A prisão domiciliar do ex-presidente Jair Bolsonaro, decretada pelo ministro Alexandre de Moraes na segunda-feira (04/08/2025), provocou insegurança no governo federal e entre empresários brasileiros. A medida ocorre em meio às tratativas para a retomada do diálogo comercial com os Estados Unidos, liderados pelo presidente Donald Trump, que condicionou a suspensão de um tarifaço de 50% à evolução do processo judicial envolvendo Bolsonaro.
Segundo fontes do governo ouvidas pela RFI, havia a expectativa de uma conversa telefônica entre o presidente Lula e Trump nos próximos dias, com foco em negociações sobre tarifas e comércio exterior. No entanto, a decisão judicial reacendeu tensões e poderá atrasar ou inviabilizar o avanço das tratativas diplomáticas.
No setor empresarial, o clima é de cautela. Para José Augusto de Castro, presidente da Associação de Comércio Exterior do Brasil (AEB), a situação exige atenção máxima.
“Qualquer faísca pode agravar o cenário. Empresas fora da lista de isenções enfrentam dificuldades para competir em novos mercados”, afirmou.
O tarifaço americano, que entra em vigor às 00h01 desta quarta-feira (06/08/2025), afeta 12,5% das exportações brasileiras destinadas aos Estados Unidos, com impacto direto em 35% desse volume. A lista de 694 isenções divulgada na última semana trouxe algum alívio, mas a incerteza política e comercial persiste.
Governo prepara plano de contingência
O vice-presidente Geraldo Alckmin, responsável pela interlocução com o setor produtivo e negociações internacionais, informou que o governo elabora medidas emergenciais para apoiar as empresas atingidas. O plano prevê linhas de crédito via BNDES, ações para manutenção de empregos e estímulos ao consumo interno.
Empresários solicitaram ainda a ampliação da Lei Acredita Exportação, que prevê ressarcimento de 3% sobre exportações para micro e pequenas empresas, para empresas de maior porte. A equipe econômica avalia o impacto fiscal da medida antes de anunciar uma decisão.
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Paralelamente, o governo intensifica negociações com o Reino Unido e a União Europeia para retomar exportações de pescado brasileiro, produto que foi sobretaxado em 50% pelos EUA. Alckmin reforçou que o Brasil mantém tarifas médias de apenas 2,7% para produtos americanos, enquanto 80% das exportações dos EUA para o Brasil já têm isenção total.
O presidente Lula, em discurso no Conselho de Desenvolvimento Econômico Social Sustentável nesta terça-feira (05/08/2025), defendeu soberania e união nacional, enquanto a equipe de comércio exterior avalia quando e como acionar a Organização Mundial do Comércio (OMC) contra as tarifas americanas.
*Com informações da RFI.








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