O Bar Porta Aberta, localizado no Beco do Mocó, em Feira de Santana, foi inaugurado no final de 1959 e funcionou até 1964, quando foi fechado durante o Regime Militar. Criado por Francisco José de Souza, conhecido como “Chico Chiada”, e seus dois irmãos, o bar rapidamente se tornou um local de grande relevância para a vida noturna da cidade. A escolha do Beco do Mocó, na época um espaço menos frequentado, contribuiu para a criação de um ambiente único, onde os boêmios e seresteiros se encontravam, promovendo uma convivência descontraída e culturalmente rica.
O Bar Porta Aberta foi frequentado por figuras ilustres da música brasileira, como Altemar Dutra e Waldick Soriano, e tornou-se um ponto de referência para quem buscava não apenas diversão, mas também uma troca cultural intensa. O bar, que funcionava 24 horas, era um refúgio para aqueles que preferiam a vida noturna, com seus ritmos e canções envolventes. Entre os visitantes, destacava-se também Carlos Alberto, que, por sua semelhança vocal com Altemar Dutra, estabeleceu uma amizade com o seresteiro, o que aumentou ainda mais a aura de relevância do local.
Além de ser um ponto de encontro para boêmios, o Porta Aberta também se destacou como um espaço de interação para intelectuais e estudantes da cidade. Esses grupos buscavam ali um ambiente propício ao lazer e à descontração, longe dos compromissos cotidianos. O bar, com seu ambiente acolhedor e sua oferta de música de qualidade, foi um reflexo de uma Feira de Santana ainda em transformação, mas imersa na efervescência cultural dos anos 1960.
A história do Bar Porta Aberta, no entanto, foi interrompida pela ação do Regime Militar. Em 1964, o fechamento do estabelecimento foi determinado, como parte de um contexto político que cerceava a liberdade de expressão e de lazer no Brasil. Após cinco anos de intensa atividade, o bar se viu forçado a encerrar suas portas, marcando o fim de uma era de boemia e cultura popular em Feira de Santana.
Francisco José de Souza, o “Chico Chiada”, além de ser o fundador do bar, teve uma carreira multifacetada como líder estudantil, ambientalista e ativista social. Ele foi também presidente da Associação dos Moradores do Conjunto Jomafa e diretor de diversas entidades culturais da cidade. Falecido em 2007, Chico Chiada recebeu uma homenagem póstuma do prefeito José Ronaldo de Carvalho, que nomeou uma praça em sua memória no Conjunto Jomafa, reconhecendo sua contribuição para a cidade.








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