Zé da Foto, pioneiro da fotografia lambe-lambe, relembra trajetória em Feira de Santana

José Viana da Silva Neto, conhecido como Zé da Foto, completa quase 92 anos e mantém atividade na fotografia lambe-lambe, técnica popular que marcou a Praça Bernardino Bahia, em Feira de Santana. Ele afirma ter sido o primeiro a se estabelecer no local, há mais de sete décadas, desde a década de 1950, quando a praça ainda funcionava como feira-livre.

O pernambucano, natural de Bom Jardim, mudou-se para a Bahia aos oito anos e iniciou na arte fotográfica aos 13 anos, aprendendo com um jovem de Serrinha. Sua primeira câmera foi artesanal, construída com caixas de papelão, que permitia a entrega rápida das fotos, em questão de minutos, utilizando um processo caseiro com duas banheiras para revelação.

“O movimento na praça era grande, mas pouca gente conhecia fotógrafo. Eu me instalei ali”, disse ele ao indicar a área onde começou a trabalhar. As primeiras fotos feitas eram 3 x 4, muito procuradas para documentos, custando aproximadamente trinta centavos. Outros formatos, como 6 x 9, 9 x 12 e 13 x 19, também faziam parte do serviço, com o uso de ampliador para os tamanhos maiores.

Zé da Foto relatou que enfrentou desafios na profissão e interação com os clientes:

“Vinham muitas estudantes da escola próxima, ficavam brincando, fazendo caretas e pulando durante a foto.”

Ele lembrou que pessoas da zona rural, em geral, mantinham postura mais séria, mas o trabalho seguia normalmente. Todos os materiais necessários — filmes, papéis e produtos químicos — eram adquiridos em loja da Rua Direita, atual Rua Conselheiro Franco.

Apesar da baixa escolaridade, José Viana consolidou-se como fotógrafo lambe-lambe na cidade. Constituiu família com Doralice Ferreira Lima, com quem teve 10 filhos, e, em outra relação, com Maria das Graças, teve mais seis filhos. No total, acredita ter 17 filhos.

Sem vícios, Zé da Foto afirmou:

“Só bebia em festas quando estava trabalhando e o dono da casa oferecia, mas era uma vez só.”

Torcedor do Corinthians, ele disse ter atuado como goleiro em sua juventude, jogando em localidades como Venda Nova, Jaguarari e Carrapichel, na região Norte da Bahia, próxima à divisa com Pernambuco.

“A região é bonita, admiro muito a ponte que liga Juazeiro a Petrolina”, comentou.

Com quase 92 anos, mantém rotina ativa, incluindo futebol e dança. Sobre música, revelou preferência por Luiz Gonzaga, Jackson do Pandeiro e Roberto Carlos:

“Gosto do que é bom.”

Atualmente, continua em atividade fotográfica, usando uma câmera Nikon, considerada sua identidade. Embora possua residência no bairro Caseb, em Feira de Santana, é mais frequentemente encontrado em Amélia Rodrigues, onde é conhecido por crianças e adultos.

“Vez por outra apareço na praça do lambe-lambe. É só para lembrar, porque daquele tempo não tem mais ninguém”, concluiu.


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