Os corredores do Museu Nacional da Cultura Afro-Brasileira (Muncab), situado no coração do Centro Histórico de Salvador, abrigam, até o próximo dia 3 de março de 2024, uma exposição que tem emocionado e impactado visitantes de diversas partes do país. Intitulada “Um Defeito de Cor”, a mostra, fruto de uma colaboração entre a Prefeitura de Salvador, a Sociedade Amigos da Cultura Afro-Brasileira (Amafro) e a Organização dos Estados Ibero-americanos para a Educação, a Ciência e a Cultura (OEI), retrata de forma singular a rica história da cultura afro-brasileira.
O romance literário homônimo, escrito pela renomada autora mineira Ana Maria Gonçalves e publicado pela primeira vez em 2006, serviu como ponto de partida para a concepção dessa exposição. Ana Maria Gonçalves, ao lado dos curadores Ana Bonan e Marcelo Campos, trouxe à vida não apenas os personagens e eventos do livro, mas também um mergulho profundo na cultura, na luta e na resistência dos povos afro-diaspóricos nas Américas.
Com cerca de 370 obras de mais de 100 artistas brasileiros e internacionais, a exposição está dividida em dez núcleos, cada um inspirado em um dos dez capítulos do livro. Desde a primeira obra, intitulada “Igbaiwá”, que convida o visitante a uma jornada de renascimento e reflexão sobre a força feminina, até as peças raras de artistas baianos como o Mestre Didi e José Adário dos Santos, a mostra revela detalhes curiosos e emocionantes da cultura afro-brasileira.
Além de celebrar a cultura e a resistência, a exposição também destaca o protagonismo feminino, mostrando as mulheres como revolucionárias e mães. Essa abordagem ampla e multifacetada da mulher na sociedade e nas lutas contemporâneas ressoa intensamente nos corações dos visitantes, lembrando-nos do poder e da resiliência das “Kehindes” – uma referência à personagem central do livro e a todas as mulheres que, como ela, resistiram e triunfaram.
A saga de Kehinde, inspirada em figuras históricas como Luísa Mahin, mãe do abolicionista Luís Gama e participante ativa de revoltas na Bahia do século XIX, ecoa não apenas nas páginas do livro, mas também nas ruas do Rio de Janeiro, onde a Portela, em seu desfile de Carnaval deste ano, trouxe a história para os holofotes, conquistando o estandarte de ouro do grupo especial com um enredo inspirado na obra.
O Muncab, espaço dedicado à preservação e celebração da cultura afro-brasileira, funciona de terça a domingo, das 10h às 17h, na Rua das Vassouras, 25, Centro Histórico. Os ingressos custam R$20 (inteira) e R$10 (meia-entrada), mas, graças à iniciativa da Secretaria Municipal de Cultura e Turismo (Secult), as quartas e domingos são dias de entrada gratuita. Essa é uma oportunidade imperdível para mergulhar na história, na arte e na cultura afro-brasileira.








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