Em um cenário global marcado pela crescente preocupação com as mudanças climáticas e a necessidade urgente de reduzir as emissões de gases do efeito estufa, o mercado de carbono surge como uma ferramenta estratégica para forçar as economias a lidarem com esse desafio ambiental. O dióxido de carbono (CO2) e o metano (CH4) são dois dos principais gases do efeito estufa responsáveis pelo aquecimento global e pelos eventos climáticos extremos, como ondas de calor, chuvas intensas e secas prolongadas.
Essas emissões de gases do efeito estufa têm aumentado desde a Revolução Industrial nos séculos 18 e 19, principalmente devido à queima de combustíveis fósseis. A preocupação com as consequências dessas emissões levou à mobilização de cientistas, sociedades e governos em conferências climáticas ao longo das décadas, culminando no Acordo de Paris em 2015.
No Acordo de Paris, 195 países se comprometeram a limitar o aumento da temperatura global “bem abaixo de 2º C acima dos níveis pré-industriais”. O Brasil também assumiu metas ambiciosas, comprometendo-se a reduzir as emissões de gases do efeito estufa em 43% até 2030 em relação aos níveis de 2005.
Mas como o mercado de carbono se encaixa nesse contexto? O pesquisador Shigueo Watanabe Jr, do Instituto Talanoa, que faz parte do Observatório do Clima, explicou que o mercado de carbono pressiona a indústria a atualizar seus equipamentos, adotando máquinas que emitam menos carbono ou que sejam neutras em emissões. O Instituto Talanoa é especializado em questões de mudanças climáticas.
“O mercado de carbono funciona cobrando pelas emissões de gases, e esse preço aumenta até que as indústrias percebam que estão pagando mais por emissões de carbono do que pagariam por equipamentos mais eficientes”, explicou Watanabe.
O mercado de carbono estabelece cotas para as emissões de gases do efeito estufa, permitindo que empresas que emitiram menos do que o permitido vendam créditos para aquelas que excederam suas metas. Essa venda de créditos de carbono cria um incentivo econômico para as indústrias reduzirem suas emissões.
Existem dois tipos de mercado de carbono: o voluntário, que depende da iniciativa própria das empresas, e o regulado, que é imposto por decisão dos Estados nacionais e geralmente considerado mais eficaz.
Recentemente, a Comissão de Meio Ambiente (CMA) do Senado aprovou um projeto que propõe a criação do mercado de carbono regulado no Brasil, excluindo a agropecuária das regras desse mercado. Isso gerou críticas de ambientalistas, pois a pecuária é responsável por 25% das emissões de gases de efeito estufa, de acordo com um estudo da consultoria legislativa da Câmara dos Deputados.
No entanto, Shigueo Watanabe Jr argumentou que a pecuária e outros setores não estão incluídos nos mercados de carbono já regulamentados em todo o mundo. Ele enfatizou que, no caso da pecuária, a redução significativa das emissões exigiria a diminuição do tamanho do rebanho, o que não é tecnicamente viável.
Quanto à agricultura, Watanabe explicou que o setor emite carbono principalmente devido à aplicação de fertilizantes fósseis e às plantações alagadas de arroz, comuns no Rio Grande do Sul. Ele defendeu a adoção de medidas específicas para transformar essas práticas em vez de incluí-las no mercado de carbono.
Em última análise, o mercado de carbono emerge como uma ferramenta fundamental na busca por reduzir as emissões de gases do efeito estufa e combater as mudanças climáticas, ao criar um incentivo econômico para a indústria adotar tecnologias mais limpas e eficientes.








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