Em uma entrevista exclusiva ao Estadão, o economista Marcos Lisboa destaca que, apesar das boas notícias colhidas pela economia brasileira em 2023, a situação fiscal do país passou de uma preocupação de médio prazo para um cenário de curto prazo. Lisboa, ex-secretário de Política Econômica e ex-presidente do Insper, salienta que o impulso fiscal robusto em 2023 resultou em desafios significativos para o futuro próximo.
O principal ponto de inquietação apontado por Lisboa é o preenchimento do espaço aberto pela Proposta de Emenda à Constituição (PEC) da Transição com gastos que se tornaram permanentes, como os aumentos salariais. Segundo o economista, a prática recorrente no Brasil é transformar folgas fiscais em despesas permanentes com salários e aposentadorias, dificultando ajustes futuros. A decisão de romper com o teto de gastos também introduziu desafios, pois a reintrodução de indexações nas despesas cria pressões adicionais para o crescimento da despesa em 2024.
Lisboa alerta que a situação se reflete nos Estados e municípios, onde a folga fiscal não se converteu em investimentos significativos, mas sim em aumentos de salários e aposentadorias. Agora, enfrentam dificuldades para arcar com as contas geradas por essas despesas permanentes. As projeções de variação da dívida pública também são motivo de preocupação, com o Brasil destoando de outros países da América Latina.
Na avaliação do economista, a conjuntura política também contribui para a complexidade do cenário, com um governo e um Congresso alinhados em agendas de despesas, resultando em medidas preocupantes, como emendas parlamentares que tornam gastos permanentes. Lisboa destaca a importância de uma abordagem responsável e transitória diante da desaceleração econômica prevista para 2024, questionando se o país optará por enfrentar a dificuldade de forma pragmática ou se recorrerá a hábitos antigos que agravam a situação fiscal.








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