Uma recente pesquisa, aceita para publicação no renomado Journal of Political Economy, trouxe uma reviravolta surpreendente na análise da desigualdade de renda nos Estados Unidos. Contrariando trabalhos anteriores, o estudo documenta que não houve aumento na concentração de renda no 1% mais rico desde os anos 1960 até os dias atuais.
O economista francês Thomas Piketty, famoso por seus estudos sobre desigualdade, e seus colaboradores, têm sustentado a tese de um expressivo aumento na concentração de renda nos últimos 60 anos. No entanto, os autores do novo estudo, Gerald Auten e David Splinter, questionam esses resultados e apresentam uma abordagem metodológica diferenciada.
As mudanças metodológicas propostas por Auten e Splinter abordam a necessidade de utilizar indicadores específicos para estudar a desigualdade no topo da distribuição de renda. Em contraste com os métodos tradicionais, eles enfatizam a importância de analisar a parcela detida pelos 10%, 1%, e até 0,1% mais ricos. Além disso, a pesquisa destaca a relevância de dados da Receita Federal para uma compreensão mais precisa da concentração de renda.
Os resultados surpreendentes indicam que a concentração de renda nos 1% mais ricos teria elevado-se apenas em 0,5 ponto percentual, enquanto estudos anteriores apontavam para um aumento de 5,7 pontos. Auten e Splinter atribuem essa discrepância a ajustes metodológicos, como a consideração do aumento de divórcios, especialmente entre os mais pobres, e a diferenciação no tratamento da renda de fundos de pensão.











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