Brasil mantém diálogo “com reservas” com EUA, apresenta plano de contingência e enfrenta impacto no mercado financeiro e alimentação

A quatro dias da entrada em vigor da tarifa de 50% aplicada pelos Estados Unidos sobre produtos brasileiros, o vice-presidente da República e ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Geraldo Alckmin, afirmou que o governo brasileiro está em diálogo com o país norte-americano, porém “com reservas”. O plano de contingência para mitigar os impactos da taxação está em elaboração, mas a prioridade permanece nas negociações comerciais.

Diálogo institucional “com reservas” e elaboração do plano de contingência

Em entrevista concedida após o lançamento do Programa Acredita Exportação, Alckmin informou que as conversas acontecem por canais institucionais e com cautela. “Nós estamos permanentemente no diálogo e quero dizer a vocês que nós estamos dialogando neste momento pelos canais institucionais e com reserva”, declarou. Detalhes sobre as negociações ou o plano de contingência não foram divulgados.

Na mesma data, o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, confirmou que o plano de socorro foi entregue ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva para análise. O documento foi elaborado em conjunto pelos ministérios da Fazenda; do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços; das Relações Exteriores; e pela Casa Civil. Haddad ressaltou que, embora o plano esteja pronto, o foco do governo continua sendo o diálogo para tentar evitar a implementação da tarifa, prevista para 1º de agosto de 2025.

“O presidente tem em mãos todos os cenários definidos pelos quatro ministérios”, afirmou Haddad, ressaltando que nenhuma decisão foi tomada até o momento, pois a resposta americana ainda não está definida.

O ministro também destacou que Alckmin mantém contato constante com autoridades estadunidenses e que o governo brasileiro continuará aberto à negociação, independentemente da decisão final dos Estados Unidos.

Programa Acredita Exportação e apoio ao setor exportador

Durante o evento de sanção do decreto que regulamenta o Programa Acredita Exportação, Alckmin destacou que a iniciativa visa fomentar o crescimento de micro e pequenas empresas exportadoras. A partir de 1º de agosto, essas empresas poderão receber um ressarcimento de 3% das receitas obtidas com vendas ao exterior, por meio de compensação de tributos federais ou reembolso direto.

Segundo o vice-presidente, o programa está alinhado aos valores do governo, como a promoção do multilateralismo, e chega em momento oportuno para apoiar o setor exportador.

Repercussão no mercado financeiro e setor produtivo

A iminência da tarifa de 50% gerou instabilidade no mercado financeiro. O índice Ibovespa fechou a segunda-feira (28/07) em 132.129 pontos, seu menor nível desde 22 de abril, com queda de 1,04%. O dólar comercial encerrou o dia vendido a R$ 5,59, alta de 0,52%, aproximando-se do valor máximo de R$ 5,61, registrado durante a manhã.

A valorização da moeda norte-americana e a desvalorização do euro foram influenciadas também pelo acordo comercial entre Estados Unidos e União Europeia, que estabeleceu tarifa padrão de 15% sobre produtos do bloco.

O secretário de Comércio dos EUA, Howard Lutnick, reafirmou que a tarifa sobre produtos brasileiros não será adiada e entrará em vigor conforme previsto.

Impactos esperados para alimentação e agronegócio no mercado interno

A Federação de Hotéis, Restaurantes e Bares do Estado de São Paulo (Fhoresp) alertou que o tarifaço deverá aumentar os preços internos de produtos exportados, como café, carnes, pescados e suco de laranja. A entidade estima que o aumento nos preços de alimentos consumidos fora de casa pode chegar a 10% a médio e longo prazo, impactando a cadeia produtiva e o mercado interno.

O diretor-executivo da Fhoresp, Edson Pinto, classificou a taxação como “um franco ataque à cadeia do agronegócio brasileiro” e defendeu uma atuação diplomática para proteger os interesses do país.

*Com informações da Agência Brasil.


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