O Escritório das Nações Unidas sobre Drogas e Crime (Unodc) divulgou um relatório que revela a interconexão entre crimes florestais, tráfico de drogas, mineração ilegal e outras atividades ilícitas no Brasil, com destaque para a região da Amazônia Legal. Segundo o documento, o país está entre os mais impactados por essa dinâmica criminosa.
O estudo aponta que a exploração ilegal de recursos naturais, como madeira e minérios, tem sido usada por grupos criminosos organizados como estratégia para expandir lucros, influenciar territórios e lavar dinheiro oriundo do tráfico. A Amazônia Legal, que compreende nove estados brasileiros, concentra cerca de 60% da Floresta Amazônica e tem registrado altas taxas de homicídios, ligadas à disputa entre facções pelo controle de atividades ilegais.
Em 2021, os municípios da Amazônia Legal apresentaram uma média de 29,6 homicídios por 100 mil habitantes, superior à média nacional de 21,3. O Unodc atribui esse índice elevado à competição entre facções criminosas rivais pela produção, transporte e comercialização de drogas na região.
Outro ponto destacado no relatório é o avanço da mineração em terras indígenas, que cresceu 625% entre 2011 e 2021. O documento cita a atuação do Primeiro Comando da Capital (PCC) em áreas da Terra Yanomami, considerada a maior reserva indígena do mundo. Essa atividade tem provocado contaminação de rios por mercúrio, afetando a alimentação e saúde das comunidades locais, além de provocar violência contra lideranças indígenas.
O Unodc ressalta que crimes ambientais se conectam a outras práticas ilegais, como tráfico de vida selvagem, uso de trabalho infantil, grilagem de terras e corrupção. Empresas legalmente constituídas também são mencionadas por sua participação no desmatamento por meio de licenças falsas, subornos e fraudes nos sistemas de controle.
A chefe de Pesquisa e Análise do Unodc, Angela Me, afirmou que criminosos ambientais buscam “atalhos” para maximizar ganhos, utilizando redes legais para infiltrar produtos ilegais. Para a especialista, o enfrentamento eficaz desse cenário exige regulações mais rígidas e sistemas de fiscalização mais eficientes, bem como respostas políticas capazes de se adaptar a estratégias ilegais em constante mudança.
O estudo destaca ainda que o crime florestal se infiltra nas cadeias formais de produção e comercialização, tornando o rastreamento e a punição mais complexos. Madeira extraída ilegalmente entra em mercados legais com o auxílio de documentação fraudulenta, facilitada por funcionários públicos e empresas privadas envolvidas no esquema.
A agência das Nações Unidas recomenda que os países afetados implementem estratégias integradas e coordenadas entre instituições ambientais, policiais e judiciárias para combater as redes criminosas e fechar as brechas legais existentes.
*Com informações da ONU News.








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