A Festa das Marisqueiras e Pescadores será realizada neste sábado (28/06/2025) no Quilombo do Alto do Tororó, em São Tomé de Paripe, no Subúrbio Ferroviário de Salvador, com programação cultural e mobilização em torno da titulação definitiva do território quilombola. O evento, que acontece a partir das 8 horas, retorna ao calendário após edições anteriores realizadas em 2018, 2019 e 2020, e tem como proposta unir tradição, arte, economia solidária e reivindicação de direitos.
A programação conta com rodas de samba, capoeira, bumba meu boi, feira de artesanato, mostra fotográfica, exibição de filmes e a tradicional corrida de canoas, atividade simbólica que reafirma a conexão da comunidade com o mar. Haverá também espaço para a comercialização de produtos da agricultura familiar e atividades de formação artística.
A iniciativa é uma realização do Tempero do Quilombo, em parceria com o Coletivo Assessoria Cirandas e produção da Cultura Tao, com apoio da Fundação Gregório de Mattos, da Secretaria Municipal de Cultura e Turismo de Salvador, da Política Nacional Aldir Blanc (PNAB) e do Ministério da Cultura.
A comunidade do Alto do Tororó, reconhecida como remanescente de quilombo desde 2010 pela Fundação Cultural Palmares, ainda não possui a titulação definitiva de seu território. O local sofre restrições impostas pela presença da Base Naval de Aratu e por interesses privados que limitam o acesso ao mar, fonte histórica de subsistência da população formada por pescadores e marisqueiras.
Segundo os organizadores, a festa funciona como uma estratégia de valorização da cultura quilombola, fortalecendo a identidade local e promovendo a transmissão de saberes às novas gerações. O evento também é considerado um ato político de resistência diante da ausência de políticas efetivas de regularização fundiária.
A programação inclui ainda a exposição fotográfica “Quando o Corpo vira Paisagem”, realizada pela Assessoria Cirandas, que ocupará as ruas da comunidade nos dias 28 e 30 de junho. A mostra é resultado de atividades de Educomunicação desenvolvidas ao longo de 2024 e 2025 com jovens quilombolas, com foco na formação de núcleos de comunicação comunitária.
A liderança quilombola Bárbara Maré, integrante do Grupo das Matriarcas do Samba, destaca a importância do samba como ferramenta de fortalecimento identitário e político. Já o produtor João Paulo Diogo ressalta o papel da festa como meio de reivindicação de existência digna e pertencimento territorial.
Quilombo do Alto do Tororó
O Quilombo do Alto do Tororó tem origens ligadas aos descendentes de africanos escravizados e povos indígenas Tupinambás. Os primeiros habitantes se estabeleceram nas encostas do Tororó após navegarem pelas águas da Baía de Todos os Santos e da Baía de Aratu. A comunidade mantém vivas tradições como a pesca artesanal, o samba de crioula e o cultivo de saberes tradicionais.
Apesar do reconhecimento federal como território quilombola, a comunidade ainda aguarda o título definitivo de posse da terra, enquanto enfrenta ameaças externas que comprometem seu modo de vida tradicional e a preservação da memória coletiva.








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