Representantes de mais de 30 países de todos os continentes participam nesta terça-feira (15/07/2025) de uma reunião de emergência em Bogotá, convocada pelo Grupo de Haia, para discutir a adoção de medidas concretas e coordenadas contra Israel no contexto do conflito na Faixa de Gaza, que persiste desde outubro de 2023. O encontro tem como objetivo buscar uma resposta internacional que ultrapasse apelos e condenações e promova ações práticas diante da situação humanitária.
Contexto do conflito e necessidade de ação coordenada
Enquanto as negociações indiretas entre Israel e Hamas permanecem paralisadas e as diplomacias ocidentais mantêm uma postura restrita diante das violações do direito internacional e humanitário, o Grupo de Haia pretende avançar na implementação de políticas conjuntas. O conflito já resultou em mais de 58 mil mortes na Faixa de Gaza, incluindo mulheres e crianças, segundo dados oficiais.
Guillaume Long, conselheiro diplomático do Grupo, destacou:
“Várias nações consideraram importante reunir Estados não para criar novo direito internacional, mas para aplicar medidas concretas e coletivas para pôr fim ao massacre e ao genocídio.” Ele acrescentou que a união de Estados com objetivos específicos aumenta a influência internacional.
Ações isoladas e mobilização internacional
Até o momento, as ações em resposta ao conflito têm sido dispersas. A África do Sul acionou a Corte Internacional de Justiça (CIJ) por violação da Convenção sobre o Genocídio, com apoio de outros países. Namíbia e Malásia bloquearam navios com armas destinadas a Israel, e a Colômbia rompeu relações diplomáticas com Tel Aviv em maio de 2024. O presidente colombiano, Gustavo Petro, afirmou que a passividade diante do conflito é inaceitável, reforçando o apoio à iniciativa na CIJ, também endossada pelo Brasil.
Grupo de Haia e participação internacional
Fundado em janeiro de 2025, o Grupo de Haia reúne países do Sul Global, como África do Sul, Malásia, Colômbia e Namíbia, e tem como base a defesa do multilateralismo e do direito internacional. A reunião em Bogotá amplia a participação, incluindo representantes de países europeus e do Oriente Médio, como Irlanda, Noruega, Espanha, Líbano e Catar. Também estarão presentes membros da ONU, incluindo o chefe da UNRWA, Philippe Lazzarini, e a relatora especial para a Palestina, Francesca Albanese.
Propostas e medidas em discussão
Entre as medidas previstas para serem discutidas, destacam-se:
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Impedir o fornecimento e trânsito de armas para Israel;
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Bloquear navios com munições destinadas ao conflito;
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Apoiar mandados de prisão do Tribunal Penal Internacional (TPI) contra autoridades israelenses;
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Implementar a resolução da ONU de setembro de 2024 para o fim da ocupação israelense e desmantelamento dos assentamentos até setembro de 2025.
Guillaume Long enfatizou que o encontro visa aplicar o direito internacional já existente, não criar novas normas:
“É uma convocação para unir países em torno de medidas urgentes e concretas.”
Impasse nas negociações e situação humanitária
Enquanto isso, aproximadamente 2,3 milhões de palestinos vivem há mais de 600 dias em Gaza sob condições de fome e destruição. A Conferência Internacional para a Paz na Palestina, proposta pela ONU e co-presidida por França e Arábia Saudita, permanece adiada, sem nova data definida. Em Bogotá, os países participantes buscam transformar a situação em ações concretas para preservar o direito internacional e responder à crise humanitária.
*Com informações da RFI.
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