A Polícia Federal (PF) encontra-se nas fases finais de uma extensa investigação relacionada a fake news e milícias digitais associadas ao bolsonarismo, com o objetivo de indiciar o ex-presidente Jair Bolsonaro por delitos cometidos durante seu mandato. Elementos suficientes para o indiciamento já foram identificados, mas a definição dos crimes será estabelecida após a conclusão de todas as linhas de investigação em andamento.
Os inquéritos abrangem análises minuciosas de materiais apreendidos, delações premiadas e conexões entre tentativas de golpe e milícias digitais. O panorama aponta para crimes como organização criminosa, peculato (desvios de recursos públicos) e atos contra o Estado Democrático de Direito. A PF acredita que esses crimes estão interligados e, por isso, serão concluídos de forma conjunta.
Após o indiciamento, o caso seguirá para o procurador-geral da República, Paulo Gonet, com a expectativa de possíveis denúncias após a saída de Augusto Aras da PGR. Vale ressaltar que Bolsonaro já enfrenta inelegibilidade, mas uma condenação criminal pode resultar em prisão, dependendo da pena imposta.
O ex-presidente Jair Bolsonaro já enfrenta uma inelegibilidade de oito anos, resultante de condenação na esfera eleitoral, o que o impede de participar da próxima eleição presidencial. No entanto, as atuais investigações na esfera criminal podem levar a uma condenação mais severa, possivelmente resultando em prisão, dependendo da gravidade dos delitos.
Os inquéritos sobre fake news e milícias digitais estão direcionados a cinco principais eixos de apuração: ataques virtuais a opositores, ataques às urnas eletrônicas e ao Judiciário, tentativas de golpe de Estado, disseminação de notícias falsas sobre a COVID-19 e uso da estrutura do Estado para obtenção de vantagens indevidas.
Peças-chave nas investigações incluem a análise de materiais apreendidos, como telefones celulares, e a delação premiada do tenente-coronel Mauro Cid, ex-ajudante de ordens da Presidência da República. Cid forneceu informações cruciais sobre a atuação de Bolsonaro em um plano golpista contra o resultado das eleições do ano passado, conectando essa tentativa de golpe às milícias digitais.
O avanço da investigação foi impulsionado pela delação, que revelou detalhes sobre as tratativas de Bolsonaro para a realização de um golpe de Estado após sua derrota nas eleições. O ex-ajudante de ordens também implicou a primeira-dama Michelle e o deputado federal Eduardo Bolsonaro como incitadores de um possível golpe.
Jair Bolsonaro e sua defesa negam veementemente qualquer participação nessas tentativas ou outros crimes, afirmando que o ex-presidente sempre atuou dentro dos limites da Constituição Federal. Quanto à inelegibilidade, o presidente do PL, Valdemar Costa Neto, declarou publicamente que Bolsonaro foi “perseguido” pelo Tribunal Superior Eleitoral.
Até o momento, a defesa de Bolsonaro ainda não se manifestou sobre as recentes informações e o andamento das investigações.
*Com informações da Sputnik News.








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