O primeiro-ministro francês Sébastien Lecornu conseguiu evitar a queda do governo na quinta-feira (16/10/2025), escapando por pouco de duas moções de censura apresentadas pela esquerda radical e extrema direita na Assembleia Nacional. Com o resultado, o premiê de centro-esquerda se prepara agora para enfrentar o desafio de negociar e aprovar o orçamento de 2026, mantendo a estabilidade política do governo.
Contexto político e estratégia do governo
Para evitar a dissolução do Parlamento e crises anteriores, Lecornu suspendeu temporariamente a reforma da Previdência de Emmanuel Macron, medida polêmica que gerou fortes divisões no Legislativo. Uma das moções de censura falhou por apenas 18 votos, evidenciando a fragilidade do governo diante de um Parlamento dividido em três blocos: esquerda, centro e extrema direita.
O primeiro-ministro descartou o uso do artigo 49.3, que permite aprovar o orçamento sem análise dos deputados, prática utilizada em 2023 e 2024, considerada profundamente antidemocrática pela opinião pública e por parte dos parlamentares.
Pressão dos socialistas e negociações fiscais
O Partido Socialista desempenha papel decisivo, garantindo apoio ao governo, mas exigindo maior justiça social. Entre as demandas estão o congelamento das aposentadorias mais elevadas, revisão de benefícios sociais e imposição de impostos sobre os mais ricos. Lecornu dependerá de 69 votos socialistas para alcançar a maioria necessária de 289 deputados na Assembleia Nacional.
A oposição totaliza atualmente 265 votos, enquanto o governo conta com o apoio de 212 parlamentares, segundo levantamento do jornal Le Monde, reforçando a dificuldade do Executivo em aprovar medidas fiscais sem negociações estratégicas.
Análise da imprensa francesa
O jornal Libération destaca a frágil influência dos deputados de centro e a imprevisibilidade do partido Os Republicanos, que apresenta vozes divergentes sobre a suspensão da reforma da Previdência. O Le Figaro aponta que a aprovação do orçamento será complexa, considerando a divisão do Parlamento e a necessidade de consenso.
Os debates sobre o orçamento 2026 estão previstos para a próxima semana e a lei precisa ser promulgada antes de 31 de dezembro de 2025, exigindo que o governo Lecornu II consiga consolidar apoio político suficiente para evitar novas crises.
*Com informações da RFI.











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