O agravamento dos ataques a civis e infraestruturas críticas na Ucrânia tem ampliado o sofrimento da população, em um contexto marcado pela proximidade do milésimo dia da invasão em larga escala pela Rússia. O Conselho de Segurança da ONU reúne-se nesta segunda-feira (18/11/2024), em Nova Iorque, para avaliar a situação, após bombardeios nas cidades de Sumy e Odessa, que resultaram na morte de dezenas de civis, incluindo crianças, e ferimentos em muitos outros.
Os ataques também danificaram a infraestrutura energética em meio à queda das temperaturas, deixando milhares de ucranianos sem eletricidade, aquecimento ou acesso a serviços essenciais como água potável. Segundo dados locais, mísseis russos atingiram diversas regiões, incluindo Kiev, afetando pelo menos 15 áreas em todo o país.
O coordenador humanitário da ONU na Ucrânia, Matthias Schmale, condenou os ataques às populações e às infraestruturas civis, lembrando que estas são protegidas pelo Direito Internacional Humanitário. O alto comissário da ONU para os Direitos Humanos, Volker Turk, afirmou que os bombardeios são um “golpe cruel” contra os civis, enquanto o Unicef destacou que crianças ucranianas continuam a sofrer com o conflito. Em Sumy, pelo menos duas crianças morreram e onze ficaram feridas, elevando para 2.406 o número de crianças mortas ou feridas desde o início da escalada da guerra.
A diretora executiva do Unicef, Catherine Russell, alertou para o impacto psicológico duradouro nos jovens ucranianos, enfatizando a necessidade de apoio contínuo para evitar que os traumas da guerra se perpetuem por gerações.
Além dos impactos humanos, o conflito atinge patrimônios culturais e religiosos. A Unesco denunciou ataques ao Centro Histórico de Odessa, listado como Patrimônio Mundial, onde cerca de 20 edifícios foram danificados entre quinta e sexta-feira. A agência enviou especialistas para avaliar os danos e fortalecer a segurança no local.
A crise energética, intensificada pelos ataques, também coloca a segurança nuclear sob risco. O diretor-geral da Agência Internacional de Energia Atômica, Rafael Mariano Grossi, relatou que subestações conectadas às usinas nucleares de Khmelnytskyy, Rivne e do sul da Ucrânia foram danificadas, forçando a redução da produção de energia. Apenas dois dos nove reatores nucleares do país permanecem operacionais.
Com milhares de mulheres e crianças deslocadas, a ONU Mulheres alertou sobre a vulnerabilidade dessas populações à violência de gênero, exacerbada pela destruição de serviços de apoio e pelo estigma em relatar casos.
A situação na Ucrânia reflete uma crise humanitária e energética crescente, com impactos imediatos e de longo prazo para a população civil. A ONU e outras organizações internacionais pedem esforços redobrados para mitigar os danos e proteger as populações afetadas.
*Com informações da ONU News.








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