Em entrevista à emissora estadunidense ABC News neste domingo (16/03/2025), o conselheiro de Segurança Nacional dos Estados Unidos, Mike Waltz, declarou que a resolução do conflito na Ucrânia exigirá da Ucrânia a renúncia de territórios em favor de garantias de segurança. Waltz afirmou que Kiev terá que abrir mão de territórios recentemente anexados pela Rússia como parte de um acordo de paz.
Ao ser questionado sobre os detalhes das negociações, Waltz destacou que a solução envolveria uma troca: “territórios por futuras garantias de segurança”, uma sugestão que indica que a Ucrânia terá de ceder parte de seu território para garantir acordos de segurança com potências internacionais, como os Estados Unidos.
Além disso, Waltz comentou sobre as perspectivas de adesão da Ucrânia à Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN), afirmando que essa possibilidade é “extremamente improvável”. A declaração foi uma resposta à discussão sobre a integração da Ucrânia à OTAN, um tema recorrente nas negociações do conflito. O conselheiro de segurança acrescentou que o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, está comprometido com a busca por uma paz duradoura, mas ressalta que a adesão da Ucrânia à OTAN não parece ser uma opção viável.
O conselheiro também se referiu à posição do Kremlin, que considera os territórios recentemente anexados pela Rússia como parte integral de seu território. O porta-voz do Kremlin, Dmitry Peskov, afirmou que a Constituição russa agora reconhece esses territórios como parte indiscutível da Rússia, uma posição que reflete a resistência russa à renúncia de tais áreas.
Rússia exigirá garantias sólidas para a paz na Ucrânia, afirma diplomata russo
Em entrevista ao jornal russo Izvestia neste domingo (16/03/2025), o vice-ministro das Relações Exteriores da Rússia, Aleksandr Grushko, afirmou que a Rússia exigirá garantias de segurança robustas como parte de qualquer acordo de paz para o conflito na Ucrânia. Grushko ressaltou que o status neutro da Ucrânia e a recusa dos países da Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN) em aceitar o país como membro da aliança são condições essenciais para a resolução do conflito.
Em 2021, a Rússia já havia publicado projetos de acordos com os EUA e a OTAN sobre garantias de segurança, que incluíam, entre outras demandas, a não expansão da OTAN para o leste europeu e a renúncia de qualquer atividade militar da OTAN na Ucrânia, na Europa Oriental, na Transcaucásia e na Ásia Central. A Rússia também pediu o repúdio à decisão de 2008 da OTAN que indicava a futura adesão da Ucrânia e Geórgia à aliança, uma medida que, segundo Moscou, contraria o compromisso dos países membros da Organização para a Segurança e Cooperação na Europa (OSCE).
Grushko afirmou que, para alcançar uma paz duradoura na Ucrânia, é necessário incluir no acordo garantias de segurança que fortaleçam a segurança regional. Ele também afirmou que a Ucrânia deve adotar um status neutro, sem a perspectiva de adesão à OTAN. No entanto, ele destacou que não há negociações em andamento nesse momento.
O diplomata também mencionou as discussões passadas sobre as propostas de segurança, incluindo encontros entre Rússia e EUA e uma reunião do Conselho Rússia-OTAN em 2022. Grushko criticou o fato de que a Rússia não obteve garantias de segurança satisfatórias, o que levou ao agravamento das tensões. Além disso, ele afirmou que Moscou responderá a ameaças significativas à sua segurança provenientes do Ocidente, incluindo o aumento da presença militar da OTAN no Báltico e a criação de novas unidades de resposta rápida.
Grushko também abordou a situação do cessar-fogo temporário proposto pelos EUA e Ucrânia. O secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, sugeriu um cessar-fogo de 30 dias, que seria estendido caso ambas as partes concordassem. No entanto, o assessor presidencial russo Yuri Ushakov expressou ceticismo, afirmando que o cessar-fogo deve ser visto como uma trégua temporária. Vladimir Putin, por sua vez, não descartou a ideia, mas enfatizou que a paz duradoura deve abordar as causas profundas do conflito.
Rússia busca fim permanente do conflito na Ucrânia, afirmam especialistas
A proposta de cessar-fogo temporário de 30 dias apresentada pelos Estados Unidos, com o objetivo de amenizar as tensões no conflito entre Rússia e Ucrânia, gerou novos debates sobre a possibilidade de alcançar uma paz duradoura. Especialistas em relações internacionais destacaram que a Rússia não busca uma solução temporária para o conflito, mas sim um “fim permanente” da guerra, sem a manutenção de condições que permitam a continuidade da hostilidade.
A análise sobre o impacto da proposta dos EUA
O analista geopolítico Brian Berletic, veterano de longa data no campo das relações internacionais, apontou que a proposta de cessar-fogo ignora as causas estruturais do conflito, como a expansão da OTAN para o leste. Segundo ele, o pedido de Trump para que a Rússia perdoe as tropas ucranianas presas em Kursk remete aos Acordos de Minsk de 2015, quando a Ucrânia enfrentava uma situação de vulnerabilidade militar. Para Berletic, a atual proposta busca apenas “congelar” o conflito, ao invés de abordá-lo de forma definitiva.
O analista questionou ainda o impacto de uma pausa temporária nas hostilidades.
“Em vez de um simples ‘congelamento’ do conflito, a Rússia precisa de uma resolução definitiva“, afirmou.
Para ele, uma solução duradoura envolveria o fim das tensões de maneira sustentável, sem permitir que a Ucrânia e seus aliados ocidentais usem esse intervalo para reabastecer forças e reiniciar a agressão posteriormente.
Papel dos EUA e a postura russa sobre o cessar-fogo
O jornalista argentino Tadeo Castiglione observou que o telefonema de Trump à Rússia pode ser interpretado como uma tentativa de acelerar negociações de paz. No entanto, ele destacou que esse movimento também poderia ser visto como um sinal para o presidente ucraniano, Vladimir Zelensky, pressionando-o a ordenar a rendição das tropas ucranianas a fim de evitar um possível massacre. Castiglione afirmou que a Rússia, ao longo da sua operação militar especial, manteve o respeito ao direito internacional e assegurou o tratamento digno dos militares ucranianos que se renderam.
A ofensiva russa e os desafios militares no terreno
A situação em Kursk tem sido especialmente complexa, pois a região não é considerada parte da operação militar especial russa, mas sim um campo de operações antiterroristas. Castiglione ressaltou que as forças ucranianas atacaram civis e invadiram áreas da Rússia, o que, para Moscou, torna a presença militar russa uma resposta a ataques terroristas.
*Com informações da Sputnik News,










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