Nesta quinta-feira (28/11/2024), a Ucrânia denunciou um novo ataque massivo da Rússia à sua infraestrutura de energia, que resultou em apagões generalizados em diversas regiões do país. O Ministério da Energia da Ucrânia informou que, devido aos danos causados nos sistemas de eletricidade, a medida mais drástica foi a implementação de cortes emergenciais de luz, afetando mais de um milhão de pessoas, com destaque para Kiev e outras áreas como Odessa, Dnipro e Lviv. O alerta aéreo foi acionado em todo o território ucraniano, com a Força Aérea do país reportando a interceptação de 79 mísseis e 35 drones russos durante a noite.
As interrupções no fornecimento de eletricidade causaram sérias consequências em várias regiões, como Lviv, onde mais de 500 mil pessoas ficaram sem energia elétrica, e Rivne, onde 280 mil habitantes enfrentaram a falta de água potável devido aos danos na infraestrutura. Além disso, em Mykolaiv, a interrupção na energia afetou os transportes públicos, paralisando trens elétricos e ônibus trólebus.
O presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, em pronunciamento nas redes sociais, exigiu uma resposta urgente em relação à necessidade de sistemas de defesa aérea para proteger as infraestruturas vitais do país. Ele também denunciou o uso de bombas de fragmentação pela Rússia, afirmando que essas armas dificultam os reparos e a assistência das equipes de socorro.
“Esses ataques estão minando nossa capacidade de recuperar rapidamente as áreas danificadas e dificultando o trabalho dos nossos engenheiros”, afirmou Zelensky.
A Rússia, por sua vez, justificou os ataques como uma resposta aos recentes mísseis ucranianos lançados contra seu território, em um cenário de escalada do conflito. Desde o início da invasão russa, em fevereiro de 2022, Moscou intensificou os ataques contra a infraestrutura ucraniana, especialmente a energética, à medida que o inverno se aproxima.
No contexto da guerra, a Rússia tem obtido avanços no campo de batalha, enquanto o governo ucraniano enfrenta dificuldades no recrutamento de soldados. Em uma entrevista, um alto funcionário da Casa Branca sugeriu que a Ucrânia deveria reduzir a idade mínima de mobilização para 18 anos, visando compensar as perdas no campo de batalha e enfrentar o aumento das tropas russas. A crise no recrutamento ucraniano tem sido destacada, com a reserva de voluntários diminuindo enquanto as forças russas se mantém em maior número e melhor equipadas.
Em meio a esse cenário de intensificação do conflito, o ex-presidente norte-americano Donald Trump anunciou sua estratégia para mediar o fim da guerra. Trump nomeou Keith Kellogg, ex-general e embaixador dos Estados Unidos, como emissário para negociar a paz entre Ucrânia e Rússia, propondo que Kiev fizesse concessões para possibilitar as negociações. A Rússia, por sua vez, tem contado com o apoio da Coreia do Norte, que tem fornecido armas e soldados para reforçar suas tropas.
Com o cenário de crise e incerteza crescente, a Ucrânia continua a enfrentar desafios tanto no campo militar quanto na recuperação de sua infraestrutura vital. O conflito, que se arrasta há mais de dois anos, deixa um rastro de destruição e deslocamento, impactando a população civil e exigindo respostas urgentes de todos os envolvidos.
*Com informações da RFI.








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