A especialista independente da ONU sobre os efeitos da dívida externa, Attiya Waris, concluiu recentemente uma visita a Angola, onde destacou a fragilidade socioeconômica do país, agravada por fluxos financeiros ilícitos e corrupção. Em nota divulgada em Luanda, Waris enfatizou que esses fatores têm um impacto significativo sobre a receita nacional e sobre as condições de vida da população.
Waris apontou a dependência da economia angolana do setor petrolífero como um fator que deixa o país vulnerável a choques externos, comprometendo a estabilidade macroeconômica e limitando a diversificação econômica. Em suas conclusões preliminares, a especialista indicou que “uma maior diversificação continua sendo crucial para o crescimento econômico sustentável”. O relatório final será apresentado ao Conselho de Direitos Humanos em março de 2025.
A especialista reconheceu os esforços do governo angolano nos últimos cinco anos para formalizar sistemas, melhorar a gestão macroeconômica e promover a governança no setor público. No entanto, Waris ressaltou que Angola ainda enfrenta desigualdades significativas e condições de vida desafiadoras, com uma parte considerável da população vivendo com menos de um dólar por dia.
Entre as preocupações destacadas por Waris estão as condições de vida em assentamentos informais, que sofrem com a falta de alimentos, água limpa, saneamento e eletricidade. A especialista mencionou que as perdas de receita decorrentes de investimentos anteriores em setores sociais causaram danos à economia angolana. Como resultado, a infraestrutura é inadequada, a qualidade da educação é baixa e os resultados na área de saúde são precários, levando o país a figurar entre as piores colocações no Índice de Capital Humano em 2020.
O relatório preliminar de Waris também revelou que mais de 25% das famílias angolanas têm crianças em idade escolar não matriculadas, indicando um alto risco de pobreza intergeracional. Para melhorar essa situação, Waris sugere que os recursos financeiros sejam direcionados para elevar o padrão de vida da população, enfatizando princípios como transparência, responsabilização, eficiência e eficácia, dentro de um contexto de justiça e equidade com foco nos direitos humanos.
A especialista recomendou investimentos no registro de nascimento para todas as crianças, educação gratuita, incluindo livros escolares e materiais educacionais, e hospitais e clínicas bem abastecidos com medicamentos. Além disso, ressaltou a importância de garantir acesso à eletricidade, água limpa e saneamento.
*Com informações da ONU News.








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