O apoio interno em Israel à criação de um Estado palestino segue em queda, mesmo com a intensificação dos apelos diplomáticos internacionais por uma solução de dois Estados. A questão perdeu espaço no debate público desde os ataques do Hamas em outubro de 2023 e a manutenção de reféns israelenses em Gaza.
Opinião pública israelense e cenário político
Segundo pesquisa divulgada em junho pelo Pew Research Center, apenas 21% dos israelenses acreditam que a convivência pacífica entre dois Estados seja possível. Em 2013, esse índice era de 50%; em 2023, caiu para 26%.
Mesmo entre lideranças da oposição, como Yair Lapid, o apoio à criação de um Estado palestino não se mantém no discurso atual. Ele afirmou que os palestinos não devem ser recompensados pelos atos do 7 de Outubro. A declaração reflete o consenso entre os principais partidos israelenses, inclusive aqueles que, em outros momentos, apoiaram publicamente a proposta.
O tema praticamente desapareceu da agenda partidária no Knesset. O receio de que qualquer declaração favorável possa ser usada eleitoralmente pelos adversários contribui para o silêncio político, especialmente com a possibilidade de eleições antecipadas antes do pleito programado para outubro de 2026.
Assassinato de ativista agrava tensão na Cisjordânia
Na segunda-feira (28/07/2025), o palestino Awdah Hathaleen foi morto por um colono israelense em frente a um centro comunitário próximo a Hebron. O agressor, Yinon Levi, já havia sido alvo de sanções de Estados Unidos e União Europeia em 2024, posteriormente suspensas. Levi foi detido e deve responder por homicídio culposo e uso ilegal de arma de fogo.
Awdah Hathaleen era jornalista e participou da produção do documentário “No Other Land”, vencedor do Oscar em 2025, que retrata a resistência palestina à destruição de comunidades na Cisjordânia. A França classificou sua morte como assassinato e descreveu a violência de colonos como “terrorismo”.
Ajuda humanitária em Gaza enfrenta mercado clandestino
As pausas humanitárias diárias anunciadas por Israel visam permitir o envio de mantimentos à Faixa de Gaza, mas a distribuição enfrenta dificuldades. A ajuda acaba alimentando um mercado paralelo, com relatos de venda clandestina de alimentos em meio à escassez.
Produtos como tomates chegam a custar 100 shekels (cerca de R$ 160 o quilo). Palestinos relatam que precisam revender alimentos obtidos nas imediações de caminhões de ajuda para sobreviver. A USAID, agência americana de cooperação, afirma que os desvios são organizados por grupos armados não identificados, e não exclusivamente pelo Hamas, como alega Israel.
Países árabes pedem fim do controle do Hamas
Durante conferência na sede da ONU em Nova York, (29/07/2025), 17 países, a União Europeia e a Liga Árabe assinaram a Declaração de Nova York, exigindo o desarmamento do Hamas e sua retirada da administração da Faixa de Gaza.
A proposta prevê a substituição do Hamas pela Autoridade Palestina, com apoio internacional. O documento também condena os ataques de (07/10/2023) e defende o envio de forças internacionais para estabilização da região.
O ministro das Relações Exteriores da Arábia Saudita, príncipe Faisal bin Farhan, apresentou o texto à ONU, pedindo apoio dos 193 países-membros antes da Assembleia Geral de setembro. A França, copresidente da conferência, qualificou a declaração como “histórica”.
França e Reino Unido anunciarão reconhecimento do Estado palestino
O primeiro-ministro britânico Keir Starmer anunciou que o Reino Unido reconhecerá o Estado da Palestina até a Assembleia Geral da ONU, em setembro, caso Israel não implemente um cessar-fogo e permita a entrada de ajuda humanitária. A decisão alinha-se à posição da França, que fará o mesmo reconhecimento.
Starmer também exige a libertação dos reféns e a desmilitarização total do Hamas. O governo de Israel rejeitou a decisão britânica e considerou a medida uma recompensa ao Hamas.
Mais de 140 países já reconhecem o Estado palestino, mas a entrada de potências nucleares como França e Reino Unido no grupo representa uma mudança geopolítica relevante.
Solução de dois Estados permanece distante
Apesar das declarações diplomáticas, o avanço territorial israelense na Cisjordânia, a presença contínua do Hamas em Gaza e a perda de apoio interno em Israel tornam a criação de um Estado palestino cada vez mais complexa. O secretário-geral da ONU, António Guterres, alertou que a solução de dois Estados “está mais distante do que nunca”.
Outros países como Austrália, Canadá, Portugal e Nova Zelândia também demonstraram disposição para reconhecer a Palestina, mesmo sem terem feito isso até o momento.
*Com informações da RFI.
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