Produtores de cacau terão R$ 200 milhões para investimentos

O anuncio da liberação de R$ 200 milhões para a retomada da produção e a renegociação de cerca de 5 mil contratos de financiamento marcaram a reunião da Câmara Setorial de Cacau, realizada hoje (27/11/2009) na sede regional da Ceplac, em Ilhéus. A renegociação das dívidas é considerada um passo fundamental na implantação do Plano de Desenvolvimento do Agronegócio na Região Cacaueira da Bahia, o PAC do Cacau. Graças a uma mobilização do governo do Estado, através da Secretaria da Agricultura, Irrigação e Reforma Agrária, Seagri, e dos segmentos da cadeia produtiva do cacau, o cultivo foi considerado sistema agroflorestal e inserido no FNE Verde, com o prazo de pagamento dos débitos sendo estendido para 20 anos, com oito de carência e doze para a quitação.

O secretário da Agricultura, Roberto Muniz lembrou que o início das renegociações consolida a inclusão do cacau no FNE Verde, e enfatizou o grande interesse e vontade do governo Wagner de recuperar e estimular o desenvolvimento da região, que engloba mais de 100 municípios. “Agora, o nosso grande desafio é verticalizar a cadeia produtiva, instalando fábricas de massa de cacau e também de chocolate”. Segundo ele disse “não podemos mais continuar vendendo apenas amêndoas. Temos que industrializar nossa produção e mostrar ao mundo o que somos capazes de fazer”.

Conforme disse o secretário, o Banco do Brasil, (BB) e o Banco do Nordeste do Brasil, BNB, vão investir na região do cacau, nestes dois últimos meses do ano, R$ 200 milhões, para a retomada da produção. “Esses novos recursos são destinados aos 30 mil produtores de cacau da região, tanto os que estão incluídos na renegociação como aqueles que não têm débitos”. O secretário Roberto Muniz destacou como fato importante que “os pequenos produtores terão acesso a novos créditos depois de 20 anos de crise”. Ele disse ainda que para o ano de 2010 o cacau será incluso no plano safra da secretaria, e os bancos já garantiram que vão destinar recursos sem limites para a região.

O superintendente do BNB na Bahia, Nilo Meira, revelou que o banco acredita no potencial da região e que vai investir tanto no cacau como na diversificação e em outros setores da economia, incluindo a verticalização do cacau, estimulando a instalação de fábricas de chocolate.

Para Henrique de Almeida, presidente da Associação dos Produtores de Cacau, APC, o início das assinaturas dos contratos de renegociação e o anúncio da liberação de novos recursos representam um passo importante na luta pela recuperação do cacau e de toda a região. “Até agora já temos 8.664 operações amparadas pela Lei 11.775/2008, que criou o PAC do Cacau, mas faltam ainda 6.094 que ficaram de fora. Acreditamos e confiamos no governo que prometeu e está se empenhando para que essas operações também possam ser renegociadas, alcançando assim a todos os produtores que ficaram endividados”.

OPERAÇÕES

Os três contratos assinados nesta terça-feira, (27) por produtores da região representam 4.858 operações, (1.100 operações do BB, no valor de R$ 122 milhões; 2.135 operações da Desenbahia no valor de R$ 20 milhões, e 1 623 operações do BNB, no valor de R$ 16 milhões), que já estão prontas para assinaturas dos contratos. Essas operações fazem parte do total de 8.664, no valor de R$ 482 milhões, enquadradas na Lei 11.775/2008, que criou o PAC do Cacau. Esses números se tornaram claros depois que, por solicitação da Seagri, os agentes financeiros traçaram, pela primeira vez, o perfil da dívida do cacau, revelando o total de 14.758 operações, no valor total de R$ 947,4 milhões. Destas, 6.094 não foram alcançadas pela Lei 11.775 e são alvo das gestões que o governo da Bahia, através da Seagri e da Câmara Setorial do Cacau vem desenvolvendo junto ao Ministério da Agricultura para permitir a renegociação.

Uma das pessoas que assinaram a renegociação foi o produtor Carlos Alberto Fraife Barreto, que cultiva 17 hectares de cacau em Coaraci. Até 1993, ele produzia cerca de 1.400 arrobas de cacau por ano, mas com a incidência da vassoura-de-bruxa a produção caiu para 108 arrobas/ano.

Fraife pretende investir no cultivo de clones de cacau resistentes a doenças e com alta produtividade, para atingir a produção de mil arrobas em três anos. “Graças ao PAC do Cacau, a região terá uma nova oportunidade de se desenvolver”, afirma o produtor.

José Batista Bonfim, pequeno produtor em Mascote, renegociou suas dívidas com um desconto de 50%, e está otimista: “agora poderei melhorar a plantação de cacau e voltar a produzir em condições de garantir o sustento da família”. Bonfim que chegou a produzir 2.500 arrobas/ano, viu sua produção cair para apenas 100 arrobas/ano. “Chegou a hora da retomada, vamos viver um novo tempo no Sul da Bahia”, afirmou.

Além da renegociação das dívidas e a obtenção de novos créditos, o PAC do Cacau contempla outras ações como o adensamento da área plantada com cacau, diversificação de culturas com a distribuição de mudas de seringueiras, dendê e fruteiras,  mudas de cacau resistentes à vassoura-de-bruxa, contratação de técnicos para assistência técnica e extensão rural e capacitação de produtores para novas práticas de manejo.

A reunião, coordenada pelo secretário de Agricultura, Irrigação e Reforma Agrária, Roberto Muniz, contou com as presenças do secretário estadual de Meio Ambiente, Juliano Matos, o diretor geral da Ceplac Jay Wallace, os prefeitos de Ilhéus, Newton Lima, e de Itabuna, capitão Azevedo; e dirigentes  da  Associação dos Produtores de Cacau, Banco do  Nordeste, Desenbahia e da Associação dos Municípios Região Cacaueira.

Estavam presentes também o diretor geral da Adab, Cássio Ramos Peixoto; o presidente da Bahia Pesca, Isaac Albagli de Almeida, o superintendente da Agricultura Familiar da Seagri, Ailton Florencio, o diretor executivo de agricultura  da EBDA, Hugo Pereira de Jesus; o superintendente da Ceplac/Itabuna, Antônio Zózimo, dentre outras autoridades e convidados.


Discover more from Jornal Grande Bahia (JGB)

Subscribe to get the latest posts sent to your email.

Facebook
Threads
WhatsApp
Twitter
LinkedIn

Deixe um comentário

Discover more from Jornal Grande Bahia (JGB)

Subscribe now to keep reading and get access to the full archive.

Continue reading

Privacidade e Cookies: O Jornal Grande Bahia usa cookies. Ao continuar a usar este site, você concorda com o uso deles. Para saber mais, inclusive sobre como controlar os cookies, consulte: Política de Cookies.