos indígenas isolados, e espera que essa experiência possa influenciar positivamente as decisões políticas relacionadas à proteção dos povos indígenas.

*Com informações da RFI.


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