O gelo marinho de inverno na Antártida atingiu o terceiro menor nível em quase 50 anos de observações por satélite, segundo dados divulgados nesta terça-feira (30/09/2025) pelo Centro Nacional de Dados de Neve e Gelo dos EUA, vinculado à Universidade do Colorado. A extensão máxima registrada em 2025, atingida em 17 de setembro, foi de 17,81 milhões de quilômetros quadrados, ficando atrás apenas dos recordes de 2023 e 2024.
De acordo com o pesquisador Ted Scambos, da Universidade do Colorado, o aquecimento dos oceanos está se misturando com a água próxima à Antártida, evidenciando a crescente influência das mudanças climáticas no Polo Sul.
Impactos climáticos do recuo do gelo
O desaparecimento do gelo marinho não eleva diretamente o nível do mar, mas afeta o clima global. A redução da superfície branca diminui a capacidade de reflexão solar, aumentando o aquecimento dos oceanos e da atmosfera. Além disso, a banquisa funciona como barreira natural, limitando o avanço da camada de gelo continental para o oceano.
Efeitos paradoxais e projeções futuras
Segundo Scambos, o derretimento da banquisa pode provocar aumento das quedas de neve na Antártida, já que o ar úmido sobre o oceano se aproxima mais da costa. Dados históricos indicam que, em cenários de aquecimento global, a camada de gelo da região tende a reduzir-se de forma contínua, impactando ecossistemas e circulação oceânica.
O gelo marinho de inverno, que se estende centenas de quilômetros além do continente entre setembro e outubro, representa um indicador-chave da saúde climática da Antártida e da dinâmica dos oceanos do Hemisfério Sul.
*Com informações da RFI.










Deixe um comentário