Senadores reagem à taxação de 50% sobre produtos brasileiros anunciada pelo presidente dos EUA

Parlamentares divergem sobre causas e estratégias diante da medida adotada pelos Estados Unidos.
Parlamentares divergem sobre causas e estratégias diante da medida adotada pelos Estados Unidos.

A decisão do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, de impor tarifa de 50% sobre todos os produtos importados do Brasil gerou repercussão imediata no Senado Federal. A medida, com início previsto para 1º de agosto de 2025, foi criticada por parlamentares da base do governo e interpretada como retaliação política. Já oposicionistas responsabilizaram o governo brasileiro e suas ações diplomáticas pelo agravamento da crise.

Em nota oficial, a Comissão de Relações Exteriores (CRE) do Senado reafirmou o compromisso com relações internacionais estáveis e destacou a necessidade de que medidas comerciais sejam tratadas dentro dos marcos do direito internacional. A comissão informou ainda que mantém diálogo com a representação diplomática dos EUA e que prepara o envio de uma missão parlamentar a Washington.

Reações da base governista

Senadores da base do governo classificaram a medida como uma afronta à soberania nacional e defenderam resposta diplomática. O líder do governo no Congresso, Randolfe Rodrigues (PT-AP), destacou a importância de uma reação unificada do país. O senador Alessandro Vieira (MDB-SE) reiterou que a soberania brasileira deve ser protegida acima de divergências partidárias. A senadora Eliziane Gama (PSD-MA) também condenou a tarifa.

Outros parlamentares, como Fabiano Contarato (PT-ES) e Jaques Wagner (PT-BA), apontaram motivações políticas na decisão dos Estados Unidos. Ambos relacionaram a medida ao apoio de Trump ao ex-presidente Jair Bolsonaro e a críticas do governo americano ao Supremo Tribunal Federal (STF). Também responsabilizaram integrantes da família Bolsonaro por articulações junto ao governo norte-americano.

Críticas da oposição

Senadores da oposição afirmaram que a medida é resultado direto da política externa do atual governo. O líder da oposição, Rogério Marinho (PL-RN), citou ações diplomáticas controversas do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, como o apoio a regimes autoritários e declarações contra líderes internacionais. Os senadores Hamilton Mourão (Republicanos-RS), Ciro Nogueira (PP-PI) e Flávio Bolsonaro (PL-RJ) também responsabilizaram o governo federal pela deterioração das relações com os EUA.

Entre os argumentos da oposição estão a ausência de embaixador americano no Brasil, a recepção a navios iranianos, o apoio a figuras políticas condenadas por corrupção em outros países e declarações do presidente Lula sobre a guerra na Ucrânia. Críticos alegam que tais condutas resultaram em isolamento diplomático e prejudicaram o ambiente comercial entre os dois países.

Propostas legislativas e caminhos diplomáticos

O presidente da Comissão de Constituição e Justiça (CCJ), Otto Alencar (PSD-BA), avaliou a medida como surpreendente e defendeu o fortalecimento das relações comerciais com outros blocos, como o Brics. Já o presidente da Comissão de Relações Exteriores (CRE), Nelsinho Trad (PSD-MS), sugeriu a continuidade de negociações técnicas para reverter a sanção.

O presidente da Comissão de Assuntos Econômicos (CAE), Renan Calheiros (MDB-AL), mencionou a aprovação da Lei da Reciprocidade, que permite ao Brasil adotar contramedidas a barreiras comerciais impostas por outros países. A relatora da lei, Tereza Cristina (PP-MS), defendeu equilíbrio e diálogo como a melhor estratégia para lidar com a crise.

Entre os que alertaram para os impactos econômicos da retaliação estão Izalci Lucas (PL-DF) e Eduardo Girão (Novo-CE). Ambos ressaltaram que uma resposta tarifária brasileira pode gerar efeitos inflacionários e comprometer setores essenciais. Já Eduardo Braga (MDB-AM) e Sérgio Moro (União-PR) sugeriram que a solução se dê por meio de diplomacia ativa e respeito aos interesses nacionais.

Nota oficial da Comissão de Relações Exteriores

A Comissão de Relações Exteriores do Senado reafirmou em nota pública o compromisso com a diplomacia parlamentar e o multilateralismo, destacando que manterá canais abertos com os Estados Unidos e outros parceiros estratégicos. A comissão reforçou que a soberania brasileira deve ser preservada, mas que o momento exige responsabilidade e equilíbrio nas negociações internacionais.

*Com informações da Agência Senado.


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