Lições da reconstrução alemã | 1947, Primeiro programa da União Democrata Cristã

Konrad Adenauer foi o primeiro chanceler da Alemanha Ocidental (República Federal da Alemanha) entre 1949 e 1963, logo depois que o país havia sido formado, no fim da Segunda Guerra Mundial.
Konrad Adenauer foi o primeiro chanceler da Alemanha Ocidental (República Federal da Alemanha) entre 1949 e 1963, logo depois que o país havia sido formado, no fim da Segunda Guerra Mundial.

Em 3 de fevereiro de 1947, reuniu-se a União Democrata Cristã da zona alemã ocupada pelos britânicos. Criado dois anos antes, o partido aprovou seu primeiro programa, conhecido pelo nome da cidade onde foi discutido. 

Um dia frio do inverno europeu de 1947, a Alemanha destruída, dividida em zonas ocupadas pelas tropas aliadas: neste cenário, na cidade de Ahlen, aconteceu o encontro dos democrata-cristãos para definir o programa do partido. 

O local escolhido foi um antigo pensionato feminino, que servira de enfermaria durante a guerra e só não fora destruído porque a poucas semanas do fim do conflito seu proprietário se rendeu às tropas americanas.

Hans Katzer, que durante muitos anos presidiu a comissão de questões sociais da União Democrata Cristã (CDU) – partido da chanceler Angela Merkel –, lamentava mais tarde que não se valorizasse mais tanto o aspecto “cristão” do nome do partido. Ele lembrava que, naquela época, o nome foi uma resposta à profunda imoralidade do nazismo. “Meu pai sempre dizia: a necessidade ensina a rezar”, conta Katzer.

Reordenação desde os fundamentos era a meta

O programa aprovado tinha características socialistas e defendia, por exemplo, a estatização dos setores mais importantes da indústria e era contra a concentração do poder econômico. 

Logo no início do programa da CDU lê-se: “O sistema econômico capitalista não fez justiça aos interesses governamentais e sociais do povo alemão. Depois do terrível colapso político, econômico e social em consequência de uma criminosa política de poder, só pode seguir-se uma reordenação desde os fundamentos”.

Tinha que ser eliminado o monopólio da mineração e das indústrias de base, que no Terceiro Reich se tornaram herméticas e incontroláveis. Era preciso acabar com a influência dos bancos sobre a indústria, para que o poder econômico e político não ficasse nas mãos de alguns poucos. A economia tinha que atender aos interesses dos cidadãos. A referência para toda a economia tinha que ser o reconhecimento da individualidade.

Contra concentração econômica e política

Literalmente, os democrata-cristãos exigiam em seu programa de 1947: “Conglomerados e instituições econômicas semelhantes devem ser desmembrados em empresas isoladas. Para isso, precisam ser criadas leis anticartéis. Também é necessário introduzir o princípio da descentralização de poder, para evitar a supremacia do Estado, de grupos ou de particulares em determinados setores econômicos. As companhias de mineração precisam ser coletivizadas. Também a indústria siderúrgica precisa trilhar esse caminho. O sistema cooperativista e o controle sobre o sistema financeiro e bancário têm de ser ampliados”.

Katzer lembrava-se dos debates de 1947: “Não tínhamos tanto tempo para discutir, os problemas eram muitos. Tínhamos que fazer os esgotos, construir estradas, casas, criar empresas. Esses eram os problemas que mais nos atormentavam”.

O programa delineado em Ahlen pela CDU não foi concebido para a eternidade. Tratava-se simplesmente de uma declaração de intenções dos democrata-cristãos na zona de ocupação britânica, para servir de base a futuros programas. Com a introdução da economia social de mercado pelo primeiro ministro alemão da Economia, Ludwig Erhard, o sonho de uma Alemanha cristã e socialista nascido no oeste do país foi por água abaixo.

*Com informações do DW | Por Claus-Dieter Gersch.


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