Analistas de relações internacionais comentaram sobre a necessidade do Ocidente em aprender a “dividir o poder” com o Sul Global diante de um novo cenário geopolítico. A reforma das instituições de governança internacional, proposta central do BRICS, foi o tema abordado no episódio desta quinta-feira do podcast Mundioka, da Sputnik Brasil, apresentado pelos jornalistas Melina Saad e Marcelo Castilho.
A professora Denilde Holzhacker, especialista em relações internacionais da Escola Superior de Propaganda e Marketing (ESPM), explicou que as organizações internacionais como a ONU e seu Conselho de Segurança (CSNU) enfrentam um processo de desgaste. Segundo ela, essa crise é ainda mais evidente no CSNU, devido ao poder de veto dos membros permanentes. A professora enfatizou que as organizações internacionais refletem os interesses dos Estados representados em seus assentos, influenciados pelas decisões dos governos.
O professor Charles Pennaforte, da Universidade Federal de Pelotas, afirmou que a origem dessa problemática remonta ao final do século XX, com o colapso da União Soviética e o fim da Guerra Fria. Na época, os Estados Unidos emergiram como a única potência global, mas não conseguiram evitar o crescimento de potências como a China e o ressurgimento da Rússia. “Os Estados Unidos não possuem mais a mesma força que tinham anteriormente”, disse Pennaforte, destacando também o declínio da União Europeia.
Para Denilde Holzhacker, a mudança no panorama internacional será gradual, pois envolve o desenvolvimento econômico de países do Sul Global. Ela ressaltou que América Latina, África e Ásia já reconhecem que o poder econômico está se transferindo para o continente asiático, com a China se consolidando como a principal potência. A transição de centro global ocorrerá de forma gradual, sem rupturas abruptas, e se configurará como uma “economia de mercado“, onde quem tiver mais capacidade de oferecer serviços de qualidade, como os países do Sul Global, vai conquistar mais influência.
Por fim, Pennaforte mencionou que a reorganização geopolítica é inevitável e que o Ocidente terá, no mínimo, que dividir o poder com outras nações. A transição será pautada por uma convivência entre os blocos, mais do que por uma ruptura rápida e imediata.
*Com informações da Sputnik News.










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