Elites brasileiras privilegiam raízes europeias e ignoram identidade latino-americana, apontam especialistas

Especialistas entrevistados pelo podcast Mundioka, da Sputnik Brasil, afirmam que a elite brasileira ainda se identifica mais com a herança europeia do que com a latino-americana, apesar da influência marcante da cultura afrodescendente na formação social e cultural do país. Pesquisas indicam que a população afro-brasileira representa mais de 50% da população nacional, mas continua enfrentando barreiras estruturais, incluindo limitações na aplicação de ações afirmativas.

Formação étnico-social da América Latina

Presença africana e indígena

Segundo Eduardo Parga, doutor em história pela UERJ, além de colonizadores europeus e povos originários, a América Latina tem forte presença africana, resultado do período escravagista. No Brasil, a população afrodescendente moldou a identidade nacional, recriando relações e construindo novas culturas e tradições, apesar da perda de referências diretas com a África.

Movimentos afro-latinos

Parga destaca que movimentos afro-latinos, como o Movimento Negro Unificado no Brasil e a Rede de Mulheres Afro-Latino-Americanas, atuam na promoção da igualdade racial e no combate à violência de gênero. Na Colômbia, o Processo de Comunidades Negras trabalha na defesa dos territórios ancestrais. Essas iniciativas buscam inclusão social e cidadania plena para populações historicamente marginalizadas.

Desafios da elite e ações afirmativas

Identidade e privilégio

Aline Souza, doutoranda em ciências sociais pela UFES, aponta que a elite brasileira se identifica com a herança europeia, negando sua condição latino-americana e perpetuando privilégios. A dificuldade de desconstruir o mito da democracia racial reforça a subalternização de grupos negros, limitando a presença destes em posições de poder e influência.

Limitações institucionais

Souza observa que, apesar de avanços em ações afirmativas em universidades, a implementação em concursos públicos e instituições de justiça permanece incompleta e desigual. A persistência de práticas discriminatórias evidencia que a igualdade racial ainda enfrenta obstáculos estruturais, exigindo políticas públicas consistentes e maior conscientização social.

*Com informações da Sputnik News.


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