Advogado detalha fraudes bilionárias no INSS; CPMI solicita prisões e bloqueio de bens

O advogado Eli Cohen apresentou, na segunda-feira (01/09/2025), seu depoimento à CPMI do INSS, detalhando um esquema de fraudes contra aposentados e pensionistas que envolve débitos não autorizados feitos por sindicatos e associações, muitas delas de fachada. Em decorrência das informações, o relator da CPMI, deputado Alfredo Gaspar (União-AL), solicitou ao colegiado que encaminhe ao Ministério da Justiça e ao STF pedidos de prisão preventiva dos indivíduos citados, bem como o bloqueio de bens das entidades envolvidas.

Pedido de prisões e bloqueio de bens

O relator afirmou que existem indícios suficientes de autoria e provas da materialidade dos crimes, classificando os principais suspeitos como integrantes de uma organização criminosa. O presidente da CPMI, senador Carlos Viana (Podemos-MG), endossou o pedido, ressaltando a gravidade do caso e a necessidade de ação judicial imediata.

Carlos Viana declarou que já se tem praticamente todo o esquema mapeado, mas que até o momento nenhum envolvido enfrenta risco de prisão, reforçando que o colegiado solicitará à Justiça a detenção dos principais responsáveis.

Estrutura e histórico do esquema

Cohen relatou que as fraudes tiveram início em 2005 e identificou como coordenadores do esquema o empresário Maurício Camisotti e o lobista Antônio Carlos Camilo Antunes, conhecido como “careca do INSS”. Segundo ele, as fraudes envolveram Associação dos Aposentados Mutualistas para Benefícios Coletivos (Ambec), União dos Aposentados e Pensionistas do Brasil (Unsbras) e o Centro de Estudos dos Benefícios dos Aposentados e Pensionistas (Cebap).

As entidades movimentaram aproximadamente R$ 1 bilhão, prejudicando cerca de um milhão de aposentados e pensionistas, com arrecadação mensal de R$ 20 milhões apenas pela Ambec. Cohen também citou que outras associações, como a Contag e a Cobap, foram coniventes com os descontos irregulares.

Suposto suporte político e ameaças

Durante o depoimento, Cohen mencionou suspeitas de suporte político no Legislativo, Executivo e Judiciário, sem apresentar provas. Ele também relatou ter recebido ameaças anônimas após a descoberta do esquema, levando o relator a solicitar à CPMI a proteção imediata do depoente pela Polícia Federal.

Além do relator e do presidente da CPMI, participaram do depoimento senadores e deputados, incluindo Efraim Filho, Rogério Marinho, Jorge Seif, Randolfe Rodrigues, Izalci Lucas, Orlando Silva, Rogério Correia, Zé Trovão, Marcel van Halen e Duarte Jr..

Próximos passos da CPMI

Carlos Viana anunciou que a CPMI deve passar a se reunir três vezes por semana e requererá informações sobre visitas do “careca do INSS” à Câmara e ao Senado, reforçando a continuidade das investigações e a apuração das responsabilidades.

*Com informações da Agência Senado.


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