A vitória de Donald Trump na eleição presidencial dos Estados Unidos, confirmada na quarta-feira (06/11/2024) com a obtenção de mais de 270 delegados, gerou diversas reações no Brasil. O ex-presidente republicano derrotou a democrata Kamala Harris, vice-presidente atual, em uma das disputas mais disputadas da história recente do país. Embora a apuração continue em andamento, diversos líderes internacionais já se pronunciaram, incluindo o presidente brasileiro Luiz Inácio Lula da Silva (PT), que havia expressado sua preferência pela vitória de Harris devido à natureza das relações entre os dois países.
No entanto, o assessor especial de Lula, Celso Amorim, ressaltou que o governo brasileiro adotará uma abordagem “pragmática” em relação à presidência de Donald Trump, que assumirá a Casa Branca em janeiro. Amorim, que foi ministro das Relações Exteriores durante os dois mandatos de Lula, explicou que a postura será distinta da vivida durante as campanhas eleitorais, que frequentemente envolvem ataques mútuos. Para o assessor, a expectativa é que Trump adote uma postura mais comedida após a reeleição, similar a outros momentos da política internacional em que o Brasil manteve relações apesar de discordâncias.
Amorim também abordou a proximidade do deputado federal Eduardo Bolsonaro (PL), filho do ex-presidente Jair Bolsonaro, com a campanha de Trump. Eduardo acompanhou a apuração dos votos na residência de Trump na Flórida. Apesar dessa proximidade, o ex-chanceler acredita que o movimento político do ex-presidente brasileiro, o “bolsonarismo”, não ganhará força no Brasil com a reeleição de Trump. Para ele, “cada país é um país”, e a economia brasileira, em sua opinião, está se fortalecendo sob a liderança de Lula, que tem evitado radicalismos e procurado conduzir a política com cautela.
Em relação às possíveis interações entre os dois presidentes, Amorim afirmou que ainda é cedo para prever um encontro entre Lula e Trump antes da posse do republicano, mas reafirmou a intenção do governo brasileiro de manter o diálogo. “Vamos manter o pragmatismo, como mantivemos com Bush”, destacou, referindo-se ao relacionamento entre o Brasil e o ex-presidente George W. Bush, que, apesar das críticas feitas pelo Brasil, em especial sobre a invasão do Iraque, manteve boas relações com o país.
No mesmo dia, o presidente Lula parabenizou Trump pela vitória e reiterou a importância do diálogo internacional, destacando que o mundo precisa de “trabalho conjunto para mais paz, desenvolvimento e prosperidade”. A postura conciliatória do governo brasileiro se reflete no discurso, que, apesar de expressar simpatia por Kamala Harris, deixa claro o compromisso de continuar a cooperação com os Estados Unidos, independentemente da vitória republicana.
O cenário político também gerou reações de outras autoridades brasileiras. O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, comentou que o dia seguinte à vitória de Trump trouxe um “cenário mais tenso”, com desafios adicionais no campo econômico. Haddad observou que o discurso de Trump, em comparação com sua campanha, foi mais moderado, o que abre uma possibilidade de estabilidade, embora os mercados emergentes e países endividados continuem sob pressão. O ministro indicou que o Brasil deve focar em sua recuperação econômica para minimizar os impactos das decisões externas.
*Com informações da Sputnik News.








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