Brasil e México iniciaram negociações para ampliar seu acordo comercial bilateral, com o objetivo de reduzir a dependência econômica em relação aos Estados Unidos e à China. A iniciativa envolve a expansão de tarifas preferenciais e novos investimentos em setores estratégicos, como aeroespacial, farmacêutico e agronegócio.
As tratativas começaram em outubro de 2024, com reuniões informais entre diplomatas dos dois países, e ganharam impulso após a posse da presidente mexicana Claudia Sheinbaum. Segundo o Financial Times, Sheinbaum e o presidente Luiz Inácio Lula da Silva já se reuniram quatro vezes, sinalizando convergência política e interesse mútuo em aprofundar a cooperação econômica.
A secretária de Comércio Exterior do Brasil, Tatiana Prazeres, tem visita oficial à Cidade do México agendada para agosto de 2025, quando os países devem definir os termos da ampliação do acordo, vigente desde os anos 2000 e que atualmente cobre cerca de 800 categorias de produtos com tarifas reduzidas ou isentas.
Contexto e objetivos estratégicos
Brasil e México são as duas maiores economias da América Latina, mas historicamente mantiveram relações comerciais limitadas, em parte devido à foco do México nos EUA e a diferenças estruturais em suas economias. O cenário atual, com novas tarifas comerciais impostas pelos EUA e um ambiente de maior afinidade ideológica entre os governos, criou condições favoráveis para a reaproximação.
O comércio bilateral entre Brasil e México somou US$ 13,6 bilhões em 2024, com o Brasil registrando superávit de US$ 2 bilhões. Em contraste, o México movimentou US$ 840 bilhões com os EUA no mesmo ano, o que evidencia a margem para crescimento do comércio intrarregional. Atualmente, apenas 14% do comércio de bens na América Latina ocorre dentro da região, o que reforça a relevância de iniciativas voltadas à integração regional.
Interesse econômico e cautela diplomática
Autoridades brasileiras confirmam o interesse de setores industriais e agropecuários em expandir exportações para o mercado mexicano. O México, por sua vez, vê no Brasil uma alternativa para diversificação de fornecedores, especialmente em produtos como grãos, insumos farmacêuticos e tecnologias de defesa.
Apesar do alinhamento político e dos interesses complementares, os dois países adotam postura cautelosa para não comprometer relações com EUA e China, seus principais parceiros comerciais. Ambos sustentam que a negociação do acordo é parte de uma estratégia de diversificação comercial, e não de substituição de parcerias estratégicas.
Ainda está em análise se haverá apenas uma ampliação do acordo atual ou a negociação de um novo tratado mais amplo. Diante da agenda limitada de recursos do México, focado na renegociação do Acordo Estados Unidos-México-Canadá (USMCA), e das eleições presidenciais no Brasil em 2026, especialistas avaliam que uma atualização do acordo existente é mais provável no curto prazo.
*Com informações da Sputnik News.








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