O Papa Francisco enviou, no domingo (29/09/2024), uma mensagem à inauguração do Instituto Católico para a Não Violência, uma iniciativa da Pax Christi International, movimento de promoção da paz que reúne 120 organizações em todo o mundo. O Instituto, com sede em Roma, tem como objetivo promover a não-violência como um princípio fundamental da Igreja e tornar suas pesquisas e recursos acessíveis a líderes religiosos, comunidades e instituições globais. Entre os membros do Conselho Consultivo da nova iniciativa está Maria Clara Bingemer, professora de Teologia da Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro.
Em sua mensagem, o Papa Francisco destacou a importância da não-violência como guia em um mundo que precisa se reconhecer como formado por irmãos. Ele incentivou os participantes a trabalhar juntos na defesa dos direitos de todos e na construção de uma sociedade baseada no amor mútuo. Francisco ressaltou que a caridade e a não-violência devem ser princípios norteadores no tratamento entre as pessoas.
A cerimônia de inauguração contou com a presença de autoridades religiosas, como os cardeais Charles Maung Bo, arcebispo de Yangon, Mianmar, e Robert Walter McElroy, bispo de San Diego, Estados Unidos. McElroy destacou a dificuldade de promover a não-violência em um contexto mundial marcado por conflitos, mas reafirmou que essa é a mensagem central do Evangelho. Para ele, a não-violência não é sinônimo de passividade, mas uma abordagem eficaz para enfrentar o mal e resolver conflitos de maneira cristã. Segundo o cardeal, a Igreja deve ser testemunha e promotora da não-violência, mesmo que os resultados nem sempre sejam imediatos ou totalmente eficazes.
O cardeal Bo também participou do evento, associando a figura de Jesus como “Príncipe da Paz” às de outros líderes pacifistas, como Mahatma Gandhi e Martin Luther King. Ele questionou a continuidade de caminhos destrutivos e sugeriu que a humanidade busque uma mudança profunda, substituindo o paradigma da violência pelo da paz. O cardeal ressaltou que a rejeição à violência não é um sinal de fraqueza, mas sim uma demonstração de que o amor é mais forte do que o ódio e que a paz, quando construída sobre a não-violência, é duradoura.
A Irmã Teresia Wachira, outra participante da cerimônia, destacou a importância da aceitação de todos, incluindo os inimigos, como base para a não-violência. Ela compartilhou experiências pessoais e culturais que refletem como a violência estrutural pode se tornar normalizada em algumas sociedades. O evento também contou com a participação de Maria Stephan, autora e pesquisadora, que moderou a discussão.
O Instituto Católico para a Não Violência terá como uma de suas primeiras atividades seminários que discutirão a não-violência evangélica, estratégias de poder não-violento e experiências contextuais. Entre os membros do Conselho Consultivo estão acadêmicos renomados, como Erica Chenoweth, da Universidade de Harvard, e o arcebispo Peter Chong, de Suva, Fiji. A primeira série de seminários será realizada em outubro e abordará questões relacionadas à autodefesa e ao gerenciamento de conflitos em larga escala, em consonância com as discussões da 16ª Assembleia Geral Ordinária do Sínodo dos Bispos.
*Com informações da Vatican News.








Deixe um comentário