Na década de 1960, Feira de Santana, cidade do interior da Bahia com uma população de aproximadamente 150 mil habitantes, vivenciava um momento de transição, com o crescimento acelerado da urbanização e a ampliação do comércio. Nesse contexto, um grupo de empresários locais decidiu criar um empreendimento que fosse à altura das expectativas de uma cidade em expansão. O projeto inicial era a construção de um grande hotel de turismo, o Grande Hotel Mandacaru, cujo projeto foi elaborado pelo arquiteto José Monteiro Filho, um jovem com grande reputação na área. O custo estimado para o investimento foi de $4.500.000,00, um valor significativo para a época. A proposta do hotel incluía 47 apartamentos amplos, 33 suítes refrigeradas, uma boate e estacionamento subterrâneo.
O Grande Hotel Mandacaru tinha a ambição de ser um empreendimento à altura de outros grandes hotéis de cidades de porte semelhante, mas, por questões que envolviam a realidade econômica e política da época, o projeto do hotel não foi concluído. Em seu lugar, o edifício de quatro andares, situado na confluência das ruas Conselheiro Franco e Deputado Melo Lima, na região central da cidade, foi transformado no Centro Empresarial Mandacaru. A mudança no conceito do projeto, de um hotel de turismo para um centro empresarial, foi uma resposta às necessidades de um mercado em expansão, que demandava espaços para comércio e serviços, e não mais para hospedagem.
Nos anos seguintes, o edifício se tornou um importante ponto de encontro comercial, especialmente devido à sua localização estratégica no centro da cidade. Com o passar do tempo, o prédio abrigou uma série de negócios, incluindo lojas comerciais, escritórios de contabilidade e diversos outros serviços. A adaptação do projeto original refletiu a mudança no perfil econômico da cidade, que, apesar de não contar com o hotel de turismo idealizado, encontrou no centro empresarial uma alternativa eficaz para atender às novas demandas do mercado.
A memória da antiga boate, localizada na cobertura do edifício, ainda é viva entre os feirenses mais antigos, que frequentavam o espaço nos finais de semana. Para muitos, o Mandacaru se tornou um símbolo do otimismo e da inovação de uma cidade que se reiventava. Antônio Lucrécio Alves Bantin, um dos comerciantes que instalou seu estabelecimento no centro empresarial, lembra com carinho dos eventos realizados na boate durante a década de 1960, que atraíam grande público e traziam artistas consagrados à cidade.
Atualmente, o Centro Empresarial Mandacaru abriga 154 salas comerciais, sendo um ponto de referência para os empresários locais. As instalações funcionam como um grande condomínio, no qual cada locatário é responsável por seu espaço. A boa convivência e a estrutura bem organizada são características destacadas por quem trabalha no local, como o empresário José Alberto Dias Silva, que tem seu escritório de contabilidade no terceiro andar do edifício há mais de 30 anos. O local continua sendo um ponto de encontro essencial para os negócios da cidade.








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