A organização Médicos Sem Fronteiras (MSF) afirmou que a Faixa de Gaza se transformou em “uma vala comum para os palestinos e todos aqueles que chegam para ajudá-los”, conforme declaração da coordenadora de emergência da ONG, Amande Bazerolle. O pronunciamento foi feito em meio ao avanço do cerco israelense e ao bloqueio da entrada de ajuda humanitária no enclave palestino.
Segundo a MSF, os estoques de alimentos, água potável, combustíveis e medicamentos estão esgotados, e a resposta humanitária está gravemente comprometida pela insegurança e pela restrição de acesso. A organização também denunciou que os ataques recentes demonstram desrespeito à segurança de profissionais humanitários e médicos, tendo perdido 11 colaboradores desde o início da guerra.
A ONG pediu ao governo de Israel o fim imediato do cerco à Faixa de Gaza, além da proteção às vidas de civis palestinos e de trabalhadores humanitários, e a cooperação para restabelecimento de um cessar-fogo. A declaração ocorre dois dias após o Escritório das Nações Unidas para a Coordenação de Assuntos Humanitários (OCHA) alertar para o que classificou como a “pior situação humanitária” no território desde o início do conflito, em 07/10/2023.
Israel afirma manter cerco como forma de pressão contra o Hamas
Em resposta às críticas, o ministro da Defesa de Israel, Israel Katz, declarou que o bloqueio à entrada de ajuda humanitária é uma “alavanca de pressão” para impedir que o Hamas controle o acesso aos recursos enviados ao território. Katz defendeu a substituição do controle da distribuição por sociedades civis, acusando o grupo palestino de se apropriar indevidamente da ajuda internacional, o que é negado pelo Hamas.
O primeiro-ministro Benjamin Netanyahu continua defendendo a intensificação da pressão militar como meio para forçar o Hamas a libertar os reféns israelenses ainda mantidos em cativeiro. Segundo as autoridades, 59 pessoas continuam sequestradas, das quais 35 já foram declaradas mortas.
As negociações para um novo cessar-fogo seguem estagnadas. Fontes citadas pela imprensa israelense indicam uma mudança na estratégia militar, com ações contínuas de ocupação territorial, substituindo incursões pontuais. O novo método tem como objetivo exercer pressão direta sobre o Hamas até que o grupo aceite negociar sob os termos estabelecidos por Israel.
*Com informações da RFI.










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